Estamos a cometer os mesmos erros do Natal passado
⬇️ thread a explicar
Vamos analisar a situação e resposta de 2 países (Reino Unido e Dinamarca) e comparar com o nosso contexto
- Portugal ganha no contexto de vacinação completa mas perde nas doses de reforço
- Sabemos que as doses de reforço são uma proteção importante contra a Omicron
Um estudo de sexta do Imperial (UK) revelou que a probabilidade de ir à urgência entre Delta e Omicron é a mesma. Isso não são boas notícias para os hospitais.
Noutro estudo de cenários do impacto da Omicron no UK
- record de casos (já estamos a ver no UK)
- pressão nos hospitais muito intensa (semelhante a jan 2020)
- mortalidade (felizmente menor que em jan2020)
Se tudo continuar igual Portugal 🇵🇹 Só fará um reforço de medidas não farmacológicas a 3 de Jan, 2 semanas depois do UK e Dinamarca.
Durante essas duas sementas temos dois eventos de elevado risco de transmissão (natal e ano novo)
Para ⬇️ o risco de voltarmos ao caos hospitalar de janeiro de 2021 é necessário
Implementar já algo semelhante ao que a Dinamarca fez. Encerrar sítios onde há risco de super spreading (bares, discotecas, espetáculos), limitar lotações de espaços públicos . Com apoios públicos
O risco que corremos é de um janeiro com níveis de doença na comunidade muito elevados e pressão muito elevada nos hospitais 🏥 com degradação da qualidade e acesso a cuidados não covid.
Declarações da PM Dinamarca 🇩🇰
"I hope we'll be pleasantly surprised and someone comes along at a later time and tells us, that we did too much and it (Omicron) was not that dangerous,"
"We just cannot afford to assume that. The opposite could also be the case."
Mais medidas restritivas é uma decisão coletiva que temos de tomar, faço o meu papel em explicitar as escolhas.
No ano passado decidimos aliviar restrições no natal e pagamos caro essa decisão com um janeiro de 2021 de má memória.
Este ano temos de voltar a tomar uma decisão (já)
- prejudicar um setor da economia que envolve elevado risco de transmissão para ter uma janeiro com menos doença e disrupcao social
- não fazer nada é assumir um risco muito elevado de pressão elevadíssima nos hospitais
Janeiro de 22 (mesmo que fique tudo na mesma) será melhor que janeiro de 21 (graças a ⬆️cobertura vacinal)
Mas com a Omicron, janeiro de 22 será muito pior do que esperávamos há 3 semanas.
Sobre 1. Contexto 2. Transmissibilidade 3. Efectividade das vacinas 4. Medidas e projeções 5. Saúde global
thread 🧵 1/n
🚨 tem ciência e incertezas
1. CONTEXTO
Sabíamos que isto poderia acontecer.
A DGS em Out fez um cenário (sem reforço vac) que contemplava uma nova variante. Se forem confirmados os indícios poderá ter impacto a médio prazo (2 a 6 meses) n hospitalizações e mortalidade
Foi um enorme privilégio e desafio estar ao leme da informação e análise durante 1 ano na maior pandemia do século.
Volto para a minha vida académica com a sensação de dever cumprido
Alguns pensamentos
👇
1. Quando comecei sabia que ia ser uma missão de curta duração, tenho um PhD para acabar nos USA.
Com a epidemia estável, 85% da pop com pelo menos uma dose da vacinar, estabilidade na sucessão do serviço na DGS, demos a minha missão por terminada.
2. Durante este ano tive como missão total e absoluta
2.1 estabilizar os sistemas de informação 2.2 aumentar a rapidez, quantidade e qualidade da informação produzida e partilhada 2.3 melhorar a qualidade da análise
👇
+ informação = melhor decisão
Uma das medidas de prevenção #COVID19PT mais importantes é a auto-avaliação diária do estado de saúde.
Pensar ao acordar se temos qq tipo de sintoma COVID (falta cheiro ou paladar, dor de garganta, febre, cefaleia,etc)
Se estive doente fique em casa e ligue SNS 24
Para os followers mais técnicos
Sei que 1. Existe transmissão nos assintomaticos e que prov são 20% 2. Existe transmissão nos pre-sintomáticos (2dias antes)
Se no ponto 1. Podemos fazer pouco, no 2. sabemos q são transmissores menos eficazes
Se reduzirmos contactos dos sintomáticos principalmente em settings de “super spreading” que atualmente são maioritariamente no trabalho conseguimos reduzir o números de surtos grandes.
O COVID veio para ficar até a vacina estar disponível, temos de aprender a viver com ele.
Agora que começamos a discutir as estratégias de levantamento das restrições, vale a pena rever algumas coisas e pensar em outras
1. Sem medidas supressão (restrição social intensa) o sistema de saúde teria entrado colapso, e não são só em modelos, é a Lombardia, NYC etc...
2. Obviamente que temos um menor nível de imunidade natural que outros países. Mas o trade-off social que fizemos foi de proteccao dos que tinham maior risco de complicações. Tendo a certeza que lhes podíamos oferecer o melhor que a medicina tem disponível.
3. O equilíbrio que temos de atingir tem num prato da balança a economia (que exige maior contacto social) e no outro a capacidade de resposta da saúde pública e do sistema de saúde (manter controlada a transmissão e oferecer os melhores cuidados possíveis)