Vinícius Borges Profile picture
Médico infectologista que estuda sexualidade, envelhecimento e saúde LGBT. 🏳️‍🌈 CREMESP 202.114 RQE 76.676. Consulta online/presencial no link 👇🏽

Sep 27, 2020, 14 tweets

A libido, suas alterações fisiológicas e o transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH).

O impacto da indústria pornográfica, da cultura dos excessos e da autocomparação.

Puxe o fio 👇🏽

Mildred Ratched, me ajuda aqui.

Uma das perguntas que mais recebo neste planetinha inebriado pela cultura pornográfica, pela cultura dos excessos e da autocomparação, é sobre quando a FALTA DE VONTADE de fazer sexo torna-se um problema.

Sim, a libido tem a ver com o desejo, não com ‘ereção’ e está ligada à uma gama extensa de fatores. Pra começar, pode-se dizer que abordar alterações da libido em pessoas com ovários e pessoas com testículos é completamente diferente. Realmente o aparelho hormonal-

reprodutor ‘feminino’ é ainda mais delicado e, histórica e culturalmente, mulheres são expostas à muito mais repressão, estressores, violências e iatrogenias ao longo da vida.

Em resumo, pode-se dizer que o desejo sexual pode naturalmente diminuir ao longo do tempo ou mesmo em

certos períodos. Uso de medicações (antidepressivos principalmente), doenças crônicas (cardíacas, renais), abuso de substâncias, alcoolismo, depressão, ansiedade e alterações hormonais estão entre as principais causas. E, muitas vezes, são várias juntas.

O problema é quando começa a impactar na sua qualidade de vida. Não adianta você querer sentir o mesmo desejo sexual que você talvez sentisse aos 18 anos, não que envelhecer signifique perder a função sexual, mas precisamos entender que até as maneiras de vivenciar nossa

sexualidade e afetividade se transformam.

Não se compare! Tem gente que transa uma vez por mês e tá ótima. Tem gente que transa 3x por dia e está esfolada. Feliz, mas esfolada. Tem pessoas assexuais, que NATURALMENTE não sentem (ou sentem pouco) desejo sexual, seja por homens

ou mulheres, e estão bem também. E não quer dizer que não possam sentir atração afetiva.

Há uma entidade chamada TDSH (transtorno do desejo sexual hipoativo) que é caracterizado como falta ou ausência de fantasias, desejos ou atividades sexuais. Para que isso seja considerado

um ‘distúrbio’, ele deve causar acentuado sofrimento ou dificuldades interpessoais e não ser melhor explicado por outro transtorno mental ou físico, uso de uma substância, legal ou ilegal, alguma outra condição médica ou assexualidade.

Simplesmente ter menos desejo do que o

parceiro não é suficiente para um diagnóstico de TDSH. Um desejo sexual constitucionalmente baixo por si só não equivale ao TDSH.

Existem vários subtipos desse transtorno: falta de desejo em geral (falta total e generalizada de desejo sexual) ou circunstancial (falta seletiva

de desejo sexual, por exemplo, pelo parceiro atual). Esse transtorno pode, também, ser adquirido (iniciado após um período de funcionamento sexual normal) ou congênito (a pessoa sempre teve um baixo desejo sexual ou não chegou a tê-lo de todo).

Ou seja, se você exclui as outras causas, acredita que não é apenas uma alteração fisiológica e se sente incomodado, pode haver sim a possibilidade de haver alguma necessidade de intervenção. Geralmente os tratamentos são a base de psicoterapia, avaliações clínicas e até

uroginecológicas. Então vale a pena procurar ajuda.

O que não vale é achar que você é uma máquina de sexo, que deve reproduzir o que a indústria pornográfica nos joga ou achar que deve sentir tanto tesão quanto seus parceiros, amigos ou pares. Você é única,

com uma sexualidade única.
A única regra é sempre o seu bem-estar. Nunca foi sobre quantidade.

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