Esse doguinho apareceu lá no meu trabalho, junto com uma irmãzinha, sem a mãe, sem nada.
Arrumamos lar para ela, mas esse bandido roubou meu coração.
Na hora, só consegui pensar no sonho do meu afilhado: ter um cachorrinho.
Dia das Crianças chegando, tratei de falar com minha irmã, que prontamente autorizou, mas a coisa não foi de todo tranquila.
Hoje o infeliz fugiu e foi resgatado, perdido e zonzo, debaixo de uma barraca na Ponte do Galo.
Quando me viu, correu pro meu colo.
Peguei o pixixito, dei banho, vermífugo, comprinhas no pet e hoje fui entregar ao meu afilhado.
No caminho, o meliante roeu o botão da minha camisa e dormiu que roncou.
E nem imaginava o que o esperava 😍
Um lar, com uma criança encantada esperando por ele e muito espaço para ser feliz.
Nasceu o Loro.
Felipe, coitado, nem acreditava que fosse verdade 😂
Nunca vi meu Pipe tão feliz quanto hoje, ao receber seu doguinho.
Sorriso de afilhado que fez minha felicidade.
E mal imagina esse filhotinho o quanto vai ser amado.
Já se meteram no quintal, Felipe ainda sem saber como brincar com seu broder, Loro, marcando território e descobrindo a bola e brincadeiras.
Antes de ir, uma conversa bacana sobre responsabilidades e cuidados, dicas de pet e veterinários ao menino que mal parava quieto, deslumbrado com seu novo amor.
Sei que serão muito felizes os dois, e que seja eterno esse amor.
Conheci Diana em 97, em uma festa na casa de amigos em Manaus.
Tínhamos alguns poucos conhecidos em comum e acabamos rindo juntos, dançando a noite toda, nos beijando e, imediatamente, ficamos profundamente envolvidos.
A Diana era cearense, Tenente do Exército, e tinha acabado de chegar a Manaus, transferida por necessidade de serviço.
Como ela começava nova vida na cidade, acabamos ficando cada vez mais próximos e vivemos, de fato, momentos maravilhosos juntos.
Mas nem todos.
Teve um dia que Diana, já mais ambientada no local, já com alguns amigos pelo quartel, me convidou para um churrasco.
Seria na casa de um Major "gente fina", cara bacana mesmo, numa casa bonitinha dentro de área militar.
Como era de se esperar, sem ter nada contra, fomos.
Era 25 de abril de 1977 quando Apolinário, 31 anos, Firmino, 38, o primo deles, Aureliano, 36, e um amigo, José Sousa, 22, resolveram sair de São Luiz, capital do Maranhão, para ir até a Ilha dos Caranguejos, na Baixada Maranhense, para coletar madeira.
Eles sempre faziam aquele trajeto e, daquela vez demoraram o dia todo para conseguir a quantidade que precisavam.
Por volta das 18 horas resolveram parar, mas tinham um problema: por conta da maré, teriam que esperar até meia noite para poder voltar.
Sem nada para fazer, os 4 homens se acomodaram no barco pequeno e dormiram, esperando acordar por volta da meia noite, mas, sem qualquer razão aparente, nenhum deles acordou na hora marcada.
Na verdade, as coisas saíram totalmente de controle.
Na verdade, por muito tempo me achei absolutamente desprovido de qualquer tipo de coragem, amedrontado pelos cantos escuros de uma casa grande e pouco iluminada, repleta de barulhos que nunca foram bem explicados.
Acabei sendo corajoso quase sem querer, coragem baseada num pacto social silencioso e nunca escrito, por conta dos medos do meu irmão, que eram muitos.
Meu irmão era uma criança amedrontada, que desligava luzes e corria para longe do escuro como se um monstro fosse emergir das sombras e acabar com sua vida.
De noite, ir ao banheiro era medonho; beber água era medonho; buscar algo na sala era medonho.