Hoje é quarta resolvi vos convidar a reflexão, junto comigo sobre Orisa Ayra.
Existe uma divindade de nome Àrá cultuada em cidades como Savé, Itile/Itasa e Ketu. Essa divindade traz domínio sobre os raios e trovões. Me trouxe a mente a cantiga“ Ayra Ojo mo perese”
Essa cantiga diz que a chuva de Ayra é barulhenta feito um tambor. Seguindo nosso processo de análise, em Itile (cidade de culto) o sacerdote rei e sacerdote do culto recebe o nome de Onintilé - Senhor de Itile, um dos epítetos de Ayra seria Ayra Intile aqui no novo mundo.
Já em Ketu, ele recebe o nome de Àrá Gbígbóná ( raio quente) que novamente nos lembrar mais um epíteto de nosso Ayra por aqui.
Precisamos entender que muitas das vezes em Iorubaland as divindades possuem culto local, e dependendo de onde você perguntar não se terá conhecimento
Por exemplo se você perguntar em Oyo sobre Àrá / Ayra eles dirão que é corruptela de Arira que seria o som do raio, portanto associado a Sango bem como em Ile Ife vão atribuir a Oranfe que é a divindade do fogo e dos raios deles. Precisamos ter isso bem determinado.
Seguindo nossa investigação, vamos perceber alguns pontos de aproximação em Itile na montanha de Àrá Ògún tem culto , em Sabé alem de Osooosi ser cultuado junto a ele tem uma divindade interessante chamada Amode seria esposa de Àrá, observem o culto de Ayra Mode e seus traços .
Orisa Àrá também possui ligação com a justiça acertando os malfeitores com um raio na cidade de Itile. Em Ketu Àrá recebe Agutan (Carneiro). Orisa Àrá traja-se de branco.
Os pontos de aproximação do culto a Orisa Àrá e o Ayra do candomblé são muitos, fato é que essa divindade não é reconhecida em Oyó e não há registro dele por lá, portanto não há relação com Sàngó. Há uma similaridade de domínios e até de culto, mas não são da mesma família.
Desse modo lhe deixo a pergunta, Ayra é Sàngó?
Kabiesi Arìrá
Àrá le!
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Para iniciarmos esses fio, vamos precisar primeiro flertar com a Filosofia e buscar a compreensão do que se entende por Estética. Para a filosofia esse ramo se constitui como a ciência do belo sendo assim ela investiga a essência da beleza
E dentro desse contexto o Candomblé desde sua origem toma para si um padrão estético que se alinha e dialoga com as referências Africanas. A foto que ilustra o fio por exemplo é uma representação dessa estética que da forma ao candomblé. O fio não é, uma crítica
e sim uma provocação como me é característico, um convite a reflexão. Quando pensamos em uma estética Afro, temos em vista os estampados, os metais, as matérias rústicas, búzios, cabaças, palha, e seus derivados. Nesse momento vos convido a imaginarem comigo
Muitas vezes quando consultamos o oráculo, nos é indicado um caminho de ebó para auxiliar no processo que estamos passando, o ebó é uma magia propiciatória ou profilática. É através do jogo que os mesmos serão prescritos.
O ebó vai ser composto de várias formas diferentes de acordo com a finalidade, os elementos também serão variados de acordo com a carga de axé de cada um. Esses elementos vão desde alimentos confeccionados a elementos originais da natureza, como conchas, búzios, dentre outros
Uma oferenda por exemplo também pode servir como um ebó quando indicada para essa finalidade. O importante é nos atentarmos que o ebó vai agir aonde não conseguimos. O ebó é uma importante tecnologia “mágica” que nos auxilia na nossa jornada da terra.
Abian é o noviço dentro da casa de candomblé. Aquele que ainda não foi iniciado, que está ali para os primeiros passos dentro da egbé e do trato com o Orisa. Abian não é lixo minha gente, abian não é empregado doméstico.
Abian está ali e é parte integrante. O abian está ali para aprender a estrutura da casa, do funcionamento do axé, abian ta ali para aprender a cantar, a rezar, o culto a orixá é para todos. Limpar galinha, lavar banheiro, arear panela é função de todos.Ah Baba Abian não tem santo
O de vocês pois, na minha casa Abian tem santo sim! Aliás todos nós que somos iniciados e que é da tradição do axé iniciar a pessoa virada, se sentou no apere abian (virado) e se levantou iyawo ainda virado. Acredito que quando chegamos no Aye Orí já chega com a indicação
Fato é que o candomblé não é uma religião de conversão, nunca foi e nem nunca será, ela tende a ser uma religião de escolhidos, assim ela nasceu. Entretanto, como nada é estático ela passou a ser uma religião de escolha também...
Só que até mesmo para que ela seja de escolha eu preciso entender o que será esse processo de iniciação. iniciar é renascer, é buscar uma nova rota, alinhado-se com o axé das divindades e ancestralidades, é reprogramar o GPS da vida para uma nova oportunidade.
O problema é que muitas pessoas se iniciam nos ritos, não conseguem o mais sublime da iniciação, que é se iniciar no intelecto, tomar pra si todo o ethos do Candomblé, iluminar todo o pensamento filosófico que é apresentado pela tradição e então de fato renascer retornando como..
Vamos começar entendendo a formação da palavra Olu (aquele que), Gba (aceita) Je (comer). Esse é um rito que gira em torno da alimentação coletiva, mas desdobraremos isso mais a frente. Omolu e toda sua família são as divindades celebradas.
Omolu está no centro do culto a terra, sendo a divindade responsável pela manutenção da vida a partir dela. Ele está relacionado ao ciclo da terra, ou seja, o que ela nos oferece e o que ela decompõe. Nesse sentindo o Olubajé é uma celebração ao provimento da terra
Outro ponto importante a ser evidenciado, é que o candomblé gira em torno da cozinha, a alimentação é um ato sagrado, através dela trocamos axé e enaltecemos o sentido de coletividade. Comer é tomar axé, é consumir as próprias orações e bençãos.
Iya Sùúrù é como os Iorubás se referem a paciência, ou melhor a mãe paciência, tamanha a importância desse conceito na construção da nossa jornada na terra. inclusive ela é um dos atributos para a construção de um bom caráter.
É a paciência que vai nos permitir a construção da vitória! Só ela irá nos ancorar na terra. Sùúrù nasce no odu Ejiofun (10) e ela aparece como um dos atributos do homem sábio. Quanto mais jovem menos paciência temos, e por isso mais erramos, mais nos induzimos ao sofrimento
Com o ganho de idade, a velhice, aprendemos a ter paciência e vivermos sobre os cuidados dela e então a vida nos é melhor, mais serena!
O Igbin anda devagar mais ainda sim come a folha verde no alto da árvore!