Todo gol no futebol é cheio de detalhes. O gol do São Paulo contra o Flamengo no domingo foi decidido por um detalhe pequeno, mas crucial: uma olhadela para o lado no momento errado.
Gustavo Henrique acabou perdendo Arboleda de vista e, quando achou, era tarde demais.
Essa, inclusive, é uma dificuldade antiga do zagueiro — ponto que ele trabalhou e melhorou nos últimos meses, mas às vezes ainda perde a referência.
Muita gente vem perguntando qual sistema de marcação é melhor nos escanteios: individual ou por zona?
Apesar de pessoalmente preferir sistemas por zona, acho que as duas têm vantagens e desvantagens. Não tem gabarito não.
Mas a marcação individual pode potencializar esse problema específico, já que ali ele precisa manter a atenção sempre dividida entre a batida e o jogador a ser marcado.
Não me parece que Arboleta tenha esperado a virada de pescoço para começar a correr, mas é natural que ambos os movimentos aconteçam justamente logo antes da batida.
Nesse caso, foi absurdamente sincronizado e GH simplesmente perdeu Arboleda no lance.
E, claro, se todo mundo marca individual, qualquer erro é fatal.
Um ponto a ser observado e debatido, já que os primeiros jogos de Renato Gaúcho no comando do Flamengo foram praticamente perfeitos, mas o time sofreu um pouco nas bolas paradas.
Nesse último jogo, foram quatro escanteios para o tricolor paulista, sendo que só um foi cortado para fora da área sem maiores problemas.
Como falei na live com o @obrunopet, GH é bom nas disputas pelo alto, mas acaba perdendo a referência algumas vezes. Essa e outras características (como Diego Alves não costumar sair do gol) favoreceriam um outro sistema de marcação.
Porém, é importante dizer que o Flamengo ainda vive um momento de transição. Quando JJ chegou implementando um sistema puramente por zona, foi um caos no começo.
Ainda não dá pra dizer que o sistema não vai funcionar, mas já dá pra dizer que a transição está sendo difícil.
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Hernán Crespo disse que o resultado não refletiu exatamente o que foi o jogo. Sejam sinceros… Em parte, ele está certo. Mas apenas em parte...
Afinal, o Flamengo fez cinco gols: três bolas paradas, um chutaço de fora da área e um gol contra.
E quantas vezes a gente não ouviu que “o time estava bem, mas aí tomou um gol de bola parada” como se esse momento fosse “à parte”, quase fora do jogo de futebol?
É verdade que o futebol permite que um time jogue mal, fique acuado e marque um gol do nada. É a tal “bola vadia”. E é verdade que muitas vezes ela toma a forma de uma bola parada, um chutaço de fora da área ou um gol contra.
Há quase dez anos, meu trabalho principal é com financiamento coletivo. Vivi de dar cursos, palestrar e criar conteúdos sobre isso.
A gente sempre usou muitos exemplos para ilustrar os pontos e há uns cinco anos passamos a falar sempre de uma campanha...
Era uma campanha pequena, nada histórico naquele ecossistema borbulhante do crowdfunding. Mas era a essência do que aquele movimento representava pra gente: pessoas comuns de vários lugares se juntando para ajudar uma menina que andava de skate vestida de fada no Maranhão.
A meta foi batida, o dinheiro foi arrecadado, Rayssa foi pro campeonato, ganhou a categoria infantil e, nesse meio tempo, aquele vídeo chamado "Rayssa Leal num heelflip irado" viralizou.
O Flamengo tomou um gol absolutamente bizarro ontem. O tipo de erro que poderia custar caro.
Para além do erro final — o passe para trás e a cavadinha do goleiro —, que vai repercutir e gerar discussões, acho importante olhar um erro anterior...
Está tudo no vídeo... Depois de roubar a bola, o Fla usou Diego Alves para ganhar tempo e se organizar. A partir dali, usou um passe por dentro para abrir espaço e atrair a marcação. Tudo perfeito no primeiro momento, até que decidiu repetir o movimento.
O erro final é impossível de justificar. Mesmo com a escolha ruim no segundo momento da saída, dava para ter se livrado da situação sem levar gol. Foi uma jogada simplesmente bizarra, que tem a ver com foco e concentração — e ainda bem que o time não sofreu muito depois.
O Flamengo garantiu a vitória por 1x0 na Argentina e trouxe a vantagem na Libertadores para o jogo em casa. Dever cumprido na estreia do técnico Renato Gaúcho.
Ainda é muito cedo para avaliar profundamente o trabalho, mas podemos começar a formular algumas perguntas.
Qualquer análise deve partir do contexto. Renato Gaúcho não encontrou no Flamengo uma situação muito favortável logo de cara.
Jogar na Argentina já é difícil, o DyJ é um adversário bem treinado e Beccacece conhece o Fla — foi o responsável pela eliminação na temporada passada.
Além disso, o time estava desfalcado e vem em um momento ruim — tanto em termos de desempenho quando de resultado.
Com tudo isso, a vitória foi enorme e não deve ser subestimada. Pelo contrário, precisa ser muito celebrada!
"Fiquei fora das redes sociais por alguns dias para passar um tempo com a minha família e refletir sobre as últimas semanas. Esta mensagem não será capaz de demonstrar como sou grato por todo o amor que recebi. Sinto que preciso agradecer todo mundo que me apoiou.
"Foi uma HONRA fazer parte de um elenco que lidera pelo exemplo. São irmãos para a vida toda. Me sinto grato por tudo que aprendi com cada um dos jogadores e funcionários que trabalharam tão duro.