🇮🇷 𝕺 𝖈𝖚𝖘𝖙𝖔 𝖉𝖆 𝖏𝖚𝖘𝖙𝖎𝖈𝖆.
Até onde você está disposto a lutar pelo o que é certo? O que está disposto a sacrificar?
Sardar Azmoun vem apoiando a maior manifestação da história do Irã, mas agora vê sua vaga na Copa ameaçada como forma de boicote do governo.
Segue 🧶
Antes de tudo, precisamos entender o contexto político-religioso no qual o Irã se encontra e o que desencadeou aquele que vem sendo, talvez, o maior e mais violento protesto da história do oriente médio.
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O Irã, assim como outros países do oriente médio, é organizado em todas as suas esferas segundo os dizeres do islamismo xiita (vertente mais radical do Islã).
O país é comandado por um 𝘍𝘢𝘲𝘪𝘩 (líder supremo), cargo vitalício ocupado por Ali Khamenei desde Junho de 1989.
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Apesar de se intitular uma 'teocracia organizada em uma democracia parlamentar', o Irã é, na prática, um regime antidemocrático que boicota, persegue, prende e mata opositores do governo e das leis xiitas.
Segundo a ONU, é um dos países que menos prega pelos direitos humanos.
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Uma das características mais marcantes da religião muçulmana é o tradicional 𝘩𝘪𝘫𝘢𝘣, utilizado pelas mulheres.
No Irã, homens e mulheres devem se vestir rigorosamente de acordo com o código de vestimenta xiita em todos os locais públicos, de forma obrigatória.
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A polícia da moral fiscaliza a população iraniana nas ruas, certificando-se que todos estão seguindo o código xiita.
Os policiais ficam dentro de uma van branca enquanto mulheres, pagas pela polícia, ficam à paisana buscando possíveis irregularidades de vestimenta e conduta.
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A jovem iraniana Mahsa Amini, de 22 anos, estava passando férias em Teerã com seus pais e seu irmão de 17 anos para visitar a família.
Jina (nome curdo de Mahsa) e sua família andavam na capital e, ao sairem da estação de metro de Haghahi, foram paradas pela polícia da moral.
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Mahsa tinha uma parte do seu cabelo a mostra sob o 𝘩𝘪𝘫𝘢𝘣. Seu irmão tentou justificar que, por estarem em Teerã pela 1° vez, não conheciam as regras.
Mesmo assim a polícia desacordou Jina com uma coronhada e a colocou na van, jogando spray de pimenta na sua família.
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3 dias depois, foi anunciada a morte de Masah por "infarto fulminante". A polícia negou seu envolvimento e disse que ela havia "caído repentinamente".
Porém, imagens do rosto de Jina desfigurado começaram a rodar na Internet e foram o estopim de uma revolta.
⚠️ IMAGEM FORTE
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Os protestos começaram em 17 de Setembro e continuam até hoje nas 31 províncias do país e em 150 cidades pelo mundo. Segundo a Human Rights Watch, já são mais de 185 mortos, sendo 19 menores de idade, e ao menos 2.000 pessoas já foram presas.
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Na Sexta (07/10) ao menos 3 jovens foram mortos em um confronto contra a polícia. Como retaliação, o grupo "Adalat Ali" hackeou a TV estatal no Sábado durante o noticiário, transmitindo no lugar a imagem de uma máscara seguida de uma montagem de Ali Khamenei em chamas.
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Apesar disso, Ali Khamenei considerou os protestos como "tumultos" e vem promovendo censuras à jornalistas do exterior. O 𝘍𝘢𝘲𝘪𝘩 disse que jornalistas americanos e ingleses estão fazendo uma cobertura "hostil, exagerada e parcial" para tentar desestabilizar o país.
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O elenco da seleção iraniana fez um movimento como apoio aos protestos, colocando fotos pretas de perfil em suas contas do Instagram.
Entretanto, Sardar Azmoun foi além: O astro nacional denunciou a censura na seleção e afrontou diretamente o governo em storie já deletado.
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Azmoun relevou que, enquanto o elenco estava treinando na Áustria, a FFIRI (entidade máxima do futebol no Irã), os proibiu de falar sobre o assunto publicamente. Ademais, Sardar ainda admitiu que corre o risco de ser boicotado da seleção pelo seu pronunciamento.
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"Se eles são muçulmanos, Senhor, me faça descrente. Não posso mais ficar quieto. Ser expulso da seleção é um pequeno preço a se pagar por um único fio de cabelo de uma mulher iraniana. Vocês deveriam se envergonhar por matar pessoas tão facilmente. Viva às mulheres do Irã!"
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No dia 28, Sardar postou uma carta aberta em homenagem à seleção iraniana de vôlei. Nela, parabenizou as atletas pela resistência contra o machismo e afirmou que lutará sempre por "suas irmãs".
Azmoun limitou os comentários na sua conta devido aos ataques que vem sofrendo.
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Por ironia do destino, Sardar Azmoun ainda encara outra adversidade que também ameaça sua ida ao Catar: uma lesão muscular na panturrilha direita que ele sofreu durante o aquecimento do jogo entre Porto e Bayer pela #UCL. O tempo de recuperação previsto é de 6-8 semanas.
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Sardar deve perder a copa, mas o seu feito vale muito mais que um mundial. São centenas de mensagens diárias de iranianas agradecendo-o por inspirar e amplificar a voz de milhões de mulheres.
Mesmo com 146 gols na carreira, esse é, certamente, o maior golaço que Azmoun já fez.
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Fica aqui o desejo de força para todos o Irã, especialmente para as mulheres. 🇮🇷
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