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30 Apr, 17 tweets, 3 min read
Muito se fala sobre o "tatiquês", uma língua exótica para versar sobre o futebol, mas que apenas os iniciados têm acesso.

De fato, há muitos jargões no futebol que nem todo mundo entende — assim como há em todas as outras áreas do conhecimento. Quero falar rapidamente sobre... Foto: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com
Na verdade, nosso dia a dia está lotado de "jargões".
Ou pelo menos de palavras e expressões que representam ideias um pouco mais complexas.

A gente fala "casa" para não ter que dizer "espaço com quatro paredes e um teto habitado por pessoas".
É para isso que a linguagem serve. Com esses conceitos que representam a junção de outros conceitos, somos capazes criar atalhos cognitivos para passar uma ideia de dentro de uma cabeça humana para dentro de outra cabeça humana.
Imagina um elefante rosa com asas de borboleta.

Imaginou? Então você está construindo uma imagem mental de algo que nunca existiu, apenas a partir das palavras que eu estou escrevendo aqui!

Já parou para pensar no quão poderoso é esse processo?
Para imaginar, porém, você precisa saber o que é "elefante", "rosa", "asa" e "borboleta". Se esses conceitos não existirem na sua cabeça, já era.

O objetivo de construir conceitos, dos mais simples aos mais complexos, portanto, é facilitar a comunicação.
Acontece que em todas as áreas do conhecimento há aqueles que usam jargões no sentido oposto: para dificultar propositalmente a compreensão, excluir pessoas do debate e parecerem mais inteligentes.
Afinal, a nossa tendência é encarar aquilo que não compreendemos como difícil e a pensar em pessoas que dominam coisas difíceis como sendo pessoas inteligentes.

Mas a verdade é oposta. Einstein dizia: "se você não consegue explicar a uma criança, você não entende o assunto"
Isso não significa "emburrecer" a mensagem. Não significa torná-la mais rasa.

Significa entender as ferramentas e chaves de leitura que estão à disposição do interlocutor e, caso necessário, construir novas ferramentas e chaves de leitura a partir das que ele já tem.
E esse processo é vivo. A linguagem evolui, os termos mudam, a maneira de se comunicar é transformada. Esse processo é natural e no futebol não é diferente.

"Escanteio" era córner e meu pai chama "zagueiro" de "beque" até hoje.
Vejo, portanto, narradores, comentaristas e jornalistas em geral tentando se atualizar. Volta e meia surge esse comentário em um programa ou transmissão de jogo: "antes e falava assim, agora se fala isso", mas normalmente em um tom curioso.
Em geral, o comentário leva mais para o lado de que "é mais chique/elegante/inteligente/moderno falar assim".

Na realidade, não podemos esquecer que novos termos carregam novos conceitos e, portanto, novos significados.
Não há necessidade nenhuma de falar "residência" se você já usa a palavra "casa" e ela te serve bem.

A palavra "lar", no entanto, pode carregar um significado sutilmente diferente, mais apropriado para aquilo que você quer dizer.
É por isso que a gente vê tantas pessoas usando "transição" como sinônimo de "contra-ataque", "reativo" como sinônimo de "retranca" ou "amplitude" como sinônimo de "pelo lado".

O problema é que não são sinônimos.
Fiz um vídeo outro dia sobre "futebol reativo" e porque isso é diferente simplesmente de "defensivo".

Acho um bom exemplo, porque mostra como o debate é muito mais complexo e interessante quando a gente pensa no significado, não na palavra bonita.

Quando, na ânsia de "falar bonito", a gente simplesmente substitui um termo pelo outro, entrando na moda, me parece que cometemos um erro duplo.

Primeiro, deixamos o debate menos interessante por não capturar as nuances possíveis.

Segundo, alienamos o público.
Afinal de contas, eu gostaria que todo mundo entendesse o que é "transição" porque acho um conceito relevante para entender o jogo. Enquanto nem todo mundo entende, é preciso explicar, construir aos poucos.

Substituir simplesmente um pelo outro é só encher o saco das pessoas.
E tem uma frase que eu levo como lema da vida:

"As pessoas não devem ser derrotadas pela linguagem."

A linguagem SERVE às pessoas, às ideias, ao debate, não o contrário. Se a linguagem estiver aí pra excluir e derrotar, já começa tudo errado.

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24 Apr
O Fluminense fez uma boa estreia na Libertadores e empatou com o River no Maracanã. O time foi realmente consistente na sua proposta, mas mostrou, a meu ver, um problema estrutural na maneira como progride com a bola ao ataque.

Vamos explorar mais no fio...
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10 Apr
[BRASILEIRÃO 2020 EM NÚMEROS | PARTE 3: FLAMENGO]

Seguindo a série sobre os números do B20, chegou a hora de falar sobre o campeão. O Flamengo não alcançou a expectativa gerada por 2019, mas o desempenho geral pode ter sido melhor do que muitos acham...
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30 Mar
[BRASILEIRÃO 2020 EM NÚMEROS | PARTE 2: COMO ATACAM E COMO DEFENDEM]

Pense por um minuto: qual foi o time que mais conseguiu invadir a área dos adversários no campeonato passado?

E qual foi o time que menos teve a sua área invadida?

As respostas podem te surpreender...
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Agora é a hora de olhar para a forma como os times atacavam e defendiam

O que define de fato o campeonato é a bola na rede.

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29 Mar
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Um craque que merece ser lembrado. Image
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(O primeiro havia sido marcado por Carlos Alberto, mas essa é outra história) Image
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24 Mar
Tostines vende muito porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende muito?

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E é a partir dele que quero discutir o uso da posse de bola no futebol brasileiro.
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