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Estou acompanhando de longe a discussão aqui no tuíter sobre renda fixa x renda variável. Sou amigo do @hbredda e tenho certeza de que ele sabe tudo o que vou dizer abaixo, mas claramente uma boa parte de seus seguidores não sabe. Segue uma pequena defesa da “renda fixa”:
Quando se fala em renda fixa, muitas pessoas pensam no CDI, que grosso modo é uma taxa de um empréstimo específico com duração de um dia. Usando o termo clássico da literatura de finanças, o DI é a taxa livre de riscos da nossa moeda, o Real.
Entre profissionais, no entanto, o termo investidor ou trader de renda fixa tem um significado bem diferente. Trata-se da pessoa que negocia instrumentos de renda fixa: títulos públicos, títulos indexados à inflação e derivativos de taxas de juros.
Tanto no Brasil como no mundo, os mercados de instrumentos de renda fixa são muito maiores que os mercados de renda variável, tanto em termos de volume como em termos de risco.
Mas se é renda fixa, como pode o risco ser maior? Porque qualquer instrumento de renda fixa com duração maior que um dia tem seu preço afetado pela expectativa de como os juros se comportarão no futuro (além de outros fatores mais complicados).
Dessa forma, da mesma maneira que o @hbredda, quando não está tomando Heineken na praia, passa seus dias estudando empresas e tentando adivinhar o valor delas, muitos profissionais passam o dia estudando economias +
+ e tentando entender se o caminho das taxas de juros embutido nos preços faz sentido. E vários são bastante bem sucedidos nessa empreitada, donde se conclui que:
Injustiça #1 – várias respostas ao post do @hbredda são alguma variação do tema “nunca vi ninguém ficando rico com CDI”. Bredda e LAPB são excelentes investidores ATIVOS em bolsa e sua performance deveria ser comparada com excelentes investidores ATIVOS em renda fixa.
O CDI é, como disse, a atual taxa livre de riscos do mercado brasileiro. Mas será que deveria ser o benchmark correto para investidores em renda fixa? Em outros países, índices de renda fixa são bastante utilizados como benchmark.
Da mesma forma que o Ibovespa é um índice de ações, com pesos proporcionais ao tamanho das empresas, os índices de renda fixa são uma carteira de títulos com peso proporcional ao tamanho dos títulos.
Um exemplo de índice de renda fixa é o Bloomberg Barclays US Aggregate Bond Index. Há mais de $ 1.2 trilhões (!!!) de ativos no mundo que tem como benchmark esse índice.
en.wikipedia.org/wiki/Bloomberg…
Índices de renda fixa não são só coisa de país desenvolvido. Na África do Sul, por exemplo, toda indústria de fundos locais tem como benchmark o ALBI (All Bond Index). jse.co.za/services/marke…
O @hbredda tem razão quando afirma que a comparação deve ser feita no maior horizonte possível, mas o fato é que instrumentos de renda fixa com duração longa são algo recente no Brasil, o que torna a comparação bem difícil.
A nossa curva de juros, em todo caso, desde que existe é das mais inclinadas do mundo, o que faz o investidor em CDI em geral perder uma bela oportunidade. Dessa forma:
Injustiça #2 – a melhor comparação com um investimento passivo em uma carteira diversificada de ações seria com uma carteira diversificada de títulos.
Uma outra questão importante é que, no período analisado pelo @hbredda, o Brasil passou por momentos de taxa de juros reais negativas. O período de 1994 para cá, por outro lado, foi um período quase que constante de juros reais muito altos.
Mais ainda, depois da introdução das NTN-Bs, foi possível ao investidor travar esses juros reais por muitos anos.
Dessa forma, o investidor teve que, muitas vezes, enfrentar um dilema interessante: o que fazer se os juros reais de longo prazo são maiores que o ganho real médio histórico de se investir no Ibovespa? O que me leva à:
Injustiça #3 – mesmo que você acredite que no longo prazo renda variável ganha de renda fixa, nem sempre você deveria investir em renda variável. Qual a variável relevante? Um sempre ganhar do outro ou o alfa histórico de ações vs o que a renda física está oferecendo no momento?
Por fim, uma última observação. Uma das respostas falava em viés de seleção do Ibovespa e acho que o @hbredda foi perfeito nessa. Para o investidor no índice, o viés de seleção não importa.
Mas há outro viés de seleção muito mais relevante para os seguidores do @hbredda. Os casos de sucesso de investimento em ações são muito mais contados que os de fracasso. E o fracasso pode ser retumbante.
Injustiça #4 – “Já vi muita gente ficar rica com ações, mas nunca vi ninguém ficar rico de verdade com CDI”. Pois eu já vi muita gente ficar pobre com ações. Devendo dinheiro. E é muito triste. Muito cuidado, galera. Para cada @hbredda há dezenas de pessoas que perderam as tudo.
Espero ter contribuido.
Abs
@strauss_real
Porta-voz da Associação Brasileira de Renda Fixa
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