O que se espera de um réu confesso após sua condenação? Ao menos publicamente, alguma demonstração de arrependimento pelos atos que causaram danos a outros. A consciência da ultrapassagem da barreira do que é aceitável para a convivência social revela-se.
Quando isso não ocorre, estamos diante de alguém que a ciência comportamental já diagnosticou como uma pessoa que dificilmente é capaz de se ajustar ao princípio basal da sociabilidade, o respeito ao outro.
Ontem, no programa #RodaViva da TV Cultura, a audiência teve a possibilidade de se colocar em contato com um destruidor de reputações.
A corrupção e os artifícios usados para fraudar o processo democrático não passam, para este criminoso, de meros processos para assegurar, a ele e a seus contratantes, a imposição, com o charme da marquetagem política, de um modelo autoritário e deletério de exercício do poder.
A história recente está aí contada por muitos dos que compuseram a bancada do Roda Viva. O comportamento tóxico do marqueteiro dos que desejavam ser os donos do poder se repetiu no Brasil e em outros países latino-americanos onde atuou.
O rastro nefasto de sua passagem por esses locais foi o estímulo ao ódio. Deu de comer na boca de figuras bestiais que se fortaleceram como ameaças reais aos regimes democráticos conquistados com muita luta pelos povos desses países.
Sua única socialização para todos os cidadãos foi o pagamento da conta dos abusos e atrocidades cometidas contra as democracias.
Com o prestígio que ainda goza entre os que foram seus cúmplices e a jactância dos que se arvoram estar acima do bem e do mal, o marqueteiro das estrelas considera que sua trajetória da "fama para a infâmia" é resultado do "sistema".
A vida, principalmente, para os que se dispõem a aprender com ela, diz ser o contrário. Sua descida ao Hades da infâmia decorre, sobretudo, de suas escolhas.

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24 Oct
Tá lá um corpo no chão

Ela embriagada de álcool, eles de machismo.

Ela sozinha, impotente;
eles em bando, cúmplices e conscientes.

Ela pede socorro:
me tira daqui, me tira daqui;
eles, em perverso gozo, zombam e riem.
Depois do crime cometido,
do mundo ouvem-se os gritos:
uns corretamente indignados
pelas cicatrizes dela
para vida inteira;
outros, indiferentes à sua dor,
lamentam o prejuízo,
à fama e à carreira
de quem o crime praticou.
Que o clamor das pedras se some
aos que por justiça clamam.
Que os montes rujam e se abalem
em repreenda aos que lamentam
só o fim de uma carreira.

Diante do corpo aviltado
no chão da indiferença,
do domínio bestial,
Que impõe impedimento
Às defesa do mal,
Read 5 tweets
23 Oct
Não há dúvidas. A devastação faz parte de um projeto do governo, que se orgulha da condição de pária internacional, pelo desmonte que fez na gestão ambiental do país. Como disse o ministro das Relações Exteriores, “que sejamos pária”.
Um dos grandes responsáveis por colocar o país à margem no cenário internacional é o ministro responsável pelo desmonte ambiental, Ricardo Salles.
É pelo desserviço prestado ao Brasil e ao mundo que Salles foi premiado pelo presidente com a honraria do Ministério de Relações Exteriores, ironicamente dado por “serviços meritórios”.

revistagloborural.globo.com/Noticias/Polit…
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2 Oct
O grupo de estudo para fundir o IBAMA e o ICMBio, criado por uma portaria do MMA publicada no diário oficial, mostra que o governo não pretende apenas passar a boiada, mas embretar todo o sistema nacional de meio ambiente.
Fundir os dois órgãos novamente é um gigantesco e inaceitável retrocesso. Embora ambas as instituições sejam órgãos executores da política nacional de meio ambiente, elas desempenham funções distintas e de elevada especialização.
O IBAMA é responsável pelo controle e a fiscalização sobre o uso dos recursos naturais (água, flora, fauna, solo, etc) e pela concessão de licenças ambientais para empreendimentos de sua competência.
Read 12 tweets
30 Sep
Nossa soberania sobre a Amazônia é inquestionável, mas isso não quer dizer falta de compromisso e responsabilidade com uma região tão importante e estratégica para o equilíbrio do planeta e o futuro da humanidade.
É triste, muito triste, vermos o nosso país ser citado no debate das eleições dos EUA como uma ameaça à segurança climática do mundo, quando até bem pouco tempo éramos tidos como parte da solução.
No debate entre Trump e Biden, o assunto Amazônia veio à tona. Joe Biden citou o Brasil: “A Floresta Amazônica está sendo destruída, arrancada”.
Read 4 tweets
28 Sep
O governo segue passando a boiada para seguir seu projeto de destruição da política ambiental. Esvaziou a representatividade do CONAMA, desidratou sua competência técnica e independente, para retroagir na legislação, como pudemos ver nos inúmeros retrocessos votados hoje.
É um enorme retrocesso revogar a proteção de áreas definidas como de preservação permanente, por sua importância para preservar a biodiversidade, notadamente a flora, a fauna, os recursos hídricos, e o equilíbrio ecológico, evitando a poluição das águas, solo e ar.
Outro absurdo, é a extinção das regras que protegem restingas e manguezais. O Brasil ocupa posição de destaque global pela presença da maior extensão de manguezal em linha contínua do planeta. Mas isso pouco importa pra um governo declaradamente antiambientalista.
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28 Sep
O governo manipula dados e cria falsas narrativas para agradar seus apoiadores fanáticos, mas não percebe que isso só piora a credibilidade do país no exterior. O uso abusivo da mentira pelo governo queima ainda mais a imagem do Brasil. www1.folha.uol.com.br/ambiente/2020/…
O trabalho que fizemos no Ministério do Meio Ambiente é reconhecido internacionalmente por uma questão de resultados. Houve uma queda do desmatamento da Amazônia de 83%, enquanto o agronegócio cresceu 61%, durante 10 anos.
O governo usurpa o trabalho que fizemos de acordo com a sua conveniência populista. Para fora, usa as conquistas de nossa gestão para convencer autoridades e investidores estrangeiros. Para dentro, cria gráficos mentirosos atacando o que fizemos.
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