Dos comportamentos mais bonitos que vi, quase todos tem um componente de vínculo por trás. Desde lindas declarações de amor até ações que poderiam colocar a própria vida em risco por conta do ser querido.
Mas como vínculos se formam? eles só existe na nossa espécie? 👇🧶
O estudo dos vínculos é algo que sempre me chamou a atenção. Especialmente abstraindo para uma complexidade imensa que é tentar entender o que é o amor. Eu particularmente sempre fui a pessoa que sofre cruas ânsias quando um vínculo se quebra, e queria entender o porquê
Uma parte dessa resposta reside no fato de que somos seres sociais. Vivemos em sociedade (apesar de alguns acharem que não, ou que suas ações não impactam na sociedade...). Para seres sociais, os vínculos são parte crucial para seus comportamentos
Segundo Harry Harlow, diferentes tipos de vínculos podem ter diferentes componentes envolvidos, como por exemplo na formação dos vínculos entre pais-filhos e entre pares.
Existe um componente multisensorial (cheiros, a parte visual...) que vai auxiliar a criar esse laço
Em roedores, por exemplo, o olfato (o processamento de sensações tipo cheiros) é um componente super importante para isso. Mas pensando nos primatas, a parte visual é bastante significativa.
E é graças a junção de vários componentes sensoriais (o cheiro, a imagem, o toque...) criamos uma resposta tão complexa que vai envolver a busca por aquele ser, a proximidade, respostas de cuidados e até mesmo comportamentos defensivos
A ninhada de uma rata tem o cheiro do ninho que ela construiu, o cheiro dela, e tudo isso, somado a vários outros fatores, ajuda a construir esse laço. Colocando um outro rato (desconhecido) próximo, a mãe pode assumir uma posição defensiva com seus filhotes
Mas é só sensação que constrói isso Mell? É bem mais complexo que isso! Claro que essas sensações são como se fossem os primeiros tijolos dessa base, mas tem muito cimento que não falamos: atenção, memória, reconhecimento social, resposta ao afastamento e motivação, por exemplo
Para tentar entender um pouco mais disso, a observação do comportamento de outros animais, que tem uma resposta mais parecida ou mais diferente de nós, pode ser um ponto de partida valioso. É possível observar a construção complexa dos comportamentos de vínculos no reino animal
Um exemplo fascinante são os calitriquídeos: primatas não-humanos que são monogâmicos e tem um cuidado biparental (ou seja, temos um pai e uma mãe cuidando do filhote)
Outro exemplo que eu me derreto vendo a foto é dos macacos titi: seus pares são expressos por entrelaçamento de suas caudas - um equivalente a andar de mãos-dadas? 🥰
A verdade é que observamos um comportamento muito básico (comparado com outros, porque envolve uma liberação de moléculas no ambiente bastante intensa, como forma de 'sinal') de agregação social até mesmo em vermes, como é o caso do Caenorhabditis elegans
Mas onde temos mais dados hoje desse comportamento, sem dúvida, é observando os vínculos de mãe-infante (prole). Em aves chocadas, por exemplo, um fenômeno surpreendente acontece ao nascer: o imprinting visual.
É o que rolou com o Jacob e a Renesmee? Calma, não vamos tão longe
Em aves chocadas, por exemplo, existem manifestações comportamentais de apego entre o infante (filhote) e a genitora (mamis) que fazem o animal ter a orientação de segui-la para onde a genitora for. É como se rolasse uma "impressão mental" da imagem da mãe com a info: SIGA ELA
Para esse comportamento rolar, 3 coisas precisam acontecer:
1⃣ Resposta de aproximação: ⬆️alerta, ⬇️aversão
2⃣ Aquisição ou aprendizado: memória de longo prazo do estímulo
3⃣ Reversão da resposta de aproximação: evitar novos objetos enquanto mantém o seguimento da mãe, por ex.
Tudo isso ocorre numa região do 🧠desses animais chamada de mesopalium (ou hiperestriado ventral), juntamente do hipocampo, super envolvido na formação de memórias, além de regiões de processamento visual e outras
Faz sentido, né?
De forma diferente das aves, esse reconhecimento materno em roedores é por meio do olfato (cheiros)! Existe um aprendizado olfativo que faz com que o filhote associe aquele cheiro com algo importante (mãe). E a molécula por trás disso é ela mesma: ocitocina
E foi osbervada sua relevância justamente em um estudo em que se viu que ela (oxitocina) não altera o aprendizado se associado com estímulos não sociais (por exemplo: vínculo com um objeto), mas quando se trata da mãe, por exemplo, ela é liberada - e faz diferença
Quando a gente fala de comportamento mãe e filho, rapidamente pensamos que esse vínculo é por toda a vida, não é? E para algumas espécies, de fato, pode ser. Mas não é regra no reino animal.
Temos espécies que apresentam um comportamento materno do tipo “sazonal”
Quê?
É caso do rato Wistar (Rattus norvegicus) que apresenta este comportamento até um período pós-natal determinado. Após isso, se deixar machos e fêmeas próximos, é possível que possam acasalar, inclusive.
Mas temos exemplos, como é o caso das ovelhas, que podem apresentar o comportamento materno ao longo de toda a vida, sendo capazes de reconhecer seu filhote em um imenso rebanho, mesmo um tempão depois do nascimento
E um outro tipo de vínculo que também é bastante estudado é o vínculo formado entre pares! No reino animal, menos de 10% dos mamíferos apresentam comportamento reprodutivo do tipo monogâmico e biparental, por exemplo. Entre os primatas, 25% tem comportamento monogâmico
Mas o que chamou a atenção dos pesquisadores dessa área foram duas espécies de roedores (gênero Microtus): dependendo da espécie, temos roedores monogâmicos (Microtus ochrogaster) e não monogâmicos (Microtus montanus)
O M. ochrogaster é conhecida como “roedores do campo”, enquanto que o M. montanus é conhecida como “roedores da montanha". Avaliando regiões do 🧠dos dois, observou-se que os roedores do campo (dir) tem mais receptores da ocitocina em regiões-chave pra formar vínculos, por ex.
Legal, Mell, mas WHAT IS LOVE? (o que é o amor?)
a) baby dont hurt me
b) I want you to show me
Vou te responder, e também não vou te responder ao mesmo tempo (aprendi com o Schröedinger) 🧶👇
Os neurocientistas ainda não conseguiram alcançar o nível dos poetas, que tão bem buscaram caracterizar o amor, mas temos já alguns indicativos de que temos um envolvimento muito grande (mas não somente) da ocitocina, em regiões importantes para vínculo e recompensa
Estudos de ressonância magnética funcional (em que observamos mudanças na ativ. do 🧠ali na hora), foi solicitado para adultos olharem fotos de seus parceiros e de amigos não-aproximados. Muitas áreas se ativaram ao mesmo tempo, envolvidas com motivação, recompensa e vínculo
Esses estudos revelaram ativações das áreas do cingulado anterior, da ínsula medial e do núcleo caudado e putâmen, regiões-chave envolvidas na empatia, comportamento afetivo e vias de motivação
E de uma forma parecida com o início desse fio, os mesmos padrões são vistos quando os indivíduos escutam a voz do parceiro, revelando que esses mecanismos podem ser engatilhados por fatores multissensoriais (a partir de diferentes sensações)
Em outro momento, farei um fio só pra gente discutir sobre o amor, numa perspectiva neurocientífica, mas podemos entender que, seja o que for e o que o compõe, uma das bases reside nos vínculos, cujos mecanismos compartilhamos com várias outras espécies de animais.
Acho que uma das principais lições que eu tiro disso e de outras observações é que esse mecanismo tão bonito e que representa uma dedicação que vai para além da vida, também é visto, em diferentes níveis, em outros seres. E isso é belo, porque compartilhamos muito nesse planeta
Então se tu acha que aquele animal não sente dor, se um chimpanzé é incapaz de sentir um pesar parecido com o luto, ou se ratinhos sentem ou não um comportamento pró-social que lembra a empatia, pense duas vezes. Somos muito mais do que parecemos, e isso serve pra eles também!
Mesmo com o apelo direto de pessoas próximas e da própria família, tem gente fazendo associação velada ou explícita SEM EVIDÊNCIA de que o AVC do nosso amigo @Pirulla25 foi por causa da vacina
Acidentes Vasculares Encefálicos (AVE) tem crescido em jovens, e explico o porquê 🧵👇
Embora a maioria dos casos de AVE ocorram em pessoas acima dos 60 anos, em cerca de 18% das vezes eles acontecem em indivíduos entre 18 e 45 anos de idade.
Alguns fatores conhecidos e bem relacionados com AVE em jovens:
- hipertensão precoce
- obesidade, aterações nos lipídios
- diabetes, tabagismo
- sedentarismo
- alterações anatômicas e funcionais do coração
- condições genéticas, doenças autoimunes
A gripe aviária é uma preocupação de longa data e, com mais hospedeiros diversos e próximos de nós, como o gado leiteiro, especialistas buscam estimar riscos de uma nova epidemia em humanos
Vamos fazer um giro nos RISCOS e dados 👇🧵
Em um post, a epidemiologista @dr_kkjetelina trouxe uma ilustração de onde nós estaríamos em um "caminho a ser percorrido" pela gripe aviária até se transmitir entre humanos.
A imagem dá uma noção importante sobre o cenário atual e é importante trazer alguns contextos:
1) Casos esporádicos em humanos são vistos desde 2003, possivelmente a partir de contatos com as secreções de animais infectados (como aves, por exemplo)
Vamos falar SÉRIO, SEM SENSACIONALISMO sobre uma importante novidade: a detecção de um novo coronavírus na China, com características parecidas com coronavírus humanos conhecidos e se temos risco de uma pandemia dele
Fica no fio para entender essa notícia e contexto 👇🧵
Vamos ao que o artigo mostrou: a descrição do HKU5-CoV-2, descoberto em MORCEGOS.
Ou seja, quando alegam que foi encontrado em um "laboratório Chinês", na verdade foi descoberto por estes pesquisadores, mas o vírus em si foi achado na NATUREZA, em morcegos.
O que preocupa? O HKU5-CoV-2 (ou segunda linhagem do HKU5-CoV) tem POTENCIAL de usar uma porta de entrada "parecida" com aquela que outros coronavírus que infectam humanos, o receptor ACE2 humano.
Portanto, há um potencial em infectar humanos, mas ainda não comprovado
Vou tentar fazer um resumo para não ficar tão grande, bora y bora 👇🧵
METAPNEUMOVÍRUS (HMPV)
Desde meu último fio, a análise de risco global de uma pandemia desse vírus segue sendo baixa, segundo a OMS, mas a situação está sendo monitorada no mundo e no Brasil.
No Hemisfério Norte, com a chegada do inverno, é vista a co-circulação de diversos patógenos respiratórios, como influenza, Vírus Sincicial Respiratório (RSV), Mycoplasma pneumoniae, HMPV. Também segue havendo casos de Covid-19 who.int/westernpacific…
Foi noticiada, recente e infelizmente, a morte de um menino de 13 anos, cujo quadro foi agravado pela infecção por vírus Influenza A e uma bactéria conhecida que, em casos graves, pode levar a necrose de tecidos embaixo da pele
Falaremos da bactéria Streptococcus pyogenes 🧵👇
Antes de tudo: este fio tem caráter informativo, trazendo dados sobre a bactéria em questão, sinais e sintomas, prevenção e tratamento. As questões relacionadas a condução de caso não serão tratadas aqui, tá bom? Imagino que isso será analisado por especialistas daqui pra frente
Streptococcus pyogenes é classificada como gram-positiva e beta-hemolítica (duas informações relevantes para a escolha de quais recursos - meios de cultura- usar para ajudar em seu diagnóstico)
Ela é bem conhecida e é o principal patógeno bacteriano específico do ser humano
DENGUE NO BRASIL: com diversos municípios de SP declarando emergência, a Dengue já mostra que 2025 será um ano desafiador para seu enfrentamento, e nesse fio, vamos falar sobre SINAIS DE ALERTA, PREVENÇÃO, VACINAS E REPELENTES
Bora? 🧵👇
O QUE ESTÁ ACONTECENDO?
Sabemos que o início do ano é marcado por um aumento de casos de arboviroses, pelas temperaturas mais altas, períodos mais frequentes de chuva, etc
🚨com a crise climáticas, surtos maiores e em regiões antes chamadas de "frias" se tornam mais frequentes
Mas há (mais) outros agravantes:
▪️ uma maior dispersão do DENV-3, com aumento significativo em SP, AP, MG e PR
por circular menos em anos anteriores, grande parte da população é suscetível ao DENV-3, dado que os que mais tem circulado, ao longo dos anos, são o DENV-1 e 2.