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Sinceramente, eu não sei o que é mais revoltante em relação a esse editorial do @Estadao @EstadaoPolitica: se o jornal dar -se ao trabalho de escrevê-lo com esse tom jocoso, ao ver que a histeria sistemática que semeou desde o início do Governo Bolsonaro não vingou no mundo real,
ou apenas o fato de ter que pôr um ponto final na própria fantasia que seu corpo editorial alimentou sobre um Enem desorganizado e obscurantista. Era melhor apenas fazer um texto elogioso, mesmo que não chegasse ao ponto de reconhecer ter passado do limite ético da desinformação.
Dada a vergonha alheia, talvez fosse melhor não escrever nada.

Eu, que estudo e comento políticas públicas educacionais de forma comparada - Brasil frente a varios países
desenvolvidos, percebo a pobreza generalizada da cobertura sobre educação na imprensa brasileira, embora reconheça algum aprofundamento nos últimos anos.
Infelizmente, longe ainda de chegar ao nível de seriedade de outros setores como economia, por exemplo. Desde a criação
do Enem, não se viu do veículo, um empenho crítico, nem mesmo realmente analítico, em relação à qualidade das questões e das proposições de redação. Para alcançar capacidade discricionária de cada item, que custa caro aos contribuintes, há características em sua produção que
precisam ser respeitadas, como a identificação clara e irrefutável de apenas uma resposta certa, a mobilização de altos níveis de complexidade cognitiva para respondê-las e NEUTRALIDADE política em seu conteúdo. Os professores de cursinho há anos já vêm orientando seus alunos
sobre a escolha de respostas ou a produção de textos que agradem aos corretores e não as sejam mais corretas ou, PRINCIPALMENTE, mais apropriadas para medir sua capacidade cognitiva e de produção textual. Era essa ideologização das provas e a naturalização de uma pós verdade,
de uma novilíngua, do controle ideológico dos alunos que estava deixando muitos pais e alunos acuados e aflitos. ESSE ABSURDO jamais incomodou ao corpo editorial do Estadão. Estamos assistindo ao suicídio lento da imprensa. Lembremos que ele é uma opção. Apetite por notícias
bem apuradas sobre fatos, opiniões plurais sobre eles e análises aprofundadas sobre temas que interessam aos cidadãos não apenas existe, mas persiste e é cada vez mais forte. Entretanto, há a sensação de ser enganado por uma imprensa outrora poderosa. É esse desconforto que vem
matando a crença em um dos pilares da democracia. Infelizmente.
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