Ao contrário de outros, não vou revelar o meu sentido de voto. Apenas os dilemas que o guiam. Acredito que a economia social de mercado que merecemos pressupõe uma economia de mercado mais forte que a que temos agora. Mais aberta e competitiva. /1
Acredito no Estado democrático e social de Direito. Mas a democracia é incompatível com nepotismo e compadrio na esfera pública; e o Estado de Direito exige que procuremos *sempre* o *máximo possível* de escrutínio, responsabilização, transparência e limitação do poder./2
Uma cultura política que preze verdadeiramente o Estado de Direito não mina a autoridade do sistema de justiça ou a imprensa livre, por mais que isso possa atrair o voto fácil./3
Por fim - tal como referi antes - acredito no Estado social. Para mim, a proteção contra a aleatoriedade cruel da vida - que faz uns nascerem em desvantagem e outros sofrer azares na saúde e emprego - é um princípio sagrado. É precisamente por ser tão sagrado que não consigo.../4
... apoiar ninguém que se empole em promessas de defesa do Estado social contra os seus inimigos, reais ou imaginados, como cheques em branco para legitimar estilos de governação duvidosos e deslegitimar críticas a essa governação como vozes dos "inimigos dos pobres"./5
Estas premissas são tão básicas que podem parecer banais. Mas a verdade é que nenhum dos partidos que concorrem nestas eleições me satisfaz perfeitamente, em pleno e simultâneo, no que diz respeito à sua promoção do Estado (1) democrático (2) social (3) de Direito. Dito isto.../6
... uma última premissa, também banal. Temos problemas estruturais - institucionais, económicos e sociais - que nos perseguem há muito. Desde antes da pandemia, da Troika ou do €. Votarei, por isso, no projeto que, não sendo o ideal, me parece mais ambicioso e reformista. Fim
Talvez duas adendas.

Uma para dizer que me estou a borrifar para touradas.

Outra para fazer um apelo a que não nos diabolizemos neste período pré-eleitoral que - parece-me - está a ser especialmente virulento. Conheço boa gente, e competente, em partidos em que nunca votarei.

• • •

Missing some Tweet in this thread? You can try to force a refresh
 

Keep Current with Filipe Brito Bastos

Filipe Brito Bastos Profile picture

Stay in touch and get notified when new unrolls are available from this author!

Read all threads

This Thread may be Removed Anytime!

PDF

Twitter may remove this content at anytime! Save it as PDF for later use!

Try unrolling a thread yourself!

how to unroll video
  1. Follow @ThreadReaderApp to mention us!

  2. From a Twitter thread mention us with a keyword "unroll"
@threadreaderapp unroll

Practice here first or read more on our help page!

More from @F_Brito_Bastos

Jan 13
Já antes critiquei a nossa cultura burocrática por ser opaca e críptica. Retomando o tema, gostaria de acrescentar hoje que, a meu ver, essa cultura é classista e, nos casos mais extremos, chega a roçar a discriminação indireta em razão da instrução proibida pelo art 13º CRP.🧵/1
Como digo, já antes exprimi a minha frustração com comunicações em textos longos, técnicos e formais. Sem inteligibilidade das exigências e funcionamento das nossas instituições, não sabemos como as navegar ou planear a nossa vida. Somos menos livres. /2
Estou em isolamento profilático há mais de uma semana (contacto de risco seguido de infeção). Leio as mensagens que recebi do Ministério da Saúde. Nenhuma me esclarece questões essenciais. Tento informar-me no site. É ainda pior. Serei eu iletrado? Ou o problema não é meu? /3
Read 11 tweets
Jan 8
Chegamos àquela altura do ano em que instigo jovens colegas portugueses - de direito ou ciências sociais - a candidatarem-se ao programa de doutoramento do Instituto Universitário Europeu de Florença. Foi uma das melhores decisões da minha vida. Uma breve 🧵de prós e contras. /1
Começarei pelo único real contra. Durante 4 anos vivi um perigoso e saudoso ciclo vicioso: enquanto estava em Itália quis sempre aproveitar bem a sua gastronomia; quando voltava para Portugal, de férias, esforçava-me ao máximo para matar saudades da gastronomia portuguesa. /2
(A sério. É diabólico para portugueses, deste ponto de vista. Mas também espetacular, pelas mesmas razões)
Read 10 tweets
Sep 16, 2021
Not an international lawyer but many of the concerns stated in this thoughtful post (if only for expressing an unpopular but principled opinion) apply to other areas of law. I don't think "apolitical neutrality of the law vs academic legal activism" is the right angle, though🧵/1
It is the angle many QTs and comments post are taking. There is no doubt that the search for scientific truth in legal doctrine can't be equated with 'hard' sciences with more broadly accepted "truth criteria" and, in that sense, pure objectivity is never possible. Moreover... /2
Pure objectivity can never be achieved either because all interpreters approach the law with a bunch of implicit, often unconscious, "background assumptions"/preconceptions about what the rules are for, and the real-world nature of the object of those rules. That said, ... /3
Read 14 tweets
Aug 5, 2021
Preocupa-me qualquer enfraquecimento de mecanismos de escrutínio do poder - porque noutros países isso facilitou rapidamente o seu abuso. Nos anos da Troika, também me afligiu a deslegitimação normalizada do TC. Dito isso, é absurda a tese de Portugal como ditadura socialista.1/3
A experiência húngara e polaca é um aviso para nós (e para qualquer outra democracia). Já o disse antes. Não por causa de questões de direitos humanos. Mas apenas porque ilustram como é fácil o poder ser abusado assim que lhe erodimos os feios e o confiamos a "homens fortes".2/3
Defender as nossas instituições não é causa de esquerda vs direita. Quero uma república soberana capaz de realizar políticas de esquerda ou direita consoante a maioria, mas sempre sob escrutínio eficaz. Ter essa preocupação não tem nada a ver com trivializar a tirania. 3/3
Read 4 tweets
Aug 12, 2020
Não sendo politólogo, suspeito que há algo para se dizer sobre se André Ventura será o nosso Geert Wilders. Eis porquê: /1
1) Tal como Wilders, Ventura começa a carreira política num grande partido de centro-direita: Wilders no Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD); Ventura no PSD.
2) Lá, ambos são promovidos por figuras de topo do partido (Bolkestein e Passos Coelho) /2
3) Em retrospetiva, compreende-se em ambos os partidos que essa promoção foi um erro de discernimento.
4) Como Wilders, Ventura apercebe-se ainda dentro do partido original que há um nicho eleitoral por explorar na xenofobia (Wilders contra muçulmanos, Ventura contra ciganos)/3
Read 8 tweets

Did Thread Reader help you today?

Support us! We are indie developers!


This site is made by just two indie developers on a laptop doing marketing, support and development! Read more about the story.

Become a Premium Member ($3/month or $30/year) and get exclusive features!

Become Premium

Too expensive? Make a small donation by buying us coffee ($5) or help with server cost ($10)

Donate via Paypal

Or Donate anonymously using crypto!

Ethereum

0xfe58350B80634f60Fa6Dc149a72b4DFbc17D341E copy

Bitcoin

3ATGMxNzCUFzxpMCHL5sWSt4DVtS8UqXpi copy

Thank you for your support!

Follow Us on Twitter!

:(