Precisamos falar do meu xará Leonardo Dias, o baiano da Brado Rádio.
Temos mesmo nome e sobrenome. Ambos fomos alunos do COF, o Curso Online de Filosofia do professor Olavo de Carvalho.
Ele é totalmente contra o Bolsonaro e eu sou pró-Bolsonaro, a principal diferença.
Mas existe uma diferença importante: o meu xará teve uma carreira na política no mínimo intrigante. Foi filiado ao PT de 2011 a 2017!
Veja a imagem abaixo e siga o fio!
Leonardo Dias da Brado Rádio foi Secretário Municipal dos Transportes na cidade de Candeias, Bahia, em 2010, e Secretário Municipal de Indústria e Comércio, de 2013 a 2016. Isso pode ser confirmado diretamente no LinkedIn dele.
No entanto, o cargo que ele iria assumir em 2013 era de Secretário de Trânsito. Por que está diferente no LinkedIn dele, eu não sei.
Também é possível ver que se formou pela Universidade Federal da Bahia.
Curiosamente, não é isso o que dizem notícias da época. No site Bocão News, encontramos esse artigo aqui.
Ele foi indicado para ser Secretário de Trânsito de uma prefeitura do MDB que tinha parceria com o PT. Mas a oposição, na época do Republicanos, não gostou muito.
Fato é que ele continuou fazendo parte da política de Candeias. Em 2024, se candidatou a vereador. Está como suplente.
O curioso é estar no mesmo partido, o PL, de Jair Bolsonaro, sendo que fica o tempo todo criticando Bolsonaro e sendo contrário à liderança de Bolsonaro no Brasil.
Ele é um dos que vivem chamando Bolsonaro de frouxo, mesmo que agora seja filiado ao PL e tenha sido oriundo do PT. O pessoal do PL da Bahia não viu isso? Ou o PL da Bahia está comprometido?
Isso vem na esteira da conexão entre membros da Brado Rádio e o PL, algo que o Eduardo Bolsonaro elucidou nessa thread abaixo:
A saída do meu xará Leonardo Dias do PT se deu em 2017. Nesse período, Leonardo Dias estava estudando no COF. Será que foi o COF que o resgatou, ou ele percebeu que o PT era perda total na época?
Ou será que ele foi instado pelo PT para fazer um trabalho de infiltração, algo meio KGB?
São perguntas que ainda não tenho a resposta.
Em 2018, o professor Olavo confundiu os Leonardo Dias. Ele me marcou em um link que o meu xará havia enviado para ele no Facebook. Desde então há confusão entre o meu perfil e o perfil dele, apesar do meu perfil ser mais antigo e o @ ser diferente.
Hoje o discurso do meu xará Leonardo Dias da Brado Rádio, na minha opinião, mais ajuda a esquerda do que a direita.
Fica chamando Bolsonaro de frouxo toda hora, faz programa com outros intergalácticos e adota um cinismo sobre o maior líder da direita.
Os fatos são esses colocados acima, com links, fotos e prints. Naturalmente retirei informações adicionais de documentos, data de nascimento etc, mas antes disso, eu confirmei de que se tratam de dados da mesma pessoa.
A tentativa dele de se aproximar de personagens da direita brasileira é evidente. Não podemos nos esquecer dessa foto recente, no qual ele aparece ao lado do Trezoitão e do Nikolas. É óbvio que ele quer estar próximo de "alternativas" da direita.
O Nikolas pode ser inocente nisso, mas certamente pode se beneficiar de mais informações como essa para entender os riscos de cada aproximação, é claro.
Enfim, fica a dúvida: o Leonardo Dias da Brado Rádio se converteu em direita ou se infiltrou na direita?
Se você deixou de me seguir porque confundiu os perfis, lembre-se: siga @leonardodias.
Até a próxima!
BÔNUS: ele não teve nem vergonha, na sua campanha, de se colocar como "vereador de direita" na mesma cidade em que foi secretário municipal pelo PT. Ele fez um enorme gaslighting nesse vídeo de campanha abaixo, já que contou que o pessoal não lembraria desse detalhe.
Assista:
BÔNUS 2: Consultando dados que estão disponíveis publicamente no site da candidatura, emiti o histórico abaixo diretamente no site do TSE. O QR Code abaixo serve para validar que é um documento oficial. Os dados de documentos, naturalmente, não serão publicados, apenas o nome, a filiação e a validação.
Detalhe que está desatualizado no TSE, não incluíram o PL ainda nesse histórico. Mas ele começa no Cidadania, migra para o PT, depois União Brasil e, finalmente, PL.
BÔNUS 3: Existem 3 pessoas com o exato mesmo nome e nomes de pai e mãe em Candeias, na Bahia. Isso faz sentido para vocês?
Título de eleitor final 0507, Leonardo Dias Santos, mesmos nomes de pai e mãe que estão disponíveis aqui, nas certidões do site do TSE. Esse é o título que aparece na certidão do PT.
Buscando o nome do pai e mãe dele, é possível encontrá-los no site do TSE abaixo, indo nas certidões estaduais, bem como o aniversário dele:
Curiosamente, quando usamos o mesmo nome de pai e mãe para o título abaixo, também obtemos outro certificado, só com o PL. Final 0523.
Para consultar, você precisa OBRIGATORIAMENTE colocar nome de mãe e de pai, além de aniversário para fazer a consulta.
Enfim, vocês acham que é possível termos 2 títulos de eleitor, com números diferentes, mas mesmos nomes, exatamente iguais, com a mesma data de nascimento e mesmos nomes de pai e mãe?
Vejam no link abaixo que você precisa ter nome completo, nome da mãe completo, nome do pai completo e data de nascimento:
Lembrando que tudo o que estou postando aqui estou passando também para todos os meus advogados para referência, controle e documentação.
Com tantas informações iguais, me parece óbvio que se trata da mesma pessoa. Como podem ter tanta coisa igual? Faz sentido para vocês?
Podem validar os QR Codes das duas imagens. No meu caso mostro aí tudo para vocês verem e validar. Postem prints da validação dos QR Codes.
Grato.
BÔNUS 4: vídeos de campanha do xará Leonardo Dias pelo partido PPS, outro partido de esquerda, atual Cidadania. Ué, mas o título com o histórico do PT e do Cidadania estavam errados? Ou esses vídeos seriam montagens?
BÔNUS 5: A sala na comunidade Verdades que devem ser ditas em que fizemos a entrevista com Leonardo Dias Santos sobre o seu histórico e sua vida pública como político, desde sua passagem pelo PPS e sua vida com o PT em fotos. Veja os comentários da sala.
ATLASINTEL 06/2026: A TESOURA DO VOTO FOI INVERTIDA
Toda semana, uma pesquisa na mesa de operação. Hoje, a AtlasIntel/Bloomberg de junho, a que mais deu o que falar.
Tem um número nela que não fecha com nenhuma outra pesquisa do país.
Na Atlas, Flávio Bolsonaro tem 43,5% entre MULHERES e só 29,1% entre HOMENS. Uma vantagem de +14,4 pontos entre elas.
Isso é o oposto de tudo. Datafolha, Nexus e Quaest, todas de junho, mostram Flávio forte entre homens e fraco entre mulheres.
A Atlas inverteu a tesoura.
E não para aí. A pesquisa trocou de registro no meio do caminho, no rastro da crise Michelle-Flávio. Escondeu blocos inteiros do questionário. Fez o “não sei” quase sumir. E colocou um partido que mal existe na frente do PP e do União Brasil.
Auditei o relatório, o questionário, a DRE, a declaração do estatístico e o registro no TSE. Cruzei com PNAD, TSE Eleitorado e as três pesquisas concorrentes.
O veredito é o mais interessante de todos: a pesquisa está contaminada. Mas não é inútil.
Te desafio a desfiar este fio!
Auditoria séria começa pelo que está certo. E a Atlas acertou coisas que pesam.
Primeiro, a ordem do questionário. O voto presidencial (1º e 2º turno) vem ANTES da bateria sobre Michelle, Banco Master/Jaques Wagner e Trump/tarifas. Isso protege o topo de linha do voto de contaminação direta por esses temas. Nem toda pesquisa faz isso.
Segundo, a calibragem de sexo e região. A amostra tem 52,3% de mulheres e distribuição regional quase idêntica ao TSE Eleitorado Atual. Sudeste 41,4 x 42,1; Nordeste 28,5 x 27,6. Nada torto aqui.
Terceiro, o tamanho: 4.999 casos dão base para cruzamentos que pesquisas de 2.000 não sustentam.
Quarto, a transparência documental: DRE, questionário completo, declaração do estatístico e registro no TSE vieram anexados. Dá para conferir.
Ou seja: não é caso de gritar “fraude”. É caso de bisturi. E o bisturi encontra muita coisa. Vamos a ela.
Auditoria começa por bater papel com papel. E aqui os papéis não batem.
Em 28/06 já circulava notícia citando uma Atlas registrada sob o número BR-03448/2026, com 5 mil eleitores. Mas a pesquisa que foi efetivamente divulgada saiu sob OUTRO registro: BR-04582/2026. Este já trazendo um bloco de perguntas sobre Michelle Bolsonaro, aplicado depois do vídeo da crise familiar.
O estatístico e metodólogo Raphael Nishimura registrou o movimento: aparentemente o registro anterior foi cancelado e substituído para incluir as perguntas sobre Michelle. E, detalhe grave, a pesquisa anterior JÁ ESTAVA EM CAMPO, com gente respondendo.
Some a isso as diferenças finas entre o registro e o PDF:
• O TSE marca início de campo em 25/06; o relatório público diz 26/06.
• O registro declara 5.000 entrevistas; o relatório publica 4.999.
Nenhum desses pontos, sozinho, derruba a pesquisa. Um caso a menos não muda nada. Mas trocar de registro no rastro de uma crise, com campo já rodando, exige explicação pública. Isso é procedência do dado: o alicerce de tudo.
Toda semana, uma pesquisa na mesa de operação. Hoje, o Datafolha de junho.
A manchete que circulou foi “Lula 47 x 43 sobre Flávio no 2º turno”. Lido como liderança. Mas tem um problema técnico que muda tudo: a margem de erro de ±2 que o Datafolha divulga vale para CADA número isolado, não para a distância entre os dois.
A conta certa, o erro da DIFERENÇA entre dois candidatos, é quase o dobro: ±4,1 pontos. O gap observado é 4. Ou seja: ao nível de 95%, não dá para afirmar que Lula está na frente.
É empate técnico.
E isso é só o começo.
Quando a renda da amostra é recalibrada à PNAD, a vantagem de Lula some por completo.
Auditei o relatório, o questionário e o anexo de bairros.
Refiz a margem com o efeito de desenho real, reconstruí a transferência de votos e achei perguntas aplicadas que nunca foram publicadas, inclusive sobre o próprio Flávio.
Siga o fio e entenda o que a mídia que divulga pesquisas não te conta. 🧵
Auditoria séria começa pelo que está certo. E o Datafolha acertou coisas importantes.
Primeiro: a ordem do questionário. O voto presidencial (espontâneo, estimulado, rejeição e 2º turno) é perguntado LOGO NO INÍCIO, antes da bateria sobre Trump, facções, economia e ideologia.
Isso protege o top-line de voto do priming direto desses temas. Protegeria, se a pesquisa anterior não servisse para a construção de narrativas que afetam a próxima pesquisa.
A Atlas, por exemplo, não fez isso tão bem.
Segundo: a calibragem demográfica. Sexo, região e escolaridade da amostra batem com o TSE (eleitorado) e a PNAD (IBGE). Não é amostra torta de qualquer jeito.
Terceiro: o anexo de bairros. O Datafolha publicou onde as entrevistas aconteceram, setor a setor. A maioria dos institutos não abre isso.
Então não é o caso de gritar “fraude”. O problema é outro: excesso de certeza na manchete e falta de transparência no método. Vamos ao bisturi.
Aqui está o erro de leitura que vira manchete enganosa.
A margem de erro de ±2 pontos que o Datafolha divulga vale para cada estimativa SOZINHA: o 47 de Lula, o 43 de Flávio. Ela NÃO mede a distância entre os dois.
Quando você quer saber se um candidato está REALMENTE à frente do outro, a conta certa é o erro da diferença. E para dois candidatos da mesma amostra ele é quase o dobro:
EP(L−F) = raiz de [(0,47+0,43−(0,04)²)/2004] ≈ 2,12 pontos.
Margem de 95% sobre a diferença ≈ ±4,15 pontos.
O gap observado é 4,0. Menor que a margem da diferença. Ou seja: o intervalo de confiança de Lula e o de Flávio se SOBREPÕEM. Estatisticamente, não dá para afirmar que um está na frente do outro.
“Lula 47 x 43” deveria ser noticiado como “Lula e Flávio empatados tecnicamente, com leve vantagem nominal de Lula”.
E isso é antes de corrigir o desenho da amostra, o que só piora para o lado da incerteza.
Toda pesquisa eleitoral tem um contratante. Esta tem dois donos.
Em 15 de junho, a manchete chegou pronta: BTG/Nexus, Lula 49 x 43 sobre Flávio no 2º turno. Pesquisa paga pelo Banco BTG Pactual, R$ 164.888,89, nota fiscal 290, registro TSE BR-06645/2026.
Fui ler a nota fiscal inteira. E no campo de e-mail do instituto que assinou a pesquisa estava escrito o que muda a leitura de tudo: juridico@fsb.com.br.
A Nexus não é um instituto solto e independente. É o braço de pesquisa da FSB Holding.
A mesma FSB de comunicação que mantém contrato de publicidade com o governo federal. O CNPJ dela, 11.077.560/0001-60, está registrado também como "Instituto FSB Pesquisa".
Ou seja: o número que diz que Lula ganha foi produzido por uma empresa do grupo que vende propaganda para o governo Lula, e foi pago por um banco que tem a sua própria conta a acertar com o Planalto.
Isso não significa que a pesquisa seja fraude. Significa que ela não caiu do céu, neutra, sem ninguém com interesse no resultado.
Auditei as 116 páginas, refiz a margem com o efeito de desenho real, reconstruí a transferência de votos candidato a candidato e fui atrás de quem é quem nesse triângulo: governo, agência e banco.
Te desafio é desfiar o fio!
Vou começar pelo elogio, porque ele é verdadeiro e porque torna a crítica mais grave depois.
A Nexus fez o melhor desenho de questionário do ciclo até agora. A intenção de voto foi perguntada cedo: perfil, interesse, voto espontâneo, 1º turno, certeza, 2º turno, potencial e rejeição.
Só depois vêm o governo, a economia, as facções, o tarifaço e a dívida.
Isso importa. Significa que a foto principal, Lula 42 x 33 no 1º turno, 49 x 43 no 2º, foi tirada antes do entrevistado ser aquecido pelos temas quentes. A crítica honesta aqui NÃO é "contaminaram o voto". Não contaminaram.
Segundo: publicaram 116 páginas. Acima da média brasileira, que costuma soltar duas laudas de manchete e esconder o resto.
Terceiro: a renda familiar declarada (40% até 2 SM, 20% acima de 5 SM) está surpreendentemente perto da PNADC anual local.
Para padrão de pesquisa eleitoral, é bom.
Guardem esse elogio. Porque tudo que vem a seguir, a margem de vitrine, a série com cartões trocados, a pergunta enviesada do tarifaço e, principalmente, quem é o dono do instituto, é mais sério justamente porque foi feito por gente competente.
Incompetente erra. Competente escolhe.
A pesquisa estampa margem de ±2 ponto percentual.
Esse número supõe um mundo mais limpo do que aquele em que a pesquisa foi feita: telefonema por número sorteado (RDD), com cotas e ponderação.
Quando você sorteia, cotaliza e pondera, a variância sobe.
O nome técnico disso é efeito de desenho (deff).
A Nexus não publica o deff nem o tamanho efetivo da amostra, então a auditoria precisa refazer a conta.
Em amostra aleatória simples, n=2.017 dá ±2,18, não ±2,00.
Com deff entre 1,5 e 2,0, a margem nacional vai para algo entre ±2,7 e ±3,1.
E tem um detalhe que quase ninguém conta.
Quando você compara dois candidatos, as duas incertezas se somam: a margem da DIFERENÇA é sempre maior que a de cada um.
A vantagem observada é +6 (Lula 49, Flávio 43).
O intervalo dessa diferença, com deff 2,0, tem piso em +0,1 ponto.
Quase encostando no zero.
Tradução: a liderança existe e é a maior da série.
Mas chamar de "abriu 6 e acabou" é estatística de vitrine.
E nos recortes piora: religião, renda e região têm subamostras pequenas, com margem real de ±6 a ±8.
Toda tabela cruzada deveria vir com o n efetivo ao lado.
Entre os dias 5 e 8 de junho, entrevistadores bateram em 2.004 portas de 120 municípios brasileiros. Fizeram 106 perguntas dentro de cada casa. Sobre voto, sobre o governo, sobre imposto de renda, sobre o Banco Master, sobre Trump, sobre facções, sobre Pix, sobre bets.
Quem pagou a conta foi um banco. R$ 433.255,92, nota fiscal número 353, contratante Banco Genial. Dá R$ 216 por porta batida. No dia 10, o país recebeu a manchete: Lula 39, Flávio 29. Ponto final, eleição encerrada, podem ir para casa. Eu não fui para casa. Fui ler o registro no TSE, a pesquisa BR-07661/2026, assinada pela estatística Margarida Maria de Mendonça, CONRE 6731.
Fui ler o questionário inteiro, as 106 perguntas, uma por uma. Cruzei a amostra com o TSE e com a PNAD, refiz a margem de erro com o desenho amostral real, reponderei a renda, montei o balanço de transferência do segundo turno.
E descobri duas coisas.
Primeira: a Quaest fez o melhor trabalho de campo do ciclo, e vou dizer isso com todas as letras.
Segunda: as perguntas mais explosivas do questionário, se Bolsonaro deveria trocar Flávio e o que acontece se Trump o apoiar, foram feitas, registradas, pagas. E nunca publicadas.
Alguém sabe essas respostas. Você não.
Siga o fio!
CRÉDITO ONDE É DEVIDO
Primeiro, o elogio. E ele é sincero, porque auditoria que só desce o porrete não é auditoria, é militância com planilha.
O campo da Quaest é o melhor que eu vi neste ciclo, e olha que já dissequei Datafolha e AtlasIntel. Datafolha aborda gente em ponto de fluxo, na rua, na pressa. Atlas recruta pela internet. A Quaest fez o que manual manda e quase ninguém paga para fazer: sorteou municípios por probabilidade proporcional ao tamanho, sorteou setores censitários dentro deles, bateu na porta do domicílio, gravou áudio, conferiu 30% das entrevistas por gravação e checou georreferenciamento. É a diferença entre fotografar a rua, fotografar a internet e entrar na casa do eleitor.
E o resultado aparece. Cruzei a amostra com o cadastro do TSE de maio de 2026, eleitorado real, excluído o exterior: mulheres 53,0 na Quaest contra 52,8 no TSE. Jovens de 16 a 34: 31,0 contra 31,4. Idosos: 23,0 contra 23,3. Escolaridade contra a PNADC trimestral: 41/40/19 contra 41,1/39,6/19,3. Quase ao decimal, em todas as linhas.
Isso não acontece por sorte. Acontece quando alguém faz o trabalho.
E é exatamente por isso que o que vem a seguir nesta thread é grave. Quem acerta o decimal na demografia não erra por descuido no resto. Erra por escolha.
O que a pesquisa mediu, antes de qualquer interpretação minha.
Primeiro turno estimulado, com a lista de nomes na mão do entrevistador: Lula 39, Flávio Bolsonaro 29. Segundo turno simulado: Lula 44, Flávio 38. Até aqui, a manchete que você leu.
Agora o número que a manchete pulou. Na pergunta espontânea, a Q8 do questionário, quando o entrevistador cala a boca e o eleitor responde sem ver lista nenhuma, Lula tem 23, Flávio tem 17.
E 56% não sabem em quem votar.
Cinquenta e seis por cento. Mais da metade do país ainda não decidiu a eleição que o noticiário já deu por decidida quatro meses antes do primeiro turno.
E tem mais fundo nesse retrato. O mesmo levantamento mostra o governo com 47 de aprovação contra 48 de desaprovação e avaliação negativa de 38 superando a positiva de 34. Ou seja: um presidente eleitoralmente forte sentado sobre um governo socialmente reprovado. Historicamente, essa combinação não envelhece bem.
A fotografia é legítima, o campo foi bem feito, os números são esses. Minha briga não é com a foto. É com a moldura, com a legenda e, principalmente, com as partes da foto que cortaram antes de mostrar para você. Vamos a elas.
Algumas informações importantes que levantei sobre a última pesquisa Datafolha.
Siga o fio!
1) O arquivo de entrevistas bairros e cidades fala que as entrevistas foram feitas nos dias 13 e 14 de maio:
2) A amostragem de renda da Folha está trazendo um número muito maior de pessoas na faixa até 2 SM e um número muito menor de pessoas na faixa de mais de 5 SM (salários mínimos). Ou seja, estaria acrescentando um viés provável pró-Lula. Flávio poderia estar MUITO acima do Lula nesse exato momento, pois se mesmo entrevistando mais um grupo que favorece mais o Lula do que a média da população, ainda assim aparecem empatados no 2o turno, com rejeição bem maior para o Lula.
3) Fazendo o cálculo de probabilidade (não temos reporte do resultado com faixas de renda para reponderar), estimamos que Lula poderia ter 1.6 p.p a menos e Flávio entre 2.8 e 3.3 p.p a mais.
4) Em SP, de novo privilegiando bairros como Pinheiros e Perdizes, tradicionalmente esquerdistas. Santana está mais à direita, mas outros bairros de periferia são todos mais esquerdistas.
5) Curiosidade: Jair aparece com 3% na espontânea ainda. Sinal de que a perseguição não funcionou tanto assim.
6) Rejeição de Lula bem maior que a de Flávio, 4 pontos de diferença. Isso com uma amostra mais enviesada do ponto de vista de renda.
7) O questionário tem várias perguntas que a Folha ainda não publicou, mas que vão gerar outras matérias e relatórios sendo enviados para partidos de esquerda, porque até o momento não encontrei muitas das informações perguntadas.
Mais perguntas que ainda vão gerar matérias nos próximos dias.
Interessante, percebam: estão levantando informação para saber quem o público gostaria para um ministro do STF. Similar às ideias das ONGs do Soros de colocar minista negra no STF? Analisar os questionários das pesquisas é sempre prever o futuro.
Várias perguntas que ainda não vimos nenhum tipo de número, como vocês podem ver nas imagens abaixo.
Estamos vendo os mesmos erros de pesquisas de 2022, principalmente a falta de transparência, se repetindo em 2026.