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Devemos imprimir moeda para pagar a conta da crise? Henrique Meirelles disse que sim. Amoêdo disse que não. Economistas divergem. Eis o debate mais inútil de todos os tempos. Quer entender o pq? Explico neste fio em 17 passos. Segue o fio... 1/17
Imprimir dinheiro é um termo sem sentido macroeconômico. Quem lê isso imagina enormes impressoras trabalhando sem parar. Já os economistas austríacos do YouTube imaginam o Estado raspando e adulterando moedinhas de ouro, desvalorizando o dinheiro. Nada disso faz sentido... 2/17
Já economistas um pouco mais rigorosos dizem que o governo se financia com tributos ou se endividando com o setor privado. Como a arrecadação está em queda e o setor privado s/ dinheiro para emprestar (precisando de ajuda do Estado), talvez o governo tenha que emitir moeda 3/17
E esses economistas também estão equivocados. É um raciocínio melhor que os que imaginam enormes impressoras ou dos austríacos que acham que ainda vivemos em uma padrão ouro, mas mesmo assim é algo vem impreciso. Então o que significa essa coisa de imprimir ou emitir moeda? 4/17
Não caia da cadeira, mas só há uma forma do governo financiar seus gastos: criando dinheiro novo! Peço um pouco de paciência, pois isso é pouco intuitivo e até economistas têm dificuldade de entender. Abaixo, descrevo como se dá essa criação de dinheiro de acordo com a MMT 5/17
O governo (tesouro) tem uma conta no Banco Central chamada de Conta Única (CUT). Quando o governo realiza um gasto, seja para pagar o bolsa família ou juros para rentista, simplesmente manda o Banco Central realizar um débito na CUT e digitar o valor na conta de algum banco 6/17
Este processo cria dinheiro novo na economia. A tributação faz o inverso: destrói o dinheiro anteriormente criado (crédito na CUT e débito na conta do banco). Se a criação de dinheiro (gastos) for maior que a destruição (tributos) isso expande a base monetária... 7/17
E a expansão da base monetária vai impactar na taxa de juros básica da economia que vigora no mercado de reservas bancárias. O gasto deficitário e a consequente expansão das reservas empurra a tx de juros no mercado interbancário para baixo! (pensou que era o oposto, né?) 8/17
Porém, no Br, o Banco Central é obrigado a fazer essa taxa de juros convergir para a tx. Selic determinada pelo Copom. Por isso, o BC entra em cena, enxugando o excesso de reservas através de operações compromissadas realizadas com os bancos (vende título e destrói moeda) 09/17
Os bancos sempre estarão interessados em trocar seu excesso de moeda que não rende juros por títulos que rendem e o BC conseguirá aproximar a tx do interbancário à tx determinada pelo COPOM. 10/17
É assim que o governo realiza seus gastos todo dia, com ou sem crise, com ou sem déficit: criando dinheiro novo e enxugando as reservas se for necessário. Portanto, não há lógica no debate sobre impressão ou emissão de dinheiro na crise. É isso que o governo já faz. 11/17
Alguns mais espertinhos dirão que o saldo da CUT não é infinito e chegará o momento que o governo terá que recorrer a empréstimos junto ao setor privado no mercado primário que poderá não "emprestar ao governo. Não é bem assim...12/17
1) Há um grande saldo na CUT de R$ 1,36 trilhão, 18,6% do PIB. 2) Mas e em uma situação improvável do saldo da CUT despencar e o setor privado não querer comprar títulos públicos no setor privado (algo bem estranho, já que em crises o mercado corre para título público) ? 13/17
Aqui tem duas hipóteses: (i) o Tesouro simplesmente vende um título para o BC (mas para isso precisamos de uma permissão via PEC, que suspenda o §1º do art 164 da Constituição) ou (ii) Caixa Econômica (CEF) compra um título do tesouro e imediatamente vende ao Banco Central..14/17
Nesta operação entre BC , Caixa e Tesouro haverá uma triangulação que permitirá a compra indireta de um título do Tesouro pelo BC sem necessidade de mudança da regra constitucional. Enfim, o fio já está ficando longo, para concluir: 15/17
A União se financia criando dinheiro do nada. As operações compromissadas de venda de títulos não são para financiar o Estado, mas sim para alcançar a tx. de juros definida no Copom e tributos destroem reservas criadas pelos gastos 16/17
Portanto, se a União cria dinheiro do nada, o limite para os gastos públicos é a escassez real da economia em ofertar bens e serviços. Gastos acima deste ponto podem ser inflacionários. Espero que tenha ficado claro como o debate sobre emissão de moeda é sem sentido. 17/17
@goescarlos , aqui tem o resumo do básico da MMT. Se puder comentar e demonstrar os erros, agradeço.
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