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24 Apr, 12 tweets, 4 min read
O Fluminense fez uma boa estreia na Libertadores e empatou com o River no Maracanã. O time foi realmente consistente na sua proposta, mas mostrou, a meu ver, um problema estrutural na maneira como progride com a bola ao ataque.

Vamos explorar mais no fio...
Para falar sobre isso, precisamos falar sobre o passe-falso.

Quando o lateral aciona o ponta no mesmo corredor, coloca o companheiro em uma situação delicada. Afinal de contas, ele recebe de costas, marcado, colado na linha lateral...
Não consegue ir para frente porque a marcação está colada. Não pode ir para fora porque sairia do campo. E tem dificuldade de girar para o meio porque em geral recebe a bola de costas para o campo — ainda mais se for um ponta canhoto na esquerda ou destro na direita.
A melhor opção — às vezes a única — é voltar a bola. Por isso é um passe-falso: um passe que avança para recuar, que não leva para lugar nenhum, que exige dois movimentos para, muitas vezes, voltar ao mesmo lugar.
É por isso que muitos times usam padrões de passe fora-dentro-fora-dentro-fora para sair jogando e/ou até mesmo posicionam laterais e pontas em corredores diferentes quando o time tem a bola. Assim, evitam que o ponta receba naquela situação, o tal passe-falso.
Pois bem... todo mundo viu que o Fluminense atacou muito mais pelo lado esquerdo contra o River.

O mapa de passes mostra bem isso (cada bolinha é um passe tentado pelo Flu e os números mostram o número de passes em casa zona). Egídio foi responsável por 23% dos passes do time.
Vamos olhar agora TODOS os passes de Egídio no primeiro tempo, quando o Flu tinha a bola. Só excluí os cruzamentos, alguns arremessos laterais e aqueles passes-interceptação, quando o jogador já rouba a bola passando para um companheiro ou dando chutão.

A continuação está aqui, com os passes do segundo tempo.

Repare como ele normalmente já recebe condicionado a girar para fora e QUASE SEMPRE joga a bola no mesmo corredor, seja para quem for.

Depois de acionar Luiz Henrique de costas várias vezes seguidas, o que não faz muito sentido, eles parecem ter mudado o padrão (talvez por orientação de Roger) para tentar um passe mais longo, na corrida. Mesmo assim, a bola sempre seguia no corredor esquerdo.
Isso faz com que aquele lado seja um "buraco negro". Toda bola que entra ali, não sai nunca mais. Por isso, o mapa de calor do Flu ficou com essa cara.

Não dá para apontar apenas para Egídio. Ele precisa ter opções para o passe. Os volantes e o meia do 4-2-3-1 precisam querer essa bola.

Repare, inclusive, que o padrão muda um pouco depois da entrada de Cazares e a bola passa a ir para dentro e até mudar de lado.
Na minha humilde opinião, essa dinâmica atrapalha muito a progressão do Flu. Ela não foi exclusiva desse jogo, muito pelo contrário, mas foi gritante nele, até por Calegari estar mais preso do outro lado.

É um detalhe, mas tira muita fluidez do jogo...

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10 Apr
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26 Mar
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