Sempre conto por aqui que cresci tendo medo de travestis.
O Brasil é um país tão desigual e transfóbico, que coloca as travestis no lugar do "velho do saco" ou do "bicho papão". Quando me tornei uma travesti, entendi a importância de respeitar as diferenças.
Nós não precisamos ter vergonha de falar sobre isso, gente.
Nós devemos ter vergonha de acreditar que essa construção é uma verdade, quando não passa de uma projeção de uma sociedade que é violenta com determinados grupos.
Eu sempre converso com minha irmã sobre a importância de dizermos para a minha sobrinha que o mundo é diferente e plural.
Se eu não quero que minha sobrinha seja transfóbica, precisamos trabalhar para desmitificar as crenças que são transfóbicas.
Quero dizer: não tenha medo de falar para o seu filho "respeite as pessoas. Respeite as pessoas trans e travestis".
Não existe problema algum nisso. É parte de um processo de construção da dignidade da pessoa humana. A criança precisa saber.
Deixe a criança questionar você sobre o que é uma travesti e responda como responderia qualquer outra pergunta.
Não tem bicho de sete cabeça... e se tiver, trabalhe isso consigo e com ela. E tá tudo bem.
As crianças precisam saber que existem travestis.
Viver sabendo disso é um passe importante para não criarmos mais tantas outras gerações de crianças que podem se tornar adultos transfóbicos.
Converse. Mostre. Reflita. Aprendam juntos a respeitar as travestis e pessoas trans.
Tô compartilhando isso porque eu recebi uma mensagem onde uma moça perguntava sobre como falar das travestis para a filha dela.
Fiquei pensando e respondi algo como: "de uma maneira respeitosa e gentil, para que a sua filha entenda e respeite todas elas. Não tem segredo."
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Respeito e admiro o trabalho desenvolvido pela ANTRA. A dimensão é imensurável, não tenhamos dúvidas.
Contudo, precisamos tomar cuidado com algumas criticas que fazemos. Ainda bem, nem tudo na vida precisa ser sobre pessoas trans e travestis. A foto do Lil Nas X, não é.
O Lil postar uma foto produzindo uma ideia de "gravidez" não significa romantizar processos de maternidades que são vivenciados por pessoas que engravidam.
São duas coisas diferentes.
Digo que precisamos ter cuidado para não esbarrarmos em um tom "equivocado" sobre o que compreendemos enquanto político e arte.
O que são as drags e as potências que elas rompem quando pensamos as barreiras do que entendemos enquanto "gênero"?
É que tem pergunta sobre frase da Chimamanda em camisa da Dior e na música da Beyoncé, mas não tem pergunta sobre os frequentes posicionamentos transfóbicos da autora.
Isso diz muito sobre como olhamos para as travestis. #RodaViva
Acredito, de fato, que quase todas as mulheres da bancada não sabiam desse olhar transfóbico da Chimamanda. São "pouquíssimas" as notícias sobre tal em veículos de grande circulação. Minha intenção não é desqualificar o debate de hoje, ele foi/é importante, mas de ampliá-lo.
No Brasil, mulheres negras cisgêneros estão abrindo muitos caminhos para mulheres trans e travestis negras. Talvez, por isso, estávamos esperando algo. E digo no sentido crítico, não de cobrança. Contudo, a entrevista foi gravada, e elas acabaram não vendo nossos questionamentos.
Vocês nem imaginam como tem sido um desespero para MUITAS nordestinas ter que entender que NÃO teremos São João.
Não imaginam.
Sem fogueira... sem milho cozido... sem quadrilhas juninas na rua... nenhuma amiga se arrumando para ir aproveitar o dia de Santo Antônio... tudo isso poderia tá acontecendo se já estivéssemos vacinadas, pense no ódio!
Dois anos sem São João, gente.... não tem nordestina que aguente! É babado.
Sim: comumente, Chimamanda é chamada de transfóbica por conta de alguns posicionamentos que escolheu ter.
Por muito tempo, questionamos o mito do sujeito universal. Quando Chimamanda falou sobre o processo de socialização das pessoas trans, falou como se fôssemos todas iguais.
Não somos iguais, e Chimamanda sabe disso. Nem mesmo os processos de socialização entre mulheres cisgêneros são iguais: raça, região, deficiência, classe social, religião.... São ALGUNS dos marcadores que, fundamentalmente, criam diferentes possibilidades de mulheridades.
Não costumo ver mulheres trans e travestis negando especificidades nas nossas construções ou nas construções sociais de mulheres cis. Existem diferenças, mas como pontuamos essas diferenças é importante para estabelecermos um pensamento crítico.
A diferença entre o termo “trans” e “travesti” não está APENAS na força da palavra.
Eu não conheço a moça que gravou o vídeo, mas existem diversos equívocos e vou apontar alguns deles.
1. Travestis não são mulheres trans que foram marginalizadas.
2. Ao afirmar isso no vídeo, ela desconsidera o processo histórico do movimento social organizado de travestis no Brasil.
Ainda que não tenha sido com essa intenção, acredito que é necessário entender que a identidade travesti tem história. Ela não surge do “nada”.
Desde 1979, o movimento social organizado de travestis materializa a necessidade de organização e mobilização para pensar políticas públicas no Brasil.
JK Rowling, mais conhecida como "autora de Harry Potter", é uma transfóbica assumida. Acabou de revelar que, em seu novo livro, terá um "homem que se veste de mulher para matar". Corroborando e reiterando um imaginário social de mulheres trans e travestis como criminosas.
O que essa mulher está fazendo é inadmissível! Usando o lugar de destaque e de grande repercussão que tem para criminalizar vidas trans/travestis. Sabe muito bem como operar com tecnologias e dispositivos que precarizam, mais ainda, identidades trans e travestis. Ela é perversa.
Não existe cancelamento de JK. O que ela está fazendo é criminoso. É um investimento no que Foucault chamaria de "biopolitica". Um processo de regulação do que se compreende enquanto travesti e pessoas trans. Ou melhor: uma projeção desses sujeitos como assassinos.