Mostramos no #RedaçãoSporTV um quadro com expectativas e realidades de clubes de futebol em termos de orçamento. Para você que não assistiu ao programa ou não conseguiu prestar atenção nos detalhes, aqui está. Vou aproveitar para recapitular algumas coisas em um fio rápido. 👇🏻
Fases/posições foram orçadas pelos departamentos financeiros dos clubes, ok? Não por mim. Como tivemos acesso? Em alguns orçamentos, elas estão explícitas. Nos que não estavam, procurei cada diretor/gerente para confirmar quais eram as projeções para cumprir as metas estipuladas.
Só pra lembrar: orçamento é aquela projeção que se faz antes de a temporada começar – de preferência, né? – sobre receitas e despesas. Quanto vai arrecadar, quanto vai gastar. Essas projeções esportivas são necessárias porque as receitas hoje são todas variáveis. Meritocráticas.
O orçamento é uma lista de pretensões? Não é. Dirigentes de cada um desses clubes adorariam ser campeões de tudo. É importante lembrar disso para não interpretar equivocadamente o quadro ou criticá-los à toa. As projeções mostram necessidades e frustrações em termos financeiros.
Cada torcedor vai identificar a realidade de seu clube, então, para encurtar, vou me concentrar aqui em dois exemplos antagônicos. Grêmio e Internacional. Associações tão parecidas em suas características, ao mesmo tempo tão diferentes nas práticas administrativas e financeiras.
O que o Grêmio fez? Orçou para 2020 apenas fases em que já estaria de qualquer jeito. Fase de grupos da Libertadores, oitavas de final da Copa do Brasil. No Campeonato Brasileiro, será difícil ficar abaixo do 8º lugar. A diretoria de Romildo Bolzan Júnior foi muito conservadora.
É difícil montar um orçamento conservador porque clube de futebol sofre pressão de torcida e mídia por reforços, investimentos, gastos elevados. A direção do Grêmio teve coragem. Qual é a vantagem agora? Ao superar projeções, "sobra" dinheiro em relação àquilo que era aguardado.
O Internacional fez diferente. Marcelo Medeiros – que elevou gastos até mesmo na Série B, podemos lembrar – queria de qualquer jeito manter despesas elevadas. Então a diretoria dele projetou que chegaria em semifinal de Copa do Brasil, quartas de Libertadores, 4º no Brasileiro.
Agora que a realidade bateu à porta, com eliminações em fases anteriores às esperadas, faltará grana para arcar com despesas. Ou vende jogador, ou procura crédito, tipo empréstimo em banco. Provavelmente, as duas coisas. Sem contar que o contexto da pandemia complica ainda mais.
Alguns clubes assumiram riscos e têm recursos ao alcance. Especialmente aqueles com elencos qualificados, categorias de base com "produção" confiável de bons atletas e tal. Outros não têm solução fácil. Que seria legal ter um futebol brasileiro mais consciente, não tenho dúvida.

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17 Nov
Algumas promessas em tempos de eleição desafiam a inteligência da gente. Leven Siano, candidato à presidência do Vasco, afirma que conseguiu linhas de crédito que, juntas, somariam R$ 5 bilhões. Vou repetir o que acabei de dizer no #RedaçãoSporTV: isto é conversa de lunático. 👇🏻
Quando você pensa em crédito, precisa considerar duas coisas importantes: juros e garantias. Vamos refletir um pouco. Se o Vasco pegasse R$ 5 bilhões emprestados, pagaria anualmente em juros uma quantia maior do que a própria receita do clube. Faz sentido? Não faz. Mas segue.
Não há tampouco garantias para que o Vasco pegue R$ 5 bilhões emprestados. Mesmo que algum maluco no planeta topasse emprestar tal quantia por tudo o que o clube tem, a soma de jogadores, contratos e estádio – tudo! – não chega a R$ 5 bilhões. Então, amigos, isto não existe.
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23 Oct
A notícia de que o Cruzeiro entrou em acordo com a PGFN para renegociar dívidas com o governo tem muitas implicações. Inclusive para outros clubes e torcedores. Muita coisa ainda vou apurar para textos e podcasts, mas deixa eu soltar umas pílulas aqui pra você já se ligar. 👇🏻
Primeiro: transação tributária. Anote essas duas palavras. Bolsonaro permitiu que clubes de futebol, grandes devedores de impostos, usem esta ferramenta para obter descontos e alongar prazos. Quem quiser aderir tem até 31 de dezembro para fazê-lo. Outros clubes certamente farão.
Segundo: o Profut já era. À medida que a transação tributária foi aberta para renegociar dívidas, não fará sentido para dirigentes obedecer às regras "chatas" do refinanciamento anterior. O futebol brasileiro, como o país, vive de Refis. O sistema perpetua a irresponsabilidade.
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6 Oct
Pra você que perdeu o #RedaçãoSporTV, mostro números sobre transferências de atletas em 2020. No Brasil, temos o pior de dois mundos. Ao mesmo tempo em que a desvalorização do real nos afasta ainda mais da aquisição de jogadores de 1ª linha, temos arrecadado menos. Se liga. 👇🏻
Primeiro, o contexto. Vamos falar de compras e vendas de jogadores entre clubes brasileiros e estrangeiros, então precisamos lembrar que o câmbio disparou. O real é uma das moedas que mais se desvaloriza no mundo em 2020. Lembra da época em que o euro valia quatro reais? Já era.
Não sou a pessoa mais indicada para explicar por que nosso câmbio foi para o buraco em 2020, mas existe aí uma combinação de crise e estratégia do governo em relação à balança comercial. Real desvalorizado favorece exportação de produtos brasileiros. Também impacta no futebol.
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15 Sep
Marcelo Barreto me perguntou no #RedaçãoSporTV se o Grêmio conseguiria pagar Cavani, tentei responder com base no que sabemos das finanças tricolores e em valores especulados na imprensa. Logo, logo publicarei um texto, mas deixa eu repetir minhas palavras a respeito por aqui. 👇
Não faz muito tempo, a imprensa portuguesa publicou valores pedidos por Cavani ao Benfica. Seriam € 10 milhões líquidos. Se multiplicarmos por seis para colocar em reais, teríamos R$ 60 milhões. Depois dobramos este valor por causa de encargos, impostos etc. R$ 120 milhões, ok?
No 1º semestre de 2020, o Grêmio gastou com folha do futebol (salários, direitos de imagem, direitos de arena, gratificações etc) um total de R$ 85 milhões. Isso na soma de todos os jogadores, da comissão técnica, tudo. Por aí você percebe que o custo do Cavani é gigantesco.
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31 Jul
A coluna do @carlosemansur no @JornalOGlobo nesta sexta é, para variar, texto para enquadrar ou virar manual de redação. A imprensa frequentemente usa esses termos para se referir à derrota de um "grande": vergonha, vexame, humilhação. E o Mansur tem toda razão quando diz que...
Vergonha é um clube como o Botafogo ter quatro meses de salários atrasados a funcionários, que pedem socorro publicamente porque não têm o básico no meio da pandemia, enquanto jogadores estrangeiros são contratados para que dirigentes façam graça nas redes sociais e na imprensa.
Vergonha é um clube como o Atlético-MG tirar um técnico de uma seleção nacional, como fez com Dudamel e a Venezuela, para depois demiti-lo com um mês de trabalho. Desrespeito ao profissional, péssima conduta da diretoria, vergonha para todo o mercado do futebol brasileiro.
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11 Apr
No meio da pandemia, para manter a sanidade, a gente acaba optando entre a alienação de certos fatos corriqueiros ou uma constante crise de ansiedade e estresse com tudo o que estamos vivendo. Há pouco o @IrlanSimoes me mandou uma notícia deprimente. Vou compartilhar com vocês.
Lúcia Dantas Abrantes, médica, seguiu nas últimas semanas a cartilha obscura que infelizmente parte dos nossos governantes espalha. Duvidou do coronavírus, atacou a imprensa, comparou equivocadamente mortes de Covid-19 com H1N1, divulgou carreata que defendia o fim da quarentena.
Hoje esta médica Lúcia Dantas Abrantes, 66 anos, morreu com Covid-19. Ela ficou internada na UTI por mais de dez dias. Não resistiu à infecção pulmonar decorrente do coronavírus. Ela ainda não foi contabilizada como uma das mortes no Ceará – até agora 67.

g1.globo.com/ce/ceara/notic…
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