No 7ª mora uma família bem legal e lá tem uma criança, amiga dos meus filhos, a Lívia.
Eu conheço a Livia, a família dela, já fomos em aniversários, ela já veio em casa.
Mas bem, sou eu…
Hoje de manhã, levando Íris ao colégio, entrei no elevador e estavam lá uma senhora e seu filho.
A senhora olhou de forma terna para Íris e, delicadamente, faz carinho em seus cabelos.
Íris, sempre comunicativa, se virou para ela e disse:
- Oi, sou a Íris.
A senhora então respondeu:
- Eu sei, sempre vejo tuas fotos.
Ao que me espantei:
- Onde a senhora vê fotos da Íris?
- Meu filho, sou avó da Lívia.
- Avó da Lívia!? MEU DEUS, então somos parentes!
A mulher e o filho riram meio sem entender, mas confirmaram.
Sai do elevador emocionado imaginando que, durante tanto tempo, a avozinha da minha esposa, a Lívia, morasse ali, tão pertinho de nós, e nunca tenhamos sabido disso.
Meu coração era só ternura e sentimentos maravilhoso de reencontro.
Quando cheguei em casa, contei a novidade.
- AMOR VOCÊ NEM SABE DESCOBRIR QUE SUA AVOZINHA MORA AQUI NO PRÉDIO
- Fernando, como assim?
- SUA AVÓ TODO ESSE TEMPO AQUI DO NOSSO LADO AMOR, NOSSOS PARENTES
- Fernando, temos 9 anos de casados. Tu sabes que minhas avós já morreram…
- Mas… mas… mas… ela disse que conhece a Íris, que vê várias fotos dela, que é tua avó, falou sou avó da Lívia…l
Sem saber quem poderia ser, ficamos encucados e fomos pesquisar.
Lívia mandou mensagem para a mãe perguntando por todas as amigas da avó.
Minha sogra até chorou achando que alguma delas tivesse morrido, e por aí vai, até que, vindo ao trabalho, perguntei ao porteiro quem era aquela senhora que tinha descido comigo no elevador anteriormente.
O porteiro:
- Ela é avó da Lívia, Fernando.
Novo susto!
- ALAN, TU SABIA ESSE TEMPO TODO QUE ELA ERA AVÓ DA LIVIA E NUNCA FALOU NADA!?
- Como assim…?
- Só hoje fui saber que ela é avó da Livia. Porra, to emocionado, cara!
- Mas tu conheces ela…
- Conheço?
- Sim, ela até foi no aniversário da Íris!
Nessa hora eu tava assim
- Alan, a avó da Lívia foi no aniversário da Íris e nós não sabíamos que ela era avó da Lívia!?
- Fernando… é a Lívia amiga das crianças, não a Lívia tua esposa… ela é avó da Lívia, do sétimo andar.
- …
(momentos depois)
- Amor, sabe a sua avó? Pois então…
(E minha esposa está até agora rindo da minha cara 🥸)
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Hoje ouvi uma história que, a meu ver, representa perfeitamente o abismo existente entre classes sociais no Brasil - que só fica mais profundo.
A rodovia PA-475 começa em Abaetetuba e vai até Goianésia.
Na prática, é a rodovia que faz a ligação entre Belém e Tucuruí.
No meio dessa estrada existem diversos municípios, alguns maiores, como Abaetetuba, Moju, Tailândia, Tucuruí e Goianésia, e outros tão pobres que nem sei como o povo sobrevive.
É normal vermos pessoas esperando transporte na beira da PA-475 - seja pago, seja carona – e algumas pessoas sempre dão carona.
Dentre eles, o pai de uma advogada que trabalha comigo. Ele tem uma fazenda em Tailândia e sempre transita pela PA-475.
Conheci Diana em 97, em uma festa na casa de amigos em Manaus.
Tínhamos alguns poucos conhecidos em comum e acabamos rindo juntos, dançando a noite toda, nos beijando e, imediatamente, ficamos profundamente envolvidos.
A Diana era cearense, Tenente do Exército, e tinha acabado de chegar a Manaus, transferida por necessidade de serviço.
Como ela começava nova vida na cidade, acabamos ficando cada vez mais próximos e vivemos, de fato, momentos maravilhosos juntos.
Mas nem todos.
Teve um dia que Diana, já mais ambientada no local, já com alguns amigos pelo quartel, me convidou para um churrasco.
Seria na casa de um Major "gente fina", cara bacana mesmo, numa casa bonitinha dentro de área militar.
Como era de se esperar, sem ter nada contra, fomos.
Era 25 de abril de 1977 quando Apolinário, 31 anos, Firmino, 38, o primo deles, Aureliano, 36, e um amigo, José Sousa, 22, resolveram sair de São Luiz, capital do Maranhão, para ir até a Ilha dos Caranguejos, na Baixada Maranhense, para coletar madeira.
Eles sempre faziam aquele trajeto e, daquela vez demoraram o dia todo para conseguir a quantidade que precisavam.
Por volta das 18 horas resolveram parar, mas tinham um problema: por conta da maré, teriam que esperar até meia noite para poder voltar.
Sem nada para fazer, os 4 homens se acomodaram no barco pequeno e dormiram, esperando acordar por volta da meia noite, mas, sem qualquer razão aparente, nenhum deles acordou na hora marcada.
Na verdade, as coisas saíram totalmente de controle.