Abian é o noviço dentro da casa de candomblé. Aquele que ainda não foi iniciado, que está ali para os primeiros passos dentro da egbé e do trato com o Orisa. Abian não é lixo minha gente, abian não é empregado doméstico.
Abian está ali e é parte integrante. O abian está ali para aprender a estrutura da casa, do funcionamento do axé, abian ta ali para aprender a cantar, a rezar, o culto a orixá é para todos. Limpar galinha, lavar banheiro, arear panela é função de todos.Ah Baba Abian não tem santo
O de vocês pois, na minha casa Abian tem santo sim! Aliás todos nós que somos iniciados e que é da tradição do axé iniciar a pessoa virada, se sentou no apere abian (virado) e se levantou iyawo ainda virado. Acredito que quando chegamos no Aye Orí já chega com a indicação
de qual Orisa será iniciado para nos ajudar no cumprimento do destino escolhido. Então, todos chegamos com Orisa. O que acontece que em alguns caso dado a jornada da pessoa a identificação dessa divindade seja dificultada, até um borí ou ritos específicos.
Ah Baba Abian recebe santo? Sim! É igual alguém iniciado? Talvez! Iniciação NÃO ESTÁ RELACIONADA A TRANSE. Iniciar é sacralizar o axé de uma divindade em seu corpo seu orí, que no processo pode acontecer o transe, como também não pode ocorrer naquele momento.
Dentro da tradição e essa é familiar e individual de cada axé, teremos divergências, em algumas o abian não dará transe, em outras dará... A incorporação do abian tem os mesmos direitos de um Iyawo? Não, não tem. Pois, falta ritos que outorgam o direito
bem como a incorporação do Iyawo não terá o mesmo direito que a incorporação do Egbomi, e a do egbon não terá o mesmo direito da do Sacerdote. Isso é a hierarquia. Eu particularmente vejo expressão divina em todos, eu acredito nas energias que eu desperto na minha casa.
Dentro disso precisamos entender que ninguém recebe o Orisa primordial, recebemos partículas dessas divindades que são individuais que compõe nosso Eledá, por isso essas partículas, precisam através dos ritos receberem os axés necessários para sua "identidade" seguem os dogmas
seguem as hierarquias e costumes de cada axé. Incorporação não se hierarquiza! Tudo no candomblé tem seu tempo, o Abian precisa viver o abianato, bem como o iyawo precisa viver seu tempo de iyawo como iyawo. Já diziam os antigos quem pula etapa se aproxima da morte!
Dessa maneira o Abian, está no culto para aprender, para se tornar um futuro iyawo e inclusive já estar integrado e familiarizado com o culto. No candomblé aprendemos do dia 01 até o último dia de nossa estadia na terra. Cada um ocupa seu lugar, cada um tem seus direitos
seus acessos no culto. E não podemos utilizar disso para diminuir o outro. Sabemos que candomblé é coletividade, é organismo onde todas as partes se completam e se retroalimentam. Inclusive todos precisamos estar vigilantes com nossas condutas dentro do culto
Nem sempre saber fazer algo te da o direito de fazer! Candomblé não é sobre saber, é sobre ter o direito de tal. Seja o Abian, seja o Iyawo, seja o Egbon e até o Babalorisa.
Não podemos nunca esquecer que dentro da roça grande é o Orixá, o resto é tudo Irun Orisa!
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Fato é que o candomblé não é uma religião de conversão, nunca foi e nem nunca será, ela tende a ser uma religião de escolhidos, assim ela nasceu. Entretanto, como nada é estático ela passou a ser uma religião de escolha também...
Só que até mesmo para que ela seja de escolha eu preciso entender o que será esse processo de iniciação. iniciar é renascer, é buscar uma nova rota, alinhado-se com o axé das divindades e ancestralidades, é reprogramar o GPS da vida para uma nova oportunidade.
O problema é que muitas pessoas se iniciam nos ritos, não conseguem o mais sublime da iniciação, que é se iniciar no intelecto, tomar pra si todo o ethos do Candomblé, iluminar todo o pensamento filosófico que é apresentado pela tradição e então de fato renascer retornando como..
Vamos começar entendendo a formação da palavra Olu (aquele que), Gba (aceita) Je (comer). Esse é um rito que gira em torno da alimentação coletiva, mas desdobraremos isso mais a frente. Omolu e toda sua família são as divindades celebradas.
Omolu está no centro do culto a terra, sendo a divindade responsável pela manutenção da vida a partir dela. Ele está relacionado ao ciclo da terra, ou seja, o que ela nos oferece e o que ela decompõe. Nesse sentindo o Olubajé é uma celebração ao provimento da terra
Outro ponto importante a ser evidenciado, é que o candomblé gira em torno da cozinha, a alimentação é um ato sagrado, através dela trocamos axé e enaltecemos o sentido de coletividade. Comer é tomar axé, é consumir as próprias orações e bençãos.
Iya Sùúrù é como os Iorubás se referem a paciência, ou melhor a mãe paciência, tamanha a importância desse conceito na construção da nossa jornada na terra. inclusive ela é um dos atributos para a construção de um bom caráter.
É a paciência que vai nos permitir a construção da vitória! Só ela irá nos ancorar na terra. Sùúrù nasce no odu Ejiofun (10) e ela aparece como um dos atributos do homem sábio. Quanto mais jovem menos paciência temos, e por isso mais erramos, mais nos induzimos ao sofrimento
Com o ganho de idade, a velhice, aprendemos a ter paciência e vivermos sobre os cuidados dela e então a vida nos é melhor, mais serena!
O Igbin anda devagar mais ainda sim come a folha verde no alto da árvore!
No fio de mais cedo falei muito de origem e então perguntaram a minha então vamos falar um pouco de onde eu venho rs
Fui iniciado por uma senhora chama Sandra de Osun que faleceu no auge dos seus 45 anos de iniciação, ela por sua vez, foi iniciada por uma senhora chamada
Odete de Esu conhecida como Odete Anangia que por sua vez foi iniciada por Sr Waldomiro Baiano, fundador do ase Parque Fluminense que por sua vez foi iniciado por Sr Cristóvão de Ogun fundador do Ase Oloroke - Pantanal que por sua vez foi iniciado no Ase Yanba Lokiti Efon
em Salvador, por Maria Violão de Oloroke ( A casa de salvador se encontra fechada, sendo hoje o Ase Pantanal a matriz do Efon no Brasil). Com o falecimento de minha Iyalorisa, entreguei cabeça a Sr Luiz de Yemonja , que inclusive estava com 3 meses de iniciado quando participou
Muitas pessoas perguntam, como achar a casa de candomblé ideal?
Bom, fato é que não existe o lugar perfeito, entretanto dentro disso existem alguns pontos que são importantes serem analisados ao escolhermos uma roça de santo para nos filiarmos.
O primeiro passo é conhecer a origem daquela família, é sabido que candomblé é raiz, é tradição então nesse sentido é fundamental sabermos quem é aquele sacerdote? Quanto tempo de iniciado ele possui? Ele foi iniciado por quem? Tomou todas as obrigações com seu iniciador?
Caso não com quem ele tomou suas obrigações é a mesma tradição é a mesma família? Quanto tempo ele passou como filho daquela casa? Um sacerdote que teve múltiplos sacerdotes pode tem problemas em seguir uma tradição de culto. Digo isso pois é importante que a ritualística que
Aqui vamos falar do sacrifício no candomblé a partir da condução litúrgica.
Faça uma oferenda e a morte se transformará em riqueza disse ifá!
A partir desse dito vamos fazer uma imersão ao rito e entendermos como um ato de morte se tornará um ato doméstico.
Eu vou tecer esse fio não por um lado social ou acadêmico e sim, através do próprio rito, buscando entendermos juntos como a narrativa do Oro N’jé é autoexplicativa. Primeiro precisamos entender que ainda que de forma indireta alguns Orisas estão presentes no rito independente
do Orisa que está recebendo o Oro. São eles Ògún em casos de ritos que utilizam faca, Omolu para os Orisas que não se utilizam do obé, Oxossi e Osaniyn. Vamos entendendo ao longo desse fio a função desses orisas na construção do rito.