A Nise Yamaguchi é um bom símbolo da intelectualidade de direito dos últimos anos no Brasil. Desde sua origem remota no olavismo, a direito propagandeou que pensadores e pessoas inteligentíssimas eram boicotadas apenas por serem de direito. O resultado está aí.
Ainda hoje alguns conservadores que tentam esconder suas ligações com a origem desses movimentos vendem a imagem do "outsider", da crítica à academia e da existência de uma sabedoria profunda, escondida e ignorada pelo mainstream progressista.
Olavo já espalhava isso quando dizia que "qualquer aluno meu, com três anos de estudo sério, destrói um professora da USP". Os anos se passaram, conservadores se dispersaram, e onde está esse bálsamo de conhecimento?
São médicos, geógrafos, historiadores, cientistas políticos, toda sorte de profissionais sem obra, com ideias esdrúxulas e fora de lugar, mas que se vendem como boicotados ou, pior, como inteligências únicas que não querem se misturar no "meio acadêmico".
Existe vida intelectual fora da academia séria? Lógico que existe. Mas já passou da hora de parar de dar trela para os malucos que, ainda hoje, diante de tudo que já vimos, querem vender a imagem positiva do "outsider".
*de direitA
E não é só nos meios bolsonaristas que isso acontece. Tem muita gente vazia e despreparada fazendo "crítica cultural" com uma empáfia inversamente proporcional ao trabalho que já mostraram.
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Hoje tomei uma decisão importante e contratei um profissional para me ajudar a deixar minhas redes sociais um pouquinho mais organizadas. Já comecei a postar algumas coisas no Instagram, e meu site deve sair em breve (aliás, se quiserem seguir: instagram.com/horacioneiva) +
Confesso que estava um pouco saturado de internet e resolvi, fora meus trabalhos formais, produzir conteúdo que acho legal e possa ser relevante. A experiência de ver alguns seguidores daqui no meu curso sobre o Notion ajudou +
Sei que esse negócio mais “profissional “ fica parecendo meio forçado, artificial ou padronizado. Mas vou tentar escrever e postar sobre coisas que gosto e com material que acho que possa ser bacana de compartilhar +
É muito engraçado como falar de vinhos envolve, sobretudo, um domínio da linguagem. A grande dificuldade é conseguir transmitir, por meio das palavras, uma expressão sensorial, não-linguística e subjetiva.
O problema é quase filosófico: há elementos objetivos, com seus descritores adequados (como acidez, corpo etc.), mas há uma percepção íntima, subjetiva, que nós não conseguimos muito bem transmitir.
Para isso, rola toda tipo de liberdade literária, como descrever um vinho como "elétrico", com "tensão" ou até mesmo "elegante" (que, embora pareça menos literário, não deixa de ser bastante subjetivo).
Um elemento essencial de qualquer sistema de notas ou fichamentos é que todas as anotações devem estar disponíveis para busca com base em seu conteúdo. Em outras palavras: elas devem ser pesquisáveis (searchable). É por isso que tomas notas no Word ou no GDocs não funciona.
Mesmo que você consiga pesquisar no conteúdo de um arquivo em Word ou GDocs, você só consegue visualizar, na busca, o nome do arquivo, e precisa 1) abrir o arquivo e 2) pesquisar, dentro do documento, a informação que você quer.
Isso torna praticamente impossível visualizar relações entre arquivos. Mesmo que o conteúdo desses documentos seja indexado na busca no Windows ou Mac, ele não é pesquisável.
Já era claro para todos que a Lava Jato, enquanto operação e modelo de combate à corrupção, precisava ser revista. Essa revisão deveria envolver, no entanto, a discussão sobre um modelo novo, de instituições mais sólidas, eficazes e, ao mesmo tempo +
menos pessoalizadas ou baseadas na espetacularização de operações de legalidade duvidosa. Se queríamos falar de avanço, esse deveria ter sido ele: um modelo em que a efetividade do combate à corrupção não dependesse de desvios da legalidade praticados por um Juiz superstar.
Mas, ainda assim, a eficácia do combate à corrupção - obviamente, dentro dos limites da legalidade - deveria ser o norte para a discussão desse novo modelo.
A narrativa jurídica desempenha um papel essencial no impeachment — não só como um dos elementos necessários do processo, mas como discurso de legitimação de todo ele. O caso do Marcel Van Hattem explica bem.
Que o impeachment é um processo jurídico com elementos políticos ninguém discorda. Há a necessidade de um crime de responsabilidade, mas ha também um juízo de conveniência política a ser realizado pelo parlamento.
É por isso que o impeachment não segue a lógica jurídica tradicional. No direito, se duas pessoas cometeram o mesmo crime, nas mesmas circunstâncias, deveriam ser punidas de modo semelhante. No impeachment, o mesmo crime pode resultar em consequências diversas.
Vejam a porcaria que é a @ClaroBrasil : em outubro, liguei para cancelar minha Internet (na verdade, Internet da casa dos meus pais, que estava no meu nome, mas ninguém mais usava). Pararam com as cobranças infindáveis de débitos referentes a períodos que ninguém usou. Mas piora.
Passados alguns meses, começaram ligações incessantes. Contabilizei, em um único dia, nada menos do que 22 ligações. Liguei novamente. Não tinham cancelado. Solicitei o cancelamento com data para o dia 07 de outubro. A atendente da @ClaroBrasil disse que foi tudo feito.
Disse, ainda, que iria informar o setor comercial para dar baixa nas faturas posteriores ao cancelamento. Resultado: um dia de paz. No dia seguinte, voltaram com as ligações. Conseguiram a seguinte proeza: após uma resposta que dei a um atendente, 5 minutos depois ligam de novo+