🐠🫀Cientistas constroem "peixe" biohíbrido feito de células cardíacas humanas
Segue o fio para entender!🧶
Primeiro de tudo vamos esclarecer que de peixe aí só temos o formato e a inspiração para o movimento.
Ele é feito de cardiomiócitos, ou seja, células do coração que foram cultivadas em laboratório a partir de células-tronco humanas
E também tem alguns componentes artificiais. Mas o que dá o movimento, totalmente autônomo, são as células. Neste sentido é um biohíbrido.
Lembrem-se que o coração é um músculo e suas células tem a capacidade de contração
Então, o peixe artificial nada recriando as contrações musculares de um coração bombeando.
"E pra que isso", você deve estar se perguntando...
Desenvolver em laboratório um coração que possa substituir o de quem tem problemas intratáveis sem depender de um doador é um projeto ambicioso e de longo prazo.
São muitas etapas e é provável que ainda levemos algumas gerações para isso.
Até lá muita coisa precisa ser estudada, investigada, testada...
Kit Parker, autor principal deste trabalho que foi publicado na Science, explica por que criar o modelo de peixe híbrido:
"A maior parte do trabalho na construção de tecidos cardíacos ou corações, incluindo alguns trabalhos que fizemos, está focado em replicar as características anatômicas ou imitar o simples batimento do coração nos tecidos projetados...
Mas aqui estamos nos inspirando no design da biofísica do coração, que é o mais difícil de fazer. Em vez de usar imagens, identificamos os princípios biofísicos que fazem o coração funcionar. Replicando-os num sistema como um peixe nadando é mais fácil ver se se deu certo"
O peixe tem 2 camadas de células musculares, uma de cada lado da barbatana. Quando um lado se contrai, o outro estica. Esse estiramento desencadeia a abertura de um canal de proteína sensível ao movimento, que causa uma contração, que desencadeia um estiramento e assim por diante
Isso forma um sistema de circuito fechado que pode impulsionar o peixe por mais de 100 dias!
Eles também projetaram um nó de estimulação autônomo, como um marcapasso, que controla a frequência e o ritmo dessas contrações espontâneas.
Eu achei fantástico. Desenvolvimento científico é assim, tem muita pesquisa de conceito e experimentação antes de chegarmos a algo mais prático.
E pode ter certeza que cada etapa desse estudo gerou conhecimentos que podem ser usados por outros pesquisadores em outras aplicações!
Dois gráficos que mostram a explosão da onda ômicron no Brasil.
Veja e leia os próximos tuítes 👇
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Mas se parece que todo mundo vai pegar, por que me preocupar? Não é bem assim.
"Se você agir como se todo mundo fosse pegar ômicron de qualquer forma, você vai pegar ômicron. Se você tomar precauções e tentar o seu melhor para não pegar ômicron, você pode não pegar...👇
🐠Ta achando a vida do seu peixinho aí no aquário meio entediante? Você pode levá-lo para passear...
Ou ENSINÁ-LO A DIRIGIR, como fizeram estes cientistas 👇🧵
Pesquisadores da Universidade Ben-Gurion de Negev, em Israel, direcionaram as habilidades de navegação de um peixinho dourado para fazer ele conduzir um veículo robótico em direção a um alvo em terra seca para receber comida de recompensa!
A ideia do estudo era investigar se a representação do espaço e mecanismos de navegação são dependentes da espécie, sistema ecológico, estruturas cerebrais ou se compartilham propriedades mais universais.
Os resultados foram favoráveis à hipótese duma característica universal!
Ontem, uma colega me perguntou qual a parte mais difícil do trabalho de comunicação de ciência na pandemia. E todo dia fica mais claro para mim que é comunicar incerteza.
Conviver com incerteza não é fácil em nenhum âmbito da vida, é natural que o público queira respostas...👇
Todo mundo quer que a pandemia acabe, com data e hora previstas. Todo mundo quer saber a exata porcentagem de proteção que um regime de vacina lhe conferiu.
Nem preciso dizer que não é assim que funciona, mas mesmo sabendo disso, a gente ainda quer informações exatas+
Mesmo não podendo fornecer estas certezas, o que a gente quer, como comunidade da ciência (e de quem fala dela, como eu) é poder informar um pouco as decisões das pessoas na pandemia com a melhor evidência que se tem até o momento.
A ômicron, por infectar tanta gente, pode trazer imunidade coletiva? Pode. Mas só a ela mesma.
A própria nos mostrou como o vírus foi capaz de mutar a ponto de não ser reconhecido logo de cara no organismo de quem contraiu outras versões e até parte de quem foi vacinado. Porém👇
...não ser reconhecido logo de cara, e conseguir infectar a pessoa, não implica em que o organismo não ativará sua imunidade memorizada quanto às outras versões do vírus. E agir a partir daí.
É por isso que a vacina e, em parte, a imunidade por infecção, não serão inúteis+
...na nossa defesa para outras versões do vírus. Esse é um caminho possível. E otimista. Mas há outros cenários, com surgimento de variantes que consigam escapar ainda mais, e tenham como fazer estragos maiores.
Esse é meu maior medo para o futuro. A próxima variante+