O Fluminense fez uma boa estreia na Libertadores e empatou com o River no Maracanã. O time foi realmente consistente na sua proposta, mas mostrou, a meu ver, um problema estrutural na maneira como progride com a bola ao ataque.
Vamos explorar mais no fio...
Para falar sobre isso, precisamos falar sobre o passe-falso.
Quando o lateral aciona o ponta no mesmo corredor, coloca o companheiro em uma situação delicada. Afinal de contas, ele recebe de costas, marcado, colado na linha lateral...
Não consegue ir para frente porque a marcação está colada. Não pode ir para fora porque sairia do campo. E tem dificuldade de girar para o meio porque em geral recebe a bola de costas para o campo — ainda mais se for um ponta canhoto na esquerda ou destro na direita.
A melhor opção — às vezes a única — é voltar a bola. Por isso é um passe-falso: um passe que avança para recuar, que não leva para lugar nenhum, que exige dois movimentos para, muitas vezes, voltar ao mesmo lugar.
É por isso que muitos times usam padrões de passe fora-dentro-fora-dentro-fora para sair jogando e/ou até mesmo posicionam laterais e pontas em corredores diferentes quando o time tem a bola. Assim, evitam que o ponta receba naquela situação, o tal passe-falso.
Pois bem... todo mundo viu que o Fluminense atacou muito mais pelo lado esquerdo contra o River.
O mapa de passes mostra bem isso (cada bolinha é um passe tentado pelo Flu e os números mostram o número de passes em casa zona). Egídio foi responsável por 23% dos passes do time.
Vamos olhar agora TODOS os passes de Egídio no primeiro tempo, quando o Flu tinha a bola. Só excluí os cruzamentos, alguns arremessos laterais e aqueles passes-interceptação, quando o jogador já rouba a bola passando para um companheiro ou dando chutão.
A continuação está aqui, com os passes do segundo tempo.
Repare como ele normalmente já recebe condicionado a girar para fora e QUASE SEMPRE joga a bola no mesmo corredor, seja para quem for.
Depois de acionar Luiz Henrique de costas várias vezes seguidas, o que não faz muito sentido, eles parecem ter mudado o padrão (talvez por orientação de Roger) para tentar um passe mais longo, na corrida. Mesmo assim, a bola sempre seguia no corredor esquerdo.
Isso faz com que aquele lado seja um "buraco negro". Toda bola que entra ali, não sai nunca mais. Por isso, o mapa de calor do Flu ficou com essa cara.
Não dá para apontar apenas para Egídio. Ele precisa ter opções para o passe. Os volantes e o meia do 4-2-3-1 precisam querer essa bola.
Repare, inclusive, que o padrão muda um pouco depois da entrada de Cazares e a bola passa a ir para dentro e até mudar de lado.
Na minha humilde opinião, essa dinâmica atrapalha muito a progressão do Flu. Ela não foi exclusiva desse jogo, muito pelo contrário, mas foi gritante nele, até por Calegari estar mais preso do outro lado.
É um detalhe, mas tira muita fluidez do jogo...
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Seguindo a série sobre os números do B20, chegou a hora de falar sobre o campeão. O Flamengo não alcançou a expectativa gerada por 2019, mas o desempenho geral pode ter sido melhor do que muitos acham...
Ali, alguns dados já escancaravam a proposta rubro-negra.
Mas o Brasileirão é longo e cada equipe passa por vários momentos diferentes. Para entender melhor o que levou o Flamengo ao título, vale a pena destacar a arrancada final, quando o time de fato acelerou em busca do título.
[BRASILEIRÃO 2020 EM NÚMEROS | PARTE 2: COMO ATACAM E COMO DEFENDEM]
Pense por um minuto: qual foi o time que mais conseguiu invadir a área dos adversários no campeonato passado?
E qual foi o time que menos teve a sua área invadida?
As respostas podem te surpreender...
Na parte 1 da série sobre os números do Brasileirão 2020, falei sobre a posse de bola: quem teve, quem não teve, quanto variou e o que isso significou em termos de resultado.
Agora é a hora de olhar para a forma como os times atacavam e defendiam
Há exatos 18 anos, Deco estreava pela seleção portuguesa — sob o comando de Felipão, marcando o gol da vitória contra o Brasil. Só isso.
Um craque que merece ser lembrado.
Para a maioria do público brasileiro, Deco era um ilustre desconhecido até 2004, quando liderou o Porto ao surpreendente título da Champions League, inclusive marcando o segundo gol da final.
(O primeiro havia sido marcado por Carlos Alberto, mas essa é outra história)
A essa altura, porém, ele já era grande em Portugal. Não só pelo futebol, mas também pela polêmica envolvendo sua nacionalidade.
Afinal, Deco saiu rumo ao Benfica aos 19 anos de idade, mas não tinha qualquer vínculo familiar com Portugal.
[BRASILEIRÃO 2020 EM NÚMEROS | PARTE 1: QUEM TEM A BOLA]
O Brasileirão acabou, mas ainda há muito a ser estudado, desvendado e debatido. Começa aqui, então, uma série sobre os números do campeonato.
Na primeira parte, a boa e velha posse de bola — e muita coisa além dela
Segundo o @InStatFootball, essa foi a posse de bola média das equipes. O resultado não é nada surpreendente.
Saber quem ficou com a bola é importante para avaliar tanto estilo de jogo quanto performance, mas a simples média não é suficiente...
Afinal, a posse de um time pode variar muito de um jogo para o outro.
Se o TIME X fica com 70% da posse em metade dos jogos e 30% na outra metade, enquanto o TIME Y tem sempre 50%, a média dos dois será igual, mas a análise deve ser totalmente diferente.
Um fator que não pode ser ignorado nessa temporada é a pandemia do coronavírus, que tornou todos os times mais instáveis e tirou as torcidas dos estádios. Muita gente previu um desaparecimento do "fator casa". De fato, houve uma queda de rendimento dos mandantes, mas nada absurdo
Quatro gráficos para falar rapidinho sobre a produção ofensiva e defensiva dos times no Brasileirão 2020...
Quero fazer algumas observações rápidas, mas vai uma explicação breve sobre o que é xG e xGA para quem ainda não sabe.
O desafio é medir a qualidade das chances criadas por cada time. Afinal, "grande chance" é um conceito meio abstrato que coloca muita coisa no mesmo balaio.
Um chute sem goleiro tem mais chance de ser gol do que uma cabeçada da marca ou pênalti ou um chute da intermediária. Então a proposta foi criar um modelo matemático que atribui um valor para cada finalização.