Viu um filme e percebeu já ter visto algo em outro lugar? Relembre aqui como os filmes conversam entre si e com outras artes num recurso cada vez mais usado e interessante – se não for banalizado: as alusões.
Desce aqui e acompanha 🧵👇 Image
Repercutiu tempos atrás a entrevista de Jordan Peele em que ele, eufórico, se diverte ao reconhecer que fez o slide famoso com a moto de Akira em seu novo filme, NOPE como homenagem ao anime. Dennis Petrie chama referências assim de ALUSÕES
A alusão, diferente da citação, não é explicada. Então, você precisa alcançar a referência para entender e assim, ampliar a experiência. Como esse plano de CHILDREN OF MEN em que o Cuarón alude à uma obra, O NASCIMENTO DA VÊNUS, de Botticelli
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Ou a alusão direta que o Cuarón faz, nessa cena, à capa do álbum ANIMALS, do Pink Floyd. A história se passa em 2027, quando o álbum estaria completando, hipoteticamente, 50 anos – foi lançado em 1977
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Ou à maneira como o LARS VON TRIER recria A BARCA DE DANTE, do Delacroix, no final de A CASA QUE JACK CONSTRUIU - filme que eu detesto, mas não é isso que está em discussão aqui. A alusão permite relacionar a ideia do protagonista ver seus crimes como obras de arte
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Apertem os Cintos o Piloto Sumiu é cheio de alusões, desde Tubarão, nos créditos iniciais. Três anos depois do estouro de OS EMBALOS DE SÁBADO Á NOITE, o filme não perde a chance de brincar. Depois dele, a alusão virou figurinha fácil nas comédias e paródias - até demais
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Eu gosto demais da primeira aparição do Homem Aranha no SPIDERMAN de 2002, porque ele também faz uma homenagem a um momento icônico para os modernos filmes de heróis, a primeira aparição do SUPERMAN no clássico filme do Richard Donner, em 1978 Image
Toda a cena da primeira aparição do Spider naquele filme remete à estrutura da primeira aparição do Superman em 78. Das situações até falas dos personagens...
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12 ANOS DE ESCRAVIDÃO não mostra o protagonista vindo para a América num Navio Negreiro. Ele já é americano, e livre. Mas o diretor Steve McQueen dá um jeito de aludir a prisão arbitrária dele à maneira como os negros eram transportados nos porões dos navios negreiros
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DE VOLTA PARA O FUTURO 3 tem uma alusão muito bacana a um dos mais belos momentos do western. Quando Marty McFly chega à Hill Valley no velho oeste o movimento de câmera homenageia o clássico ERA UMA VEZ NO OESTE, do Leone
Aliás, o Zemeckis estava nostálgico: ele também faz uma alusão ao Travis Bickle de DeNiro em Taxi Driver quando faz Marty McFly refazer a icônica cena em que aponta a arma para o espelho e pergunta “Tá falando comigo?”
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E, claro, a alusão que era anunciada desde o início do filme, quando ele “adota” o nome de Clint Eastwood. No duelo final com Mad Dog Tannen ele usa o mesmo expediente do personagem de Clint em Por Um Punhado de Dólares
Até pelo estilo, Kick Ass de Matthew Vaughn não poderia passar sem alusões. Poder dizer "Say Hello to my Little Friend" de Scarface deve ser bom demais
Ah, e claro que DEADPOOL não ficaria de fora: a brincadeira pós-créditos dele ao final do primeiro filme pode ser engraçada pra quem não conhece, mas só faz sentido pra quem conhece CURTINDO A VIDA ADOIDADO
Uma dos tipos de alusão se chama ALUSÃO POR ESTILO - os filmes do DePalma aludindo a marcas estilísticas do Hitchcock - e o Spielberg tem na sua carreira várias alusões a soluções visuais comuns do cinema clássico, algumas delas explícitas, como no final de CAVALO DE GUERRA
O sucesso de STRANGER THINGS aproveita uma ALUSÃO POR ESTILO que está muito ligada ao cinema dos anos 80, época da história, quando muitos filmes de sucesso mostraram crianças como protagonistas - mesmo fórmula que o JJ Abrams usou em SUPER 8


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Existem aquelas alusões por autorreferência (é esse o nome mesmo) dos filmes dentro da própria franquia, como a que acontece nos filmes do Indiana Jones,


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E Bryan Singer reverenciou a primeira edição histórica de Superman, em 1938, aludindo a capa daquela edição em uma cena do seu SUPERMAN RETURNS
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Então, tem alusões que são homenagens. Alusões úteis na narrativa, ou dentro de contextos como em O ÚLTIMO GRANDE HERÓI, que brinca com “ET” na ideia do próprio filme, que alude vários outros brincando com a própria ideia do filme dentro do filme
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Alusões e citações ampliam o significado de um filme ao público que as identifica. O problema, e acontece em MANK, é quando elas são essenciais para entender o filme. Aqui, um neófito no filme de Welles deixa de “pegar” muita coisa Image
Rua do Medo Parte 1 é uma clara alusão às mesmas situações dos filmes de terror dos anos 90, e brinca com os filmes ruins do período e os bons, mas pra muita gente é uma cópia barata, sem ver as referências escrachadas como intenção. Image
Nada disso faz um filme ser bom, mas o intertexto ajuda a tornar o filme uma experiência mais completa quando reconhecido. Alusões são um apoio, a referência atua na experiência e no reconhecimento. É um elemento a mais, ainda que às vezes ele oriente a narrativa Image
Falo disso numa das partes do módulo 3 desse curso online aqui embaixo. Tem muito mais coisas interessantes ali – e materiais extras aos montes – pra você ampliar a maneira como vê seus filmes e séries. Dá uma olhada, se teu interesse é cinema!!
aexperienciadocinema.com.br

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Eu falei que Petrie conceitua alusões, mas são Marland, Hunt e Rawle no livro A Linguagem do Cinema. Petrie é quem categoriza alegorias e simbolismos 😉 Cito eles todos no curso

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Aug 17
80 anos do cara que foi Johnny, Vito, Alfredo, Travis, Jimmy, Michael, Noodle, Al, James, Jack, Sam, Neil Moe, Mendoza, Bill, Eddie, Nick, Frank, Paul, Benjamin e outros.
Robert DeNiro é um monstros do cinema. Separei o melhor da carreira aqui 🧵👇
(ilustração Cristina Polop) Image
Um adendo: DeNiro completa 80 anos, e o IMDB aponta 127 créditos de atuação, de curtas a longas. De maneira geral, se DeNiro começasse a atuar com 0 anos no cinema, ele teria mais de um trabalho por ano. Mas quem foi DeNiro em quase 60 anos de carreira? Image
Foi Johnny Boy em Caminhos Perigosos, filme que abriu as portas do ator a partir de uma aproximação de Scorsese e DePalma, um filme que é uma pedra fundamental na carreira de Scorsese e do próprio DeNiro Image
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Aug 12
Para quem viveu o cinema dos anos 90, hora de lembrar as músicas que saíram da tela para a cultura popular, de regravações a novos hits e até músicas que ninguém lembra que foram feitas para certos filmes.
Se vc viveu essa década, senta, puxa o fone e relembra 👇🧶🎧🎬 Image
Muitas músicas nos anos 90 e 2000 se popularizaram, mas não foram exatamente novas. O Wet Wet Wet regravou uma música do The Troggs, de 67, e foi um sucesso estrondoso, na trilha de “4 Casamentos e um Funeral
Outro exemplo foi IT MUST HAVE BEEN LOVE, de 1987, da banda sueca Roxette, que teve quatro versões diferentes - a que ficou marcada foi a usada usada na trilha sonora de UMA LINDA MULHER, um dos maiores sucessos de bilheteria dos anos 90
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Aug 5
Nenhum gênero, estilo ou sub-gênero teve títulos tão criativos – e mortes tão marcantes – quanto o Giallo. No segundo fio sobre o estilo, é hora de lembrar alguns filmes marcantes do estilo que deu origem ao Slasher (imagem: StudioBinder) 👇🧵 Image
O fio marca também o lançamento do segundo episódio do PCI dedicado ao Giallo, em que eu converso com o @xandecataldo e o @tonyvendramini dois caras que sabem muito mais do assunto do que eu.
Segue abaixo

open.spotify.com/episode/5g2HMX…
Existiram muitos diretores e títulos – e que títulos – mas quatro são destacados pela força das suas filmografias: Mario Bava, Dario Argento, Lucio Fulcci e Sergio Martino. Bava, o “pai” de todos, dá um importante empurrão ao Giallo com OLHOS DIABÓLICOS de 1963 Image
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Jul 29
Já percebeu como aquilo que você NÃO VÊ num filme pode ser tão ou mais importante do que aquilo que o filme te mostra? No fio de hoje, vamos ver porque o que está fora de campo é um recurso tão importante em filmes e séries. E você tem parte nisso... 🧵👇 Image
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THE BEAR é ótimo exemplo do uso de cenário e iluminação pra expressar muita coisa!! (que baita série, aliás)
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Jul 10
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Alan Lee, John Howe, Ted Nasmith e os irmãos Hildebrandt são os chamados "quatro grandes", os mais reconhecidos ilustradores da obra de Tolkien desde os anos 70. Ilustrações como essa, de Lee, são a base da visão de Jackson para os filmes
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