O Flamengo tomou um gol absolutamente bizarro ontem. O tipo de erro que poderia custar caro.
Para além do erro final — o passe para trás e a cavadinha do goleiro —, que vai repercutir e gerar discussões, acho importante olhar um erro anterior...
Está tudo no vídeo... Depois de roubar a bola, o Fla usou Diego Alves para ganhar tempo e se organizar. A partir dali, usou um passe por dentro para abrir espaço e atrair a marcação. Tudo perfeito no primeiro momento, até que decidiu repetir o movimento.
O erro final é impossível de justificar. Mesmo com a escolha ruim no segundo momento da saída, dava para ter se livrado da situação sem levar gol. Foi uma jogada simplesmente bizarra, que tem a ver com foco e concentração — e ainda bem que o time não sofreu muito depois.
É justamente por isso que a gente precisa separar um erro pontual de um erro de concepção. Depois dessa pataquada, o coração de todo rubro-negro veio à boca em cada recuo...
O comentarista chegou a dizer que "se o goleiro tem dificuldades com os pés, não se recua para ele!"
Mas não é o caso — pelo menos no geral. Diego Alves costuma ser bom com os pés. E vem sendo cada vez melhor.
Hoje em dia, recuar para o goleiro não é apenas uma opção de desespero, um último recurso — muito menos uma frescura. É uma maneira de ganhar superioridade na saída para iniciar as jogadas de forma limpa.
Há uma estatística muito interessante sobre o BR21 até aqui. Cada vez que um time sobe em bloco para pressionar o rival, o @InStatFootball considera uma ação de "pressing".
Por incrível que pareça, o Flamengo é o time mais pressionado do campeonato!
É óbvio que isso não ocorre porque os outros times vêm de peito aberto para cima do Flamengo. Pelo contrário, quase todo mundo vem na retranca.
Esse número é reflexo de outra coisa. O Flamengo é justamente o time que melhor manipula a marcação adversária, induzindo a iniciar movimentos de pressão, mas já com saídas programadas...
E esse é, inclusive, um dos maiores méritos do Flamengo atual.
É por isso que, apesar de ser o que mais recebe subidas na marcação-pressão, o Flamengo é o time que mais anula a marcação-pressão dos adversários, conseguindo sair de forma limpa. É também o segundo time com menor proporção de bolas perdidas no próprio campo.
O gol de ontem não é reflexo de "um time que dá muito toquinho para trás" ou de "uma saída que iria dar problema a qualquer momento".
Inclusive, o Flamengo fez muito bem a saída no primeiro movimento.
O problema é que, depois de fazer tudo certo, houve essa decisão errada aqui.
E, claro, tudo que veio depois dessa decisão. Movimentos que foram condicionados por ela, mas não foram impostos por ela. De novo: dava para se livrar do problema.
E aí é muito mais erro individual do que sistêmico, mais de execução do que da ideia em si.
O vídeo foi editado com o software da @11OnceSport. Ficou legal, né? Me diz aí o que achou... Pode ser que comece uma parceria em breve...
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O Flamengo garantiu a vitória por 1x0 na Argentina e trouxe a vantagem na Libertadores para o jogo em casa. Dever cumprido na estreia do técnico Renato Gaúcho.
Ainda é muito cedo para avaliar profundamente o trabalho, mas podemos começar a formular algumas perguntas.
Qualquer análise deve partir do contexto. Renato Gaúcho não encontrou no Flamengo uma situação muito favortável logo de cara.
Jogar na Argentina já é difícil, o DyJ é um adversário bem treinado e Beccacece conhece o Fla — foi o responsável pela eliminação na temporada passada.
Além disso, o time estava desfalcado e vem em um momento ruim — tanto em termos de desempenho quando de resultado.
Com tudo isso, a vitória foi enorme e não deve ser subestimada. Pelo contrário, precisa ser muito celebrada!
"Fiquei fora das redes sociais por alguns dias para passar um tempo com a minha família e refletir sobre as últimas semanas. Esta mensagem não será capaz de demonstrar como sou grato por todo o amor que recebi. Sinto que preciso agradecer todo mundo que me apoiou.
"Foi uma HONRA fazer parte de um elenco que lidera pelo exemplo. São irmãos para a vida toda. Me sinto grato por tudo que aprendi com cada um dos jogadores e funcionários que trabalharam tão duro.
De onde surgiu o tal ditado "não se joga, se ganha"?
Jogar bem é justamente um caminho para vencer. Aproxima o time da vitória. Se aproximasse da derrota, o nome seria jogar mal.
É claro que dá pra vencer sem jogar bem ou perder jogando bem. Aliás, é justamente isso que faz o futebol ser tão único, incrível e apaixonante!
E é claro que o objetivo é a vitória. Mas jogar bem é o meio para buscá-la.
Ah, e isso é diferente de "jogar bonito" também.
Essa dicotomia entre "jogar bem e perder" ou "jogar mal e vencer" é falsa simplesmente porque não existe essa escolha. Por isso a gente insiste tanto em também analisar desempenho e não apenas resultado, especialmente em um esporte tão imprevisível e cheio de detalhes.
No livro "Decisive", Chip e Dan Heath analisam processos de tomada de decisão em busca de um modelo mental que nos torne mais seguros, inteligentes e assertivos na hora de escolher caminhos a percorrer.
Vale a pena olhar a chegada de Renato Gaúcho ao Flamengo por esse prisma.
Os irmãos Heath argumentam que, em geral, não somos muito bons em avaliar decisões que impactam um futuro incerto.
Costumamos colocar um holofote sobre aquilo que parece ser o centro da questão. O problema é que holofotes iluminam um ponto, mas deixam todo o resto no escuro.
“Para tomar melhores decisões, devemos mover nosso ‘holofote mental’ para jogar luz em coisas que não olharíamos normalmente.”
É difícil (talvez impossível) modificar as tendências do nosso cérebro, mas podemos criar um processo consciente que nos ajude a escapar delas.
Quando George Orwell escreveu o clássico "1984" e imaginou o Big Brother, uma figura capaz de observar tudo e todos, ele certamente não estava pensando em nenhuma relação com o futebol brasileiro do século XXI. Mas ninguém passa ileso. Nada mais é privado ou confidencial.
A força motriz do mundo do futebol é a paixão do torcedor e a imprensa é o principal mediador dessas relações entre clube e torcida.
Portanto, apesar de não ser protagonista do espetáculo, ela tem um papel chave.
Esse papel vem se transformando radicalmente por conta das redes sociais — e todo mundo ainda está tentando se adaptar a esse novo ambiente —, mas há uma peça que move essa engrenagem: a informação interna.