Soul foi um dos melhores filmes que assisti recentemente. Há muitos símbolos e imagens na animação, mas a discussão sobre propósito da vida é a mais bonita de todas.
Não é um filme sobre morte, mas sim sobre a vida. Joe Gardner achava que sua vida tinha um único propósito e, por um instante, somos levados a acreditar que perseguir esse propósito é o que daria sentido a ela.
Mas o filma avança para mostrar que o propósito da vida de Joe havia se tornado uma ideia fixa a ponto de ele ignorar a... própria vida.
Os objetos que a 22 havia deixado no bolso do Joe representam isso: o pirulito que lembra Joe do seu amigo barbeiro com quem só falava sobre Jazz. O bagel que o lembra da beleza da música no metrô.
O rolo de linha que o lembra do amor de sua mãe. A fatia de pizza que lembra dos prazeres da comida e o que acredito ser uma asa de inseto que lembra das belezas do mundo -- como o céu e as árvores.
A cena do barbeiro, entre essas, é a melhor: Joe diz que ele era a única pessoa com quem conversava (apenas sobre jazz), e que o propósito do seu amigo era ser... barbeiro.
Mas quando a 22, no corpo do Joe, resolve conversar de verdade com o amigo barbeiro, descobre que ele não queria ser barbeiro, que queria realmente era conversar sobre outras coisas (e não sobre jazz) e que não era triste por não ter se tornado aquilo que queria ser.
Joe não sabia nada disso porque não havia se permitido aproveitar aqueles momentos para não falar de Jazz. A partir daí, todas as demais interações sociais de Joe ganham uma nova dimensão.
22 representa bem a ideia de que a vida é feita de mais coisas do que uma missão. Caminhar e olhar o céu, como dizia Joe, não é um propósito, é apenas "a vida".
O filme mostra, contudo, que, se a 22 parecia não ter um "propósito", Joe não tinha uma... vida. Ou pelo menos não percebia os momentos marcantes e cheios de significado que sua vida lhe dava.
Há muitas camadas e muitas sutilezas, inclusive filosóficas, em Soul. Mas fiquei impressionado em como essa mensagem, construída de modo tão bonito, me marcou. Recomendo muito!
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O fio do Felipe Neto é um bom resumo do que muitas pessoas acham sobre a exclusão das contas de extrema direita. Só tem um problema: a decisão não tem a ver com praticamente nada daquilo.
1) As contas não foram excluídas por violar políticas do Twitter. Elas foram excluídas no âmbito do inquerito das fake news que tramita no Supremo. O Twitter cumpriu a decisão judicial. Não tem a ver com suas políticas de uso.
2) A coleção de tuítes bizarros feitas pelo Felipe Neto revela o estado deplorável dessa direita, mas não tem a ver com o inquérito. Tuítes sobre cloroquina ou fake news sobre Black Lives Matters não são objeto de investigação no STF.
A divulgação científica não é uma atividade simples. Ela exige preparo e também responsabilidade. O papel do divulgador não é só dizer “estudo X concluiu que Y”. Seu papel é dizer qual o tipo de estudo, quais os limites da conclusão, quais os problemas, erros etc.
Não dá pra querer ter os bônus de ser o maior divulgador do Brasil sem os ônus e responsabilidades que isso traz. E a principal responsabilidade é apresentar conclusões e modelos com as limitações envolvidas nessas conclusões e modelos.
E também não dá pra dizer que só está “reportando” um resultado quando o contexto todo sugere mais do que isso: a aceitação do modelo como um bom modelo (lembram da resposta de que quem critica “tem que apresentar um modelo alternativo?”), da confiabilidade da previsão etc.
A Constituição menciona, no art. 5º, XI, que a “casa” é asilo inviolável. O conceito é interpretado de maneira ampla apenas pra abranger “qualquer compartimento privado não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade” (HC 93.050, rel. min. Celso de Mello).
É óbvio que a exigência de uso de máscaras em comércios e templos não viola o domicílio porque esses são espaços privados, mas abertos ao público.
Uma analogia é suficiente. Na Lei das Eleições (lei 9.504/97), há proibição de veiculação de propaganda política de *qualquer natureza* nos bens de uso comum (art. 37). O § 4º explica o que são esses bens:
Eu havia decidido parar de falar de COVID-19 por pura fadiga mental. Mas há algo que talvez seja importante considerar: passou da hora de admitirmos que não há mais sentido debater quarentena x retomada. Na prática, não há mais quarentena e, dificilmente, ainda haverá.
Estamos com 60 mil mortos e não são só políticos que desistiram de manter medidas restritivas: as pessoas também desistiram. Um dos melhores textos que li sobre o tema - do @ThomasVConti - falava do perigo de um lockdown endógeno. O Brasil, parece, segue outra lógica.
O lockdown endógeno se baseava na premissa de que “a grande maioria das pessoas não aguenta ver a quantidade de mortos por dia que a pandemia tende a criar na sua velocidade máxima e seguir uma “vida normal”” (citação do @ThomasVConti).
Se você leu o How to take smart notes e, assim como eu, foi influenciado pelo sistema de notas, deve estar em dúvida sobre como implementá-lo. Eu uso o @RoamResearch pra isso, mas é pago e salgado. Mas há uma alternativa grátis usando uma ótima ferramenta: o @NotionHQ
Um exemplo: criei uma página de notas, com três databases (Autores; Notas de Leitura; Notas Permanentes). Gosto de usar uma base só para Autores para organizar todo material que eu tenho de um único autor (vocês vão entender).
O segredo pra implementar o sistema é utilizar bases de dados linkadas (linked databases). Com isso, você consegue relacionar duas notas em bases de dados diferentes ou na mesma base de dados.
Uma das melhores formas de você se situar no debate acadêmico, e assim encontrar algum ponto que pode explorar na sua pesquisa, é acompanhar o diálogo entre os diversos artigos na sua área. Você pode fazer isso manualmente, ou...
Quando você está começando a pesquisa, um trabalho difícil é identificar o que é importante ler e o que não é. Uma boa sugestão é pedir recomendação de três textos básicos para seu orientador e, a partir daí, explorar as referências de cada um.
Se, por exemplo, os três textos básicos mencionam o mesmo artigo de um autor X, você anota aquilo porque deve ser importante. Quando você ler esse texto, verá outras referências, e daí você vai anotando e criando uma rede de relações.