Perceba como pessoas brancas são lidas e se lêem como tais apenas diante de um negro reivindicando sua humanidade.

Quando é posta uma situação de preconceito, o branco se percebe. Se não, ele é só humano.

O (ser) negro, porém, tem a individualidade dos seus atos sempre negada.
A virtude humana é disseminada a partir do homem branco. Ao negro, a possibilidade de absorver e ser, para ser humano, como o o branco.

Veja como pessoas negras foram chamadas de escravas por 400 anos, enquanto os brancos não são chamados de escravizadores.
Perceba como 400 anos de escravidão resumem a história de todas as pessoas negras do Brasil, enquanto o ato de escravizar foi a decisão errada de alguns homens, mas que uma mulher branca boazinha encerrou por já ter durado tempo demais.

Assim ninguém pode falar dos brancos.
Logo, raça é sobre o negro. O branco é humano.

Sem a humanidade inerente à percepção de sua existência, eu sou o negro que está no BBB sendo um mau personagem. A mulher negra aqui fora é a negra que está no BBB sendo abusiva e tendo a incoerência de seus discursos notada.
A mulher branca que saiu do BBB pra delegacia por racismo é apenas aquela mulher. Uma equivocada e preconceituosa que não absorveu a educação dos pais. Uma pena.
Já a Lumena virou apelido, adjetivo e verbo para todas as pessoas, principalmente mulheres negras que atuam em prol de suas causas. E problema seu se você não assiste BBB.
Não contem comigo para propagar algo feito na lógica de um programa de confinamento que põe pessoas para brigarem por 1 milhão e meio de reais como se fosse uma leitura fiel da realidade, o que não faz sentido algum. É um contrassenso em si.

(E isso não é sobre ignorar abusos)

• • •

Missing some Tweet in this thread? You can try to force a refresh
 

Keep Current with Diego Tbt

Diego Tbt Profile picture

Stay in touch and get notified when new unrolls are available from this author!

Read all threads

This Thread may be Removed Anytime!

PDF

Twitter may remove this content at anytime! Save it as PDF for later use!

Try unrolling a thread yourself!

how to unroll video
  1. Follow @ThreadReaderApp to mention us!

  2. From a Twitter thread mention us with a keyword "unroll"
@threadreaderapp unroll

Practice here first or read more on our help page!

More from @ReTintaPreta

21 Dec 20
O "Cala boca, negro" me doeu demais. Chorei com o Gerson, pois não foram poucas vezes que isso ocorreu comigo. Já tive risada como reação de um policial que perguntou minha profissão. Fui desautorizado inúmeras vezes.
Quase todos os meus apelidos da infância eram sobre minha cor.
Eu comprei um novo jogo e tô adorando. Queria escrever sobre ele, gravar podcast, pois é isso que eu gosto de fazer. Mas a minha existência é atravessada diariamente por violências, sejam elas sofridas por mim ou por outros.
Por isso eu escrevo textos sobre raça, por isso eu falo sobre ser negro, pois cresci em um lugar que só existe porque o racismo (pessoas e estrutura) decidiu, e outros continuam crescendo e sofrendo as mesmas violências.
Read 5 tweets
18 Dec 20
Nesse ano assisti à série "Hollywood" e fiquei bem emocionado com a utopia que a série aborda com a história de pessoas negras que lutaram pelo sonho do cinema em plenos anos 50, com pós-guerra e segregação.

Aqui é onde a representatividade me emociona. Aqui que eu gosto de ver. Image
Quando colocamos (além da ficção) a representatividade no topo dos objetivos de luta, caímos na cilada do já batido jargão "pretos no topo", que nos desvia o olhar para entender que contra a opressão ao povo preto, derrubar "o topo" tem que estar no topo para nós, pretos. 🤯
Conquistas individuais, papéis de liderança e espaços de poder ocupados por algumas pessoas pretas podem sim significar alguma mudança conjuntural, mas não estrutural. Por isso "Pretos no topo" não faz sentido.
Read 6 tweets
22 Nov 20
No país que não há racismo e estão tentando o importar pra cá, completam-se hoje 110 anos da Revolta da Chibata.
Marinheiros negros tomam o controle dos mais poderosos navios da marinha e apontam os canhões para a capital do Brasil (Rio) após um marinheiro sofrer 250 chibatadas.
A marinha brasileira, relegada ao abandono após a Guerra do Paraguai, se vê em meio a um Brasil explodindo em revoltas nos primeiros anos da república, desfalcando cada vez mais as forças armadas. Dessa forma, negros e pobres são cada vez mais recrutados para a marinha.
Repleta de marujos negros, a marinha parecia não ter se tocado que a escravidão foi findada 22 anos antes, e importou para si não só tratamento, como condições de trabalho e também castigo semelhantes ao modelo escravista.
Read 11 tweets
20 Nov 20
É parte do projeto desmobilizatório o contato frequente com a morte para a naturalização da mesma.
Eu cresci em uma comunidade onde parte significativa dos garotos que jogaram bola comigo, morreram em esquinas próximas à minha casa. Lá ficavam, e todos nós víamos.
A primeira vez é traumatizante, a segunda também, a terceira nem tanto, até acostumar. Não com a morte, mas com a tristeza, a frequência.
Eu vi primo, tio, amigo, colega, vizinho, todos morrendo nesse projeto que na prática não faz nada além de tirar vidas. Inclusive inocentes...
Esse povo que sofre com a morte, é o povo que não tem tempo pra pensar sobre ela. Precisa sobreviver, e sobrevive no limite. Jornadas imensas de trabalho, salários mínimos, às vezes menos que o mínimo.
É preciso comer. Há bocas para alimentar. Como processar os traumas?
Read 13 tweets
20 Nov 20
Eu queria poder, no #DiadaConscienciaNegra , falar sobre nós. Sobre cultura, arte, poder e legado, e a eternização da nossa história por nós, que sofremos com uma historiografia embranquecida que fez de tudo pra nos apagar.

Mas somos atravessados por Carrefour e mais uma morte.
20 de Novembro deveria ser uma data para exaltar e relembrar Zumbi. Sua figura representando a luta, a resistência e estratégia de todo um povo que foi violentado e escravizado.
Mas, atravessados por mais um assassinato, Não foge à mente como Zumbi foi brutalmente assassinado.
Queria poder falar do samba, da sua identidade, ligação com o morro e seu poder formador da cultura brasileira.
Mas não temos esse direito no dia 20. Somos obrigados a lembrar que o samba denunciou violências, assassinatos e abandono do estado nos morros. Foi a nossa voz.
Read 10 tweets
17 Nov 20
O @pretozeze falou no Roda Viva algo que penso há tempos e me chamou atenção: a falta de análise que gera a fala preconceituosa sobre o voto do povo carioca.

A atuação nas urnas do carioca do subúrbio, da favela, muitas vezes não se trata nem de voto, mas de pequenas conquistas.
O @pretozeze falou coerentemente sobre a atuação e influência de grupos armados.
A presença de tráfico e milícia é sintoma da ausência do estado. E a ausência é total. Presença física, serviços, estrutura.

A mudança de representação no Estado para muitas pessoas nada significa.
Para quem não tem saneamento básico decente e só tem serviços básicos precários (quando não negados), pouco importa o prefeito. Às vezes, importa um pouco, o vereador.
O cara da comunidade que vai botar um poste, fechar um esgoto, inaugurar um campinho de futebol com churrasco...
Read 7 tweets

Did Thread Reader help you today?

Support us! We are indie developers!


This site is made by just two indie developers on a laptop doing marketing, support and development! Read more about the story.

Become a Premium Member ($3/month or $30/year) and get exclusive features!

Become Premium

Too expensive? Make a small donation by buying us coffee ($5) or help with server cost ($10)

Donate via Paypal Become our Patreon

Thank you for your support!

Follow Us on Twitter!