Corinthians e Flamengo se enfrentam hoje em situações distintas. Enquanto o rubro-negro é um dos favoritos ao título e vive um início arrasador do novo treinador, o time paulista patina e o trabalho parece não evoluir.
Mas tem uma estatística que, para mim, dá o tom do jogo...
A gente sabe que o futebol hoje é muito baseado na marcação-pressão. Um eterno jogo de gato e rato, sobre pressionar e fugir da pressão.
Cada vez que um time sobe em bloco para pressionar sem bola, o @InStatFootball marca como uma ação de "pressing".
E é comum olhar para os times que mais pressionam no campeonato — e para os que fazem isso de maneira mais eficiente.
Mas é raro olhar ao contrário: quantas vezes o adversário sobe para fazer uma marcação-pressão?
Pois bem.... Corinthians e Flamengo estão juntos nessa.
São os dois times mais "pressionados" pelos adversários no campeonato!
Mas me parece que os motivos são diametralmente opostos.
Primeiro, o Flamengo é o time com mais posse no BR21, portanto há mais oportunidades para o adversário tentar pressionar.
Mas mesmo ajustando pela posse de bola, o time ainda está entre os mais pressionados, o que é bastante contra-intuitivo.
Acontece que o Corinthians tem dificuldades de sair tocando lá de trás e criar perigo — e os adversários pressionam justamente para explorar esse problema.
Quanto mais pressionada é a saída de bola, menos perigo o Corinthians consegue criar lá na frente.
O Fla, por sua vez, costuma enfrentar retrancas e tem a melhor saída de bola do país, mas criou ao longo do tempo mecanismos muito bem coordenados para atrair os adversários. Armadilhas que fazem o outro time sair da trincheira e abrir espaços nas costas.
E a prova disso está em outro número: a eficiência.
Mesmo sofrendo o maior número de "pressings", o Flamengo é o time que MENOS entrega a bola nesses casos, enquanto o Corinthians é o que MAIS entrega.
O jogo hoje pode ter várias chaves, mas essa me parece ser a maior. O Flamengo vai sair para pressionar e matar a saída de bola do Corinthians? Vai conseguir atrair o Corinthians para abrir espaço?
Conversei muito com o pessoal do @sccpscouts sobre esse e outros detalhes. Dá o play lá!
Hernán Crespo disse que o resultado não refletiu exatamente o que foi o jogo. Sejam sinceros… Em parte, ele está certo. Mas apenas em parte...
Afinal, o Flamengo fez cinco gols: três bolas paradas, um chutaço de fora da área e um gol contra.
E quantas vezes a gente não ouviu que “o time estava bem, mas aí tomou um gol de bola parada” como se esse momento fosse “à parte”, quase fora do jogo de futebol?
É verdade que o futebol permite que um time jogue mal, fique acuado e marque um gol do nada. É a tal “bola vadia”. E é verdade que muitas vezes ela toma a forma de uma bola parada, um chutaço de fora da área ou um gol contra.
Todo gol no futebol é cheio de detalhes. O gol do São Paulo contra o Flamengo no domingo foi decidido por um detalhe pequeno, mas crucial: uma olhadela para o lado no momento errado.
Gustavo Henrique acabou perdendo Arboleda de vista e, quando achou, era tarde demais.
Essa, inclusive, é uma dificuldade antiga do zagueiro — ponto que ele trabalhou e melhorou nos últimos meses, mas às vezes ainda perde a referência.
Há quase dez anos, meu trabalho principal é com financiamento coletivo. Vivi de dar cursos, palestrar e criar conteúdos sobre isso.
A gente sempre usou muitos exemplos para ilustrar os pontos e há uns cinco anos passamos a falar sempre de uma campanha...
Era uma campanha pequena, nada histórico naquele ecossistema borbulhante do crowdfunding. Mas era a essência do que aquele movimento representava pra gente: pessoas comuns de vários lugares se juntando para ajudar uma menina que andava de skate vestida de fada no Maranhão.
A meta foi batida, o dinheiro foi arrecadado, Rayssa foi pro campeonato, ganhou a categoria infantil e, nesse meio tempo, aquele vídeo chamado "Rayssa Leal num heelflip irado" viralizou.
O Flamengo tomou um gol absolutamente bizarro ontem. O tipo de erro que poderia custar caro.
Para além do erro final — o passe para trás e a cavadinha do goleiro —, que vai repercutir e gerar discussões, acho importante olhar um erro anterior...
Está tudo no vídeo... Depois de roubar a bola, o Fla usou Diego Alves para ganhar tempo e se organizar. A partir dali, usou um passe por dentro para abrir espaço e atrair a marcação. Tudo perfeito no primeiro momento, até que decidiu repetir o movimento.
O erro final é impossível de justificar. Mesmo com a escolha ruim no segundo momento da saída, dava para ter se livrado da situação sem levar gol. Foi uma jogada simplesmente bizarra, que tem a ver com foco e concentração — e ainda bem que o time não sofreu muito depois.
O Flamengo garantiu a vitória por 1x0 na Argentina e trouxe a vantagem na Libertadores para o jogo em casa. Dever cumprido na estreia do técnico Renato Gaúcho.
Ainda é muito cedo para avaliar profundamente o trabalho, mas podemos começar a formular algumas perguntas.
Qualquer análise deve partir do contexto. Renato Gaúcho não encontrou no Flamengo uma situação muito favortável logo de cara.
Jogar na Argentina já é difícil, o DyJ é um adversário bem treinado e Beccacece conhece o Fla — foi o responsável pela eliminação na temporada passada.
Além disso, o time estava desfalcado e vem em um momento ruim — tanto em termos de desempenho quando de resultado.
Com tudo isso, a vitória foi enorme e não deve ser subestimada. Pelo contrário, precisa ser muito celebrada!