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Fábio Palácio Profile picture Shirlóca Profile picture 2 added to My Authors
16 Jul
Muitos se perguntam como alguém pode apoiar um remédio sem eficácia. Para quê? A verdade é que essa indústria movimenta muito dinheiro. E eu acompanho grupos de negacionistas há pelo menos um ano para entender como ganham dinheiro com esse modelo de negócios.
Como o negacionista empreendedor ganha dinheiro:

1) Conquista a sua audiência com argumentos de autoridade. Não é raro ver médicos formados em excelentes universidades, defendendo tratamentos ineficazes (na maioria dos casos, conscientes do erro).
2) Conquista as pessoas pelo medo e pela escassez. Temos uma pandemia em curso e poucos médicos que defendem tratamentos ineficazes. Automaticamente, se ele passa a defender, ele é um profissional escasso.
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5 Jul
Não existe protocolo 100% seguro. Ana Maria testou positivo hoje (provavelmente em um teste rápido de antígeno), mas disse que estava sentindo uma "gripinha" desde quinta-feira. Ou seja, pode ter infectado toda a produção de quinta e sexta.
g1.globo.com/pop-arte/notic…
Na sexta-feira, ela conversou com o ator Alexandre Borges, cara a cara. Se você está com sintomas, fique em casa, mesmo se o teste der negativo. Teste de antígeno ou mesmo o PCR podem falhar, principalmente se a carga viral for baixa.

gshow.globo.com/programas/mais…
A sensibilidade do teste de antígeno, mesmo se acima de 90%, é em relação ao PCR, que apesar da sua sensibilidade analítica ser próxima dos 100%, tem sensibilidade clínica próxima dos 70%. Em outras palavras, PCR e antígeno, podem dar falso-negativo. Não existe protocolo seguro.
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23 Jun
Acho que sendo mais transparente. Sabíamos que uma vacina com eficácia de 50% teria que ser aplicada em mais de 90% da população para segurar a epidemia. Isso considerando que ela impede a transmissão (o que não sabemos). Ressaltar as limitações de cada vacina é ser responsável.
Antes de mais nada, destaco que mesmo uma vacina com 40-60% de eficácia tem o seu valor, pois trata-se de redução de riscos de casos, internações e óbitos. Cada vida importa. Quando não se tem doses suficientes, uma estratégia usando uma vacina 50% eficaz é válida.
O problema é que a eficácia é apenas um dado científico que depende da taxa de transmissão do vírus. Para um vírus controlado, com baixa circulação e taxa de transmissão, uma vacina com 40% de eficácia é suficiente. Em uma pandemia disseminada, não é.
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21 Jun
Recebo esse tipo de pergunta o tempo todo. Infelizmente, não tenho como responder a todos porque são centenas por dia. Mas mostra que ainda tem MUITA gente desinformada por aí e quem precisava ajudar, não está ajudando. Image
Notícias antigas ressoando novamente... Image
De repente, vídeos antigos começaram a receber MUITAS views de gente que estava escondida (eles tinham sumido por algum tempo). Alguma coisa fez furar a bolha e estimular esse levante. São CENTENAS de comentários similares Image
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11 Jun
O presidente consegue causar mal de duas formas:
1. inflama seus apoiadores pra não usarem máscara
2. (O que é ainda pior) compartilha uma informação falsa de que a máscara só evita um infectado de transmitir o vírus, mas não protege quem não está infectado.
Sabemos que máscaras protegem de duas formas: (1) de inalar aerossóis e gotículas e (2) de emitir partículas no ar. Quem está infectado, não sabe que está transmitindo, muitas vezes. Esse é o problema da COVID que fez a doença espalhar. Ela espalha antes dos sintomas.
Vai fazer teste pra saber quem está infectado, antes dos sintomas? Não... não usamos essa estratégia. Então, continue usando sua máscara. É o melhor que podemos fazer.
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5 Jun
Teorias da conspiração sobre a origem do coronavírus ganhando tração de novo. Eu acho importantíssimo você que se interessa de verdade por esse assunto ler o relatório técnico da OMS descrevendo os resultados das investigações.
Houve extensa pesquisa epidemiológica e genômica apontando para as origens naturais do vírus, a partir de morcegos ou de algum animal intermediário para o ser humano. O vírus que circulou em Wuhan já não era apenas de um "tipo": já haviam pequenas mutações +
sugerindo múltiplas fontes iniciais ou mesmo um período prévio de circulação silenciosa - potencialmente fora de Wuhan. Se tivesse escapado de um laboratório, você teria que rastrear apenas uma fonte inicial, com poucas mutações.
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26 Apr
Parem de achar que a Anvisa reprovou a Sputnik por uma decisão política. Os critérios de reprovação estão claros, diferente dos dados que temos sobre ela. "Ah mas 65 países aprovaram..."

Os dados não são claros, essas agências podem ter recebido dados distintos dos nossos.
Além disso, o maior problema na minha opinião foi a detecção de adenovírus replicante nos lotes que a Anvisa avaliou: significa que falhou o processo de produção. Liberar uma vacina com esse problema é um risco sanitário. Anvisa corretíssima.
Adenovírus é o vírus que carregaria o gene do coronavírus pra dentro do seu corpo. Esse vírus deveria estar inativado. Mas não está. E pode causar doença (adenovirose - resfriado e alguns outros problemas). Você tomaria uma vacina nessas condições?
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26 Apr
O surto de COVID na Índia e a provável diminuição das exportações de vacinas me faz pensar o quanto o Brasil poderia ser soberano nessa área e não é.
Ser soberano em produção de vacinas significa ser capaz de sustentar a própria demanda e ainda ser líder mundial em capacidades tecnológicas e de exportação. Nós deixamos essa soberania para trás, quando decidimos ter políticas de governo e não de estado.
Em 2004, com o surgimento da Lei de Inovação Brasileira (muito atrasada por sinal), houve um primeiro suspiro para que empresas e universidades colaborassem para a criação de verdadeiros parques tecnológicos. Lembrem-se: Universidade não é indústria, ela produz conhecimento.
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2 Apr
Olha pessoal, eu cheguei no meu limite. Comecei a ficar mal de verdade com a pandemia. Tentei dar uma segurada por causa do papel de comunicador científico, mas ficar segurando informação preocupado com a saúde mental de quem me ouve, em troca da minha+
tem sido bem ruim. Só essa semana, eu tive quatro conhecidos ou parentes de amigos precisando de leito de UTI em Belo Horizonte. E não tem vaga. A fila aqui na cidade tá em mais de 200 pessoas. Na UPA do meu bairro tem dois corpos acumulados no sol (passou até no jornal)+
É muito provável que já tenhamos uma variante que escapa de vacinas circulando e o Brasil ainda não detectou. Acabaram de pegar uma variante provavelmente da linhagem P1 com mutações da sul-africana, que diminui a eficácia da vacina de Oxford. E nós estamos brincando de lockdown
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28 Mar
Vou resumir pra vocês pq imagino que poucos lerão e isso é muito importante. Se continuarmos do jeito que está, com isolamento meia boca, vamos dobrar o número de óbitos diários em questão de 4 semanas. A curva é exponencial e está partindo de 2500 óbitos diários
Existe um risco IMINENTE, dada a aceleração do contágio e a aceleração da vacinação, de selecionarmos uma variante que escape das vacinas oxford e coronavac. NÃO É ATOA que países europeus se fecharam durante a vacinação. Se isso acontecer, pode colocar mais 1 ano em casa
Por favor, vamos cobrar urgentemente uma posição do Ministério da Saúde. Precisamos fechar o país como um todo por no mínimo 15 dias. Essa dívida é muito menor do que as mortes que vão acontecer se a bomba estourar
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2 Jan
Eu errei. No vídeo que eu fiz sobre a nova variante do coronavírus há 10 dias, eu não a considerei um potencial perigo. Para mim, era apenas mais uma variante carregada de sensacionalismo. Aqui vai porque mudei de ideia.

theatlantic.com/science/archiv…
A B.1.1.7, nova variante do SARS-CoV-2 possui mutações na proteína spike que foram associadas à maior infectividade em células e modelos animais. Ademais, ela possui deleções no gene S que estavam gerando resultados negativos em testes de PCR cujo um dos alvos era esse gene+
Para compensar essas possíveis variações, é por isso que os testes de PCR amplificam duas ou três partes do genoma. Mas o que aconteceu com a B 1.1.7 foi que ela estava dando negativo para o gene S e positivo para os dois oitros alvos em alguns testes
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22 Sep 20
Não sei se a hipótese da imunidade cruzada se sustenta. Acredito estarmos diante de uma correlação espúria. Segue o fio com os meus argumentos:
1- A queda na mobilidade humana afetou significativamente a dispersão de DENV pelas cidades. Quem transmite o vírus é o mosquito, mas quem leva de um bairro a outro? Isso mesmo, pessoas. Que durante os meses de tendência epidêmica, se trancaram em casa.
nature.com/articles/s4159…
2- Onde a incidência de dengue era maior nas primeiras semanas de surto de COVID, provavelmente houve maior queda de mobilidade causada pelos próprios sintomas da dengue, além da ordem de isolamento social. Pessoas com dengue tendem a sair menos.
journals.plos.org/plosntds/artic…
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15 Sep 20
Mano, hoje eu senti o poder das FAKE NEWS. Fui na @LeroyMerlinBRA do Minas Shopping comprar uma resistência pro meu chuveiro e na porta estavam medindo a temperatura no pulso. Fui encorajado a pedir pro funcionário medir na testa, conforme alguns de vocês recomendaram
Falei pro rapaz: "Pode medir na testa". Aí ele respondeu: "Não, a medição é no pulso". Aí eu falei: "Não, o aparelho foi calibrado pra medição na testa". Aí fui hostilizado, o cara respondeu: "Se você quiser entrar, vai ser no pulso são ordens"
E eu insisti que a medição do aparelho correta é na testa. No pulso você tem variações que podem chegar a 1ºC. E o cara falou "Ah, então reclama lá com o gerente, porque medindo na testa, você não entra".
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8 Sep 20
Vacina de Oxford colocada em quarentena. Um voluntário teve efeitos adversos graves e pararam o estudo pra avaliar se foi a vacina. É normal acontecer em testes clínicos, mas vista a urgência, essa notícia vai abalar os noticiários hoje e amanhã statnews.com/2020/09/08/ast…
Pararam a aplicação de novas doses*. É comum em fase 3, com tanta gente envolvida, alguém apresentar um efeito grave. Precisamos estudar as razões, mas nem divulgaram qual foi o efeito ainda. Atualizações eu coloco nesse fio.
Um familiar anônimo do voluntário informou que ele apresentou mielite transversa, um inflamação da medula espinhal. Essa condição pode ser disparada por infecções virais e é muito rara
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4 Sep 20
Tentei impulsionar uma publicação no Instagram do @olaciencia falando que "tomar vacina não é uma decisão individual" e divulgando a ciência por trás das vacinas e da imunidade coletiva.

Resultado: NEGADO porque explora temas sociais e políticos CONTROVERSOS Image
Agora, ME EXPLICA: o que de CONTROVERSO tem em divulgar ciência com base em EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS? Até pra divulgar conteúdo sério, nem pagando! Parabéns Brasil, parabéns eleitores e parabéns @facebookbrasil
Já que o Instagram não ajuda, aqui vai a tirinha pra quem ficou curioso: ImageImageImageImage
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3 Jul 20
Nessa semana, o Alexandre Garcia fez uma live em que participaram médicos que defendem o uso da ivermectina, cloroquina e azitromicina para tratar COVID. Eles apresentaram várias evidências, nós analisamos uma a uma e fizemos um vídeo resposta
As evidências apresentadas pelos médicos não passam de meras observações mal planejadas. P. ex.: um deles deu ivermectina para 290 pessoas em um quarteirão e comparou com os quarteirões do lado, em que ninguém recebeu a substância. No quarteirão onde tomaram ivermectina...
ninguém ficou doente, enquanto nos outros, sim. Parece lindo! Mas o médico pode ter sofrido do Efeito Hawthorne, quando a pessoa que sabe que está sendo testada, passa a produzir o efeito esperado (se protege mais e não pega COVID). Fora que pode haver viés de seleção +
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3 Jul 20
Otávio, excelente trabalho! Thread mostrando como as medidas de fechamento mais intenso que BH tomou no dia 18 de março suprimiram o avanço da COVID-19 na capital. Há uma maneira de fazer uma correlação do avanço da curva com o nível de isolamento social da cidade +
O isolamento foi máximo na semana do dia 22/03 e atingiu 48,43% caindo progressivamente. A reabertura gradual do comércio não parece ter tido efeito direto nos níveis de isolamento, pois a taxa de queda se manteve. Ele já era baixo, o que fez a curva de casos subir. Image
Essa semana, o prefeito decretou novamente o fechamento "total", voltando à situação de 22/03. Porém, a taxa de isolamento não chegou aos níveis daquele mês. Receio que não será suficiente para suprimir a curva desta vez. Por isso, se fala muito em "lockdown" aqui em Minas
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25 Jun 20
Há problemas graves na narrativa dessa reportagem que induzem o leitor ao erro. A reportagem afirma que 70% das causas de mortes por SRAG em Minas não têm causa definida e secretaria admite falha em testes. Mas não é bem assim. g1.globo.com/google/amp/mg/…
Das 2220 mortes, eles afirmam que 1570 ficou sem diagnóstico. O problema é que esse trecho dá a entender que elas não foram testadas, quando, na verdade, todos os óbitos (ou pelo menos, mais de 90% de acordo com dados do SIVEP-Gripe) foram e deram negativo.e Image
Esses 1570 sem diagnóstico é a soma dos testados e negativos mais os não colhidos. Ali embaixo, mais uma vez, "997 mortes não tiveram diagnóstico definido" significa que foram testadas e deram negativo! Image
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24 Jun 20
Se parece com a COVID, mas não se espalha como COVID. Ataca todos os estados, incluindo aqueles que estão fazendo testes. Essa SRAG não é COVID e eu volto a explicar o porquê, desta vez com dados, mostrando a má interpretação dos jornalistas
A SRAG não cresce como uma epidemia. Após o aumento abrupto nas semanas 11 e 12, fruto de mudanças nas diretrizes de notificação de síndromes respiratórias que agora passaram a ser suspeitas de covid e precisavam ser notificadas, a SRAG se mantém estável em MG. Image
A queda de SRAG no gráfico anterior se deve a atraso em testes, pela baixa testagem de MG, o que realmente é um problema. Mas mesmo em SP, a SRAG também estabiliza, diferente do que aconteceria se ela fosse COVID mal diagnosticada. E SP faz muito teste hein! Image
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20 Jun 20
Estava avaliando e cruzando os dados de SRAG do MonitoraCovid-19 da Fiocruz, que retira dados do Infogripe e os dados do OpenDataSus e vi um problema grave no primeiro.
O Monitora COVID dá a entender que os óbitos por SRAG são em sua maioria COVID (ali estou analisando pra MG) e que, portanto, a grande maioria das SRAGs não especificadas também seriam.o Image
O problema é que cruzando as informações das duas bases de dados, percebi que o Monitora COVID não considera no gráfico aquelas SRAG não especificada, o que nos leva a crer que praticamente toda a SRAG é COVID, quando não é.
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9 Jun 20
Um artigo publicado na @NEJM alerta para o perigo da falsa sensação de que tá tudo bem quando um teste de PCR dá negativo. Um valor provável de sensibilidade hoje está na casa dos 70%. Significa que 30 de cada 100 pessoas negativas, vão se sentir seguras, quando não estão.
O mesmo artigo cita outros trabalhos que demonstraram sensibilidade na casa dos 40%, provavelmente por problemas nas coletas (acertar o local de maior carga viral é difícil)
Como não temos um teste padrão com alta sensibilidade e especificidade para SARS-COV-2, a validação da maioria dos testes está sendo feita com controles positivos (amostras em que se sabe que possuem o vírus) e isso pode estar falsamente elevando a sensibilidade declarada
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