havia numa cidade dois homens, um rico e outro pobre. o rico tinha rebanhos e manadas em grande número.
mas o pobre não tinha coisa alguma, senão uma pequena ovelha que comprara e criara.
#1
ela crescera em companhia dele e de seus filhos.
comia da sua mesa, do seu copo bebia, e dormia em seu regaço.
ele a tinha como filha.
#2
certo dia, o homem rico foi informado que havia na vila uma ovelha que pertencia a um homem pobre, ovelha que, como seu dono, não se alinhava à ordem que desfrutava.
para mostrar seu poder e equilíbrio, o homem rico tomou a ovelha do pobre e a cozinhou.
#3
líderes religiosos—que mantém estruturas de poder que assimilaram dos reinos dos homens—protegem os seus de qualquer perigo e cozinham, em nome do equilíbrio e poder, os que não se alinham com sua ordem, ideologia e prática.
mas Jesus, o pobre e Bom Pastor, sabe, ouve, e vê.
#4
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hoje existe uma grande preocupação com a "relativização" da Bíblia.
a preocupação é justificada pois dentro da religião muitos entendem que Deus é absoluto, que sua Palavra é absoluta, e que a Palavra absoluta é invalidada e enfraquecida através de relativizações humanas.
nesse fio quero sugerir que interpretação inevitavelmente envolve relativização, pois por mais que Deus seja absoluto e que a verdade seja absoluta, nós não somos... e a prática da sabedoria e do discernimento na Bíblia se encontra também em nossa capacidade de relativização.
mas o que quero dizer com relativização?
respondo: relativizar é conferir valores, importâncias, e hierarquias entre coisas, e no caso da interpretação bíblica, entre textos e idéias.
Eva relativizou no jardim, Paulo foi um grande relativizador, mas começarei com outro exemplo
pausa pra fazer algumas observações pontuais sobre o uso de João 8:32 "e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" por políticos e líderes religiosos.
1- no verso anterior Jesus diz: "se vocês permanecerem na minha palavra..." isto é, a verdade que liberta no verso 32 está diretamente relacionada ao estado de permanecer nas palavras de Jesus e não nas palavras de políticos, nem nas palavras de mídia de direita ou esquerda.
2- na sequência, esse estado de permanecer nas palavras de Jesus gera discipulado, isto é, a emulação e imitação daquilo que Jesus fazia. preocupações e percepções pessoais do mundo são, nessa fase, harmonizadas com as de Jesus nos fazendo discípulos, na vivência das palavras.