1/18: As exploradoras (mining explorers), e suas similaridades com biotechs ou startups de tecnologias. Com um olhar especial sobre o que são e como identificar as empresas picaretas. #U3O8 #uranio #ouro #prata #cobre #litio #niquel #mineração #exploradoras
2/18: Bem, exploração é um negócio fascinante. Com algumas centenas de milhares de dólares, uma campanha de perfuração bem sucedida pode fazer descobertas de centenas de milhões de dólares. Não é muito diferente de uma startup ou de uma biotech.
3/18: Em uma biotech tem, por exemplo, uma molécula, que se mostrar promissora em estudos clínicos, pode gerar um medicamento altamente lucrativo. Ou então, se uma fintech que desenvolve uma solução inovadora pode modificar mercados.
4/18: Exploradoras, assim como a maioria das biotechs, fintechs, etc, não geram lucro, apenas queimam caixa. E não há nenhuma garantia de sucesso em seus investimentos; um estudo clínico pode ser negativo, assim como uma campanha de perfuração ser mal sucedida.
5/18: As estatísticas estão contra o investidor e a favor da banca. Apenas um fração das anomalias geológicas vão se tornar uma mina; já ouvi números indo de 1:3.000 a 1:10.000. Não é muito diferente com candidatos a medicamentos ou soluções de startups.
6/18: A quantidade de minério pode ser insuficiente para ser viável economicamente, CAPEX e/ou o OPEX muito alto, desafios geológicos, metalurgia ineficiente, dificuldade de se conseguir permits, são vários os motivos para nunca produzir.
7/18: Assim como nesses outros exemplos, uma exploradora precisa principalmente ter um ótimo capital humano/intelectual: geólogos brilhantes, bom management, equipe comprometida. O negócio depende muito mais de pessoas do que de processos.
8/18: Assim como startups em geral, exploradoras queimam caixa e falham porque não tem as pessoas certas cuidando do negócio. E por muitas vezes possuem um management com seus próprios interesses e não alinhados com os do acionistas.
9/18: Como essas empresas conseguem? Basicamente seduzem investidores com sua narrativa. Em exploradoras de capital aberto é comum terem anualmente uma rodada de investimento com os chamados 'private placements', diluindo os acionistas.
10/18: É cômodo fazer parte do management de sua própria empresa e ir sangrando o caixa da mesma para pagar seus salários. Ou seja, mesmo que nunca produza, o retorno para o manager é garantido. E quando acaba o recurso, basta emitir mais ações.
11/18: É importante detectar quais são as empresas sérias e as empresas picaretas, com promoters em vez de bons managers. É um pouco difícil, mas há alguns indícios e seguem algumas dicas.
12/18: a. Tente conhecer o management. São pessoas com expertise para levar o projeto adiante, com um bom tracking record, ou parecem ser aventureiros no setor?
13/18: b. Vá nos balanços e veja como está sendo usado o dinheiro? Está sendo utilizado majoritariamente para ação de exploração/desenvolvimento, ou estão sendo usados para pagar as contas de management (salários), pseudo-consultorias e publicidade?
14/18: c. O que as campanhas de perfuração nos dizem? Estão realmente desenvolvendo o projeto, identificando novas áreas de mineralização? Estão apresentados os dados de todos os buracos perfurados ou seletivamente mostram apenas os mais atrativos?
15/18: d. São campanhas reais ou para news release. Por exemplo, se um buraco mostra boa mineralização, se quiser gerar uma boa notícia é só perfurar perto. Ou está expandindo outras áreas de forma a aumentar a área da descoberta?
16/18: e. Skin in the game: qual é a participação do management na empresa? E como se deu isso, por ações e warranties como compensação, ou está comprando no mercado e a que preço?
17/18: Bem, exploradoras são difíceis de analisar, mas um começo é tentar separar as que tem apenas uma narrativa daquelas que tem bons fundamentos.
18/18: Exploradoras bem escolhidas podem se mostrar 10, 20, 50-baggers, com uma convexidade interessante nos investimentos, e tentar achar a próxima mina não difere muito de tentar descobrir a próxima tech que vai dar muito retorno.

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4 Jun
1/16: Falando sobre empresas - UEX Corporation (TSE: $UEX - OTCMKTS: $UEXCF), o que esperar no 18 de junho de 2021 e porque devo acompanhar de perto minhas ações. #U3O8 #uranio
2/16: A UEX é uma empresa canadense, com projetos majoritariamente no Athabasca Basin. Para quem não conhece, o AB é como se fosse a Arábia Saudita para o Urânio. Tem as maiores reserva do minério e com maior grade.
3/16: Enquanto a concentração de U3O8 em projetos ao redor do mundo raramente excede 0,5%, os projetos no AB possuem grade geralmente entre 2 e 20%.
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31 May
1/16: Tipos de mineradoras. Falar sobre os tipos de mineradoras: as majors, as juniors (exploradoras, desenvolvedoras e produtoras) e empresas de royalties/streaming. Esse tweet é interessante para os novos no investimento em mineração, seja no urânio, seja em outros metais.
2/16: As majors são as blue chips da mineração, geralmente large caps do setor. São responsáveis pela maioria do minério de fato produzido, possuindo escala e múltiplos ativos, além de menor custo de capital.
3/16: Exemplos de majors: Vale, BHP, Rio Tinto, Barrick gold, Anglo American, Newmont Goldcorp, Glencore, entre outras. Na mineração de urânio temos duas de capital aberto, a Cameco e a Kazatomprom, que juntas costumavam ser responsáveis por quase metade da produção mundial.
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30 May
1/20: Sprott e Uranium Participation Corp (UPC). Alguns comentários sobre a importânia desse movimento. #uranio #U3O8 #UPC #Sprott $SUPT
2/20: Bem, final de abril, a Sprott anunciou que iria assumir a gestão da UPC, as ações entraram em um discreto rali, aumentando ~20% desde então ($URNM subiu 18%), mas parece que a maioria das pessoas com quem converso não entendeu bem o significado e pq fiquei tão animado.
3/20: A Sprott é uma gestora especializada em natural resources, possui mais de USD 17bi sob gestão. Foi um player importante no ciclo passado do urânio, conhece bem o mercado, e possui participação em várias junior miners do setor.
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28 May
1/6: Nunca fui um social media guy, mas o pessoal tem pedido para ser um pouco mais ativo no twitter, em especial devido a visibilidade maior que o Urânio tem recebido recentemente. Nesse tweet, vou tentar ajudar e comunicar de forma leiga do que se trata a tese. #uranio #U3O8
2/6: Urânio é basicamente energia elétrica, fora disso, qualquer outra utilização é irrelevante na economia e deixamos isso para a ficção científica. Energia nuclear representa 20% da eletricidade dos EUA, 70% da França e 11% do mundo. É uma fonte 24/7, sem emissão de CO2.
3/6: Quando falamos em tese de urânio, estamos falando da mineração da commodity (o U3O8). O que dita o preço de uma commodity é a oferta e procura. Para o preço subir não precisa necessariamente que se consuma mais, apenas que se produza menos.
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