Hoje ouvi uma história que, a meu ver, representa perfeitamente o abismo existente entre classes sociais no Brasil - que só fica mais profundo.
A rodovia PA-475 começa em Abaetetuba e vai até Goianésia.
Na prática, é a rodovia que faz a ligação entre Belém e Tucuruí.
No meio dessa estrada existem diversos municípios, alguns maiores, como Abaetetuba, Moju, Tailândia, Tucuruí e Goianésia, e outros tão pobres que nem sei como o povo sobrevive.
É normal vermos pessoas esperando transporte na beira da PA-475 - seja pago, seja carona – e algumas pessoas sempre dão carona.
Dentre eles, o pai de uma advogada que trabalha comigo. Ele tem uma fazenda em Tailândia e sempre transita pela PA-475.
Conheci Diana em 97, em uma festa na casa de amigos em Manaus.
Tínhamos alguns poucos conhecidos em comum e acabamos rindo juntos, dançando a noite toda, nos beijando e, imediatamente, ficamos profundamente envolvidos.
A Diana era cearense, Tenente do Exército, e tinha acabado de chegar a Manaus, transferida por necessidade de serviço.
Como ela começava nova vida na cidade, acabamos ficando cada vez mais próximos e vivemos, de fato, momentos maravilhosos juntos.
Mas nem todos.
Teve um dia que Diana, já mais ambientada no local, já com alguns amigos pelo quartel, me convidou para um churrasco.
Seria na casa de um Major "gente fina", cara bacana mesmo, numa casa bonitinha dentro de área militar.
Como era de se esperar, sem ter nada contra, fomos.