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Rui Silva @rpsilva
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Bruno de Carvalho chegou ao Sporting no período mais difícil do clube. Chegou cavalgando uma onda de messias, justificada em parte pela forma como apareceu em 2011 e pela polémica dos resultados. O trabalho que fez de recuperação do clube foi notável e com fases segmentadas
mas os sinais de alerta sempre estiveram lá. Eram perfeitamente toleráveis na altura - por muito que hoje se queira passar uma imagem que sempre se soube que iria acabar assim - mas existiam. Nas duas vezes que estive pessoalmente com ele (fora conferências de imprensa mas ambas
em contexto profissional) percebi duas coisas que poderiam vir a ser problemáticas: a obsessão pelo controlo e a dificuldade em aceitar/debater opiniões contrárias. O contexto da época - bem como a pressão da revolta associativa - fez com que partisse para um caminho justiceiro
de esclarecimento do passado. Durante este período, e em todos os que se seguiram, falhou sempre no mesmo sentido: alienou muito mais do que aglutinou. Generalizou, criando inimigos onde não precisava, anulando hipóteses de pontes com eventuais aliados no futuro
Chegado a 2018, com trabalho palpável evidente em inúmeras áreas que deverá continuar a ser reconhecido, sentiu-se cada vez mais pressionado. Falhou em fevereiro, ao forçar um braço-de-ferro desnecessário, mas errou ainda mais em abril ao alienar o maior ativo do clube
Não estava a governar para as massas, estava a governar para franjas, para grupos de adeptos que sempre o apoiaram desde 2011 e que sempre manifestaram ideias mais revanchistas e radicais. A crítica pública despropositada aos jogadores - e toda a novela que se seguiu - foi também
Uma forma de defesa. De afastar as atenções sobre si e querer passar uma mensagem de que estava tão incomodado com os resultados como os adeptos. Foi aí que perdeu o controlo, mesmo que precipitado por problemas pessoais que lhe poderão ter toldado o raciocínio.
As semanas que se seguiram foram uma dádiva que não soube aproveitar. As vitórias no futebol seguiram-se, foi campeão no voleibol e no andebol e, durante esses triunfos, dizia cá em casa que, a cada segundo de projeção televisiva, recolhia apoio que tinha perdido com Madrid
O dominó caiu com o dérbi. O Sporting falhou o segundo lugar, o comportamento dos jogadores e de JJ foi atacado pelo mesmo núcleo de adeptos e as ações do presidente foram o prolongar desse descontentamento. O que terá mesmo acontecido e o que terá mesmo sido dito não é possível
De provar neste momento mas o que se percebe é que agravou o alienamento ainda mais acentuado do plantel. O episódio da Academia foi a gota de água e provocou o início de um descalabro impossível de controlar. BdC nem pareceu ter feito o possível, talvez toldado pelo ego do
Conflito passado com os jogadores. Foi pouco contundente na sua defesa, no repúdio ao que se passava. Quando estava obrigado a ter uma intervenção perfeita, falhou. E ninguém o conseguiu ajudar. Os inimigos que tinha criado ao longo dos anos cheiraram o sangue e aproveitaram
A imprensa que tinha alienado, cada vez mais com o passar dos anos, juntando tudo no mesmo saco, não lhe fez favor nenhum e conseguiu empolar ainda mais o que se passava. Os alvos da sua lista negra sentiram legitimidade para reaparecer e vingaram-se. Cada vez mais só, foi buscar
Apoio a figuras estranhas que prejudicaram mais do que apoiaram. Tornou-se uma figura tóxica e muito do apoio que manteve resulta da forma legítima como muitos viram quem aparecia para atacar e de que forma atacava. Hoje, os dois lados de apoios estão ainda mais extremados
Insistem em ver a coisa a preto e branco. Quem o defende, parece achar imponderável q alguém tenha votado pela destituição por se ter sentido traído, por achar que a imprevisibilidade das suas ações poderia não ter atingido ainda o seu grau máximo. Quem o ataca, exceptuando quem
Está atrás de vingança, sente-se atraído para responder na mesma moeda com o radicalismo de opinião. Num assunto sério, e muito grave para o clube, infantilizou-se a discussão e ridicularizou-se a opinião. Quem o defende, recusa-se a aceitar que os 71% dos votos são também
resultado das ações de Bruno de Carvalho. Que é ele o principal responsável e não a imprensa, as mentiras ou os jogadores. Não está isento de responsabilidades e mesmo sendo completamente inocente do ataque a Alcochete, isso não apaga a forma como alienou jogadores e contribuiu
Através das suas declarações à deriva para que os adeptos sentissem desconfiança. A luta pelo poder existe.
Foi incómodo, mexeu com o poder instalado e foi atacado como cadáver por quem quer recuperar o poder.
Mas a sua responsabilidade também existe. Ser vítima desse ataque
Não o iliba dos erros que cometeu e da espiral negativa em que se afundou, com ações e declarações. São os dois lados da moeda que muitos se recusam a ver, que muitos continuam a querer defender apenas um lado de forma radical sem entender o outro lado.
O Sporting era um clube de fações em 2013 e continua a sê-lo em 2018. Tem mais adeptos, tem mais títulos, tem um pavilhão e tem trabalho feito, mas continuará a ter (e o futuro não parece nada amigável) grupos de apoio a extremarem-se. Um dia poderá rebentar
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