Você já imaginou perder mais de 99% de um investimento?
E olha que não tô nem falando de criptomoeda ou de derivativos.
Eu tô falando de um Fundo de Investimento em Participações (FIP)!
Vou te contar a história do Cotista do Fundo Abandonado 🧶
Se você acompanhou os noticiários de FIIs nas últimas semanas, sabe que o Pátria comprou a VBI Real Estate.
O que você talvez não saiba, é que essa compra é uma forma do Pátria dar um “reset” na sua área de Real Estate que viveu momentos conturbados.
Tudo começou no início da década passada, quando o Pátria lançou o “Pátria Special Opportunities I”.
A grande tese desse FIP era o investimento na Tenco, uma desenvolvedora e operadora de Shoppings que seria a plataforma para uma expansão nacional no setor.
A Tenco possui uma rede de 13 centros comerciais em cidades de até 250 mil habitantes.
Em 2012, quando o FIP foi criado, o diferencial da Tenco era ser o “primeiro shopping” a chegar em cidades pequenas.
No começo, a coisa parecia ir bem…
Os relatórios do Pátria apontavam resultados sólidos e até 2016, a cota se valorizava em linha com o CDI.
A Tecno até patrocinou um time de futebol em 2015, o Atlético-MG. 🤡
Foi em 2016 que o jogo virou…
O cenário da expansão do consumo na economia não se confirmou e o crescimento da geração de caixa da Tenco aconteceu de forma MUITO lenta.
Além disso, a empresa não conseguiu acessar dinheiro barato e o perfil da dívida foi de mau a pior.
O problema é que o Pátria nunca avisou pros cotistas que a Tenco passava por dificuldades.
O elefante na sala começou a aparecer só em 2020, quando o Pátria trocou a empresa que avaliava os shoppings.
A nova avaliadora, logo de cara, já derrubou o valor dos ativos em 38%.
Mesmo com a Tenco na corda bamba, o Pátria ainda tava negociando com os bancos credores a dívida que já somava R$ 1,1 bilhão.
Afinal, tinha uma perspectiva de lucro ali!
Mas aí…
Mas aí veio a crise do covid e os shoppings tiveram que fechar as portas.
Além do endividamento astronômico, não havia mais geração de caixa, o que fez os bancos saírem da mesa de negociações.
Na metade de 2020, já no meio da pandemia, foi realizada uma nova avaliação desse FIP.
E é aqui que vem a pedrada!
Foi depois dela que os cotistas descobriram que haviam perdido 99,7% do capital investido.
A cota do fundo, que começou valendo R$ 1.000, e chegou a bater R$ 1.500, tava valendo R$ 4,00
E a coisa piora!
Os investidores também descobriram que o buraco da Tenco era bem maior.
Desde 2016, as despesas financeiras aumentaram de forma bizarra. Entre 2012 e 2020, o prejuízo da Tenco somava R$ 500 milhões.
Só em 2020, o prejuízo foi de R$ 126 milhões.
Nesse cenário, o Pátria contratou uma consultoria, que deu duas opções para a Tenco:
- Capitalização, ou
- Recuperação judicial
A recuperação nunca esteve nos planos, porque seria o mesmo, para a gestora, que perder o investimento.
Então…
Então, o negócio era arrumar gente disposta a investir no negócio.
E aí a história fica mais bizarra.
Em 2020, o Pátria fez um “call extraordinário” com os cotistas do fundo para apresentar uma “nova” oportunidade de investimento: o FIP, “Special Opportunities II”.
Esse FIP investiria mais R$ 250 milhões na Tenco, com estimativa de retorno de 48% ao ano até 2024.
Na prática, essa chamada de capital disfarçada diluía em 95% o capital do cotista que não participasse.
Era como se o Pátria estivesse numa mesa de pôquer, perdesse todo o dinheiro e pedisse mais grana pra tentar recuperar as perdas.
Grande parte dos investidores não quis colocar mais dinheiro no negócio e a capitalização ficou em R$ 106 milhões.
Pelo menos, 70% do dinheiro captado foi do próprio Pátria e seus sócios, que também são cotistas do Special Opportunities I.
E a galera que não quis participar?
Os cotistas que perderam quase todo seu capital reclamam de negligência e falta de transparência por parte do Pátria.
Reclamam, inclusive, de nunca ter sido convocada assembleia para discutir o que acontecia na Tenco e nem a hipótese de recuperação judicial.
O fato é que, no último trimestre, a cota fechou em R$ 5,88, o que representa uma perda 99,4% do capital investido.
Sempre que estiver triste por perder dinheiro, pense “pelo menos não investi no Pátria Special Opportunities I”
TL;DR
1 . O Pátria abriu um FIP para investir na Tenco, operadora de shoppings.
2. A Tenco não conseguiu capital barato e o perfil da dívida consumiu o caixa;
3. Em 2020, com a pandemia e o fechamento dos shoppings, a cota do FIP caiu mais de 99% em relação ao valor inicial.
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Ah, e também não esquece de me seguir, vou falar muito sobre FIIs e o mercado imobiliário por aqui.
Se essa thread bater 300 likes, eu faço outra contando sobre outro fundo polêmico do Pátria.
A história do banco que cresceu rápido demais, ostentou ainda mais — e acabou custando caro ao sistema financeiro.
Essa é a saga de Daniel Vorcaro e do Master.
Uma fábula moderna sobre ambição, luxo, precatórios, STF e... CDBs.
Tudo começa com o inexpressivo Banco Máxima.
Até que, em 2018, surge Daniel Vorcaro: um jovem ambicioso que decidiu transformar o Máxima em Master em 2021.
O resultado? De banco discreto, o Master se tornou símbolo de ostentação.
Vorcaro virou figurinha carimbada das colunas sociais:
festa de debutante de R$ 15 mi, jatinho de R$ 80 mi, mansão de R$ 280 mi em Trancoso, R$ 300 mi investidos no Atlético MG, escritório no m² mais caro de Londres...
Todo investidor já se perguntou qual o número ideal de ativos deveria ter em uma carteira.
Eu li quase 200 páginas de estudos sobre o mercado brasileiro e simulei 30 mil cenários para descobrir esse número.
Nesse fio, eu te conto qual o número de FIIs e ações você deve ter!
A primeira coisa que preciso fazer é definir risco.
Aqui tá fácil. A gente vai considerar o que o mercado considera: risco é a imprevisibilidade de retorno.
Mas como medir essa imprevisibilidade?
Simples. O mais comum é medirmos pelo desvio padrão.
Eu sei, a palavra é feia. Mas o conceito é simples.
É só pensar que o desvio padrão de uma série de retornos nos diz quantos os retornos dentro desse grupo podem variar em relação a média, ou seja, imprevisibilidade.
Há alguns dias, nós da VAROS, alertamos sobre algo sério que está acontecendo no mercado de FIIs.
Fundos estão usando a alavancagem para inflarem os dividendos enquanto corroem o patrimônio dos cotistas.
Após consultarmos entidades e gestoras, chegou a hora de expormos os fatos.
Para ficar mais didático, vamos utilizar o SARE11 como exemplo
Esse FII investe majoritariamente em tijolos, possui uma alavancagem considerável e um dos maiores Dividend Yields dentre os FIIs que investem em tijolos no IFIX.
Porém, ele está corroendo o patrimônio dos cotistas
Em dezembro de 2020, o SARE adquiriu a totalidade das cotas de outro FII, o TM FII, que possuía como Ativo 75% do Condomínio de Lajes WT Morumbi.
Na prática, ao adquirir essas cotas, o SARE adquiriu 75% do WT.