Desde a reestreia dos titulares, o Flamengo jogou 13 partidas — algumas com o time completo, outras com o misto e algumas com os reservas.
Foram 18 gols sofridos. Média de quase 1,4 por jogo. Número alarmante.
Mas há um vilão bem particular...
Até o primeiro jogo da final do Carioca, o time tinha tomado 6 gols — em 6 jogos diferentes — diretamente de escanteios! Sofreu gols assim em METADE dos jogos!
Como essa é uma das grandes armas do Fluminense, era óbvio que tentaria forçar dessa forma.
O Fla até conseguiu ceder poucos escanteios no jogo. Apenas 3.
Inclusive, quando Filipe Luís optou por jogar a bola para a linha de fundo, houve uma reclamação mais dura que ele retrucou. O Flamengo sabia que não podia dar esse tipo de chance.
O gol em si não saiu no cruzamento do escanteio propriamente dito, claro, então preciso fazer um desvio para explicar porque considero SIM que esse gol entra na conta dos "gols sofridos em bola parada"...
A cobrança saiu aberta e foi cortada por Arão, mas sobrou nos pés de Egídio, que logo cruzou lá no segundo pau. Luiz Henrique tocou para dentro e Abel conseguiu desviar para o gol.
Quando sai o cruzamento de Egídio, o Fluminense tem quatro jogadores na área: Luiz Henrique, Abel e os dois zagueiros.
Enquanto isso, o segundo pau é defendido por Gerson, Arrascaeta e Pedro. Um posicionamento que só é possível por causa do escanteio.
Apesar de não ter saído diretamente no cruzamento do escanteio, o gol tem uma configuração muito mais próxima de uma bola parada do que de um cruzamento normal de bola rolando.
Por isso, entra na conta: são 7 em 13 jogos.
Vale a pena mergulhar nos números.
Nessas 13 partidas, o Flamengo cedeu 64 escanteios. Um número é um pouquinho alto, mas nada demais. É um pouco maior que a média de escanteios cedidos pelo time no Brasileirão 2020.
Mas a eficiência...
Em 178 cobranças no BR20, o Flamengo sofreu 7 gols. Ou seja, aproximadamente 3,9% dos escanteios foram parar no fundo das redes.
Em 2021, sofreu o mesmo número de gols em 64 cobranças, o que significa que a bola entra em 10,9% dos escanteios!!!
Se fosse possível transportar a eficiência em escanteios do BR20 para agora, o Flamengo teria sofrido apenas 2,5 gols em vez de 7! Como não existe meio gol, vamos arredondar para cima a imaginar que seriam 3 gols levados assim, somando-se aos outros 11 de outras formas.
Veja bem, eu não estou nem imaginando um Flamengo perfeito nos escanteios, capaz de zerar tudo.
Estou dizendo que, se o Flamengo mantivesse a média que ele mesmo vinha conseguindo manter — nada extraordinária — teria tomado QUATRO gols a menos nesse início de temporada!
Seriam 14 gols em 13 jogos. Não é a melhor coisa do mundo, mas essa média de 1,08 seria suficiente para manter a sexta melhor defesa do Brasileirão, por exemplo.
(Claro que aqui seria preciso ponderar o nível dos adversários, mas é só pra gente entender o tamanho dos números)
Como todos sabem, a defesa do Flamengo foi mal no BR20. Mesmo saindo campeão, o time teve apenas a 12ª defesa menos vazada.
Havia muitos problemas — e alguns ainda persistem.
A boa notícia (se é que dá pra dizer isso) é que algumas coisas vêm melhorando. Nos últimos jogos, o Fla vem sofrendo menos com os contra-ataques, por exemplo.
A má notícia é que as bolas paradas — em especial os escanteios — estão "compensando". Aí fica bem difícil.
Apenas cinco times no BR20 levaram mais do que 1,4 gols por partida: os quatro rebaixados e o Bahia.
É um número alto demais. Não dá pra seguir assim.
No momento, porém, há um vilão claro. Um foco bem específico! Melhorar a defesa dos escanteios deve ser a prioridade número 1!
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O Flamengo ficou muito acuado no segundo tempo contra a LDU e não conseguiu colocar a bola no chão. Quando conseguiu, saiu o pênalti que selou a vitória.
Vale a pena olhar esse lance nos mínimos detalhes, porque tem muita coisa interessante.
Depois de um domínio completo no primeiro tempo, ditando todo o ritmo do jogo e mantendo a bola, vários fatores influenciaram nessa dificuldade de ficar com a posse no segundo.
Um deles foi a mudança de goleiro.
Com a maior pressão da LDU, o Flamengo tinha menos espaço para sair. Quando iniciava as jogadas lá de trás, tinha Hugo — e não mais Diego Alves —, que tem uma notória dificuldade com os pés.
Os tiros de meta passaram a ser longos e a zaga também só aliviava com chutões.
Guardiola é bom demais. Se adapta bem demais. Esse City é completamente diferente do City nas suas primeiras temporadas, que era diferente do Bayern, que já era diferente do Barça.
O futebol muda o tempo todo e ele está sempre lá na vanguarda!
Hoje o mundo viu mais uma vez o Jogo de Posição Guardiolista em ação: aquela filosofia que exige que todos os jogadores fiquem parados em campo, esperando a bola. Quem der um passo, vai pro banco na hora! O futebol de totó é finalista!
Ah, não... pera...
É brincadeira, mas não é muito distante do que vem sendo dito nos últimos tempos por aqui. É realmente fascinante o nível de distorção que tivemos nesse debate "posicional".
O City é todo sobre fluidez e controle, como Pep adora!
Há exatos 10 anos, o Barcelona de Pep Guardiola controlou a posse contra o Real Madrid de José Murinho, garantiu o 1x1 no Camp Nou e se classificou para a final da Champions League.
Aquele jogo em si não foi nada demais, mas foi a culminância de um momento único na história.
O Barça de Guardiola assombrou o mundo, conquistando tudo logo na primeira temporada. Na temporada seguinte, também levou o Campeonato Espanhol, mas foi parado na Champions League pela Inter de Mourinho.
O Real, então, foi buscar o treinador português: o anti-Barça.
O primeiro encontro entre os dois times naquela temporada 2010/11 terminou de maneira absolutamente inesperada: 5x0 para o Barça!
Mas aquele não era o fim da história... Muito pelo contrário!
Muito se fala sobre o "tatiquês", uma língua exótica para versar sobre o futebol, mas que apenas os iniciados têm acesso.
De fato, há muitos jargões no futebol que nem todo mundo entende — assim como há em todas as outras áreas do conhecimento. Quero falar rapidamente sobre...
Na verdade, nosso dia a dia está lotado de "jargões".
Ou pelo menos de palavras e expressões que representam ideias um pouco mais complexas.
A gente fala "casa" para não ter que dizer "espaço com quatro paredes e um teto habitado por pessoas".
É para isso que a linguagem serve. Com esses conceitos que representam a junção de outros conceitos, somos capazes criar atalhos cognitivos para passar uma ideia de dentro de uma cabeça humana para dentro de outra cabeça humana.
O Fluminense fez uma boa estreia na Libertadores e empatou com o River no Maracanã. O time foi realmente consistente na sua proposta, mas mostrou, a meu ver, um problema estrutural na maneira como progride com a bola ao ataque.
Vamos explorar mais no fio...
Para falar sobre isso, precisamos falar sobre o passe-falso.
Quando o lateral aciona o ponta no mesmo corredor, coloca o companheiro em uma situação delicada. Afinal de contas, ele recebe de costas, marcado, colado na linha lateral...
Não consegue ir para frente porque a marcação está colada. Não pode ir para fora porque sairia do campo. E tem dificuldade de girar para o meio porque em geral recebe a bola de costas para o campo — ainda mais se for um ponta canhoto na esquerda ou destro na direita.