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E agora, ateeeeeenção!!!!
Nossa sessão “O Atacadão do Thread”, hoje em edição especial e ampliada (mega-thread) “Feminicídio for ultra-dummies” (pois hoje é o 4o aniversário do 1o #NiUnaMenos):
Levando em conta que vários gajos me perguntam “êta, se assassinatu di muié é feminicídio, assassinatu di hóme é ‘homEnicídio’ ?"
Bom, para atender essas inquietudes, vamos explicar no que consiste isso...
Se uma mulher é morta por um ladrão em um assalto a um banco não é “feminicídio”....
Feminicídio é o assassinato de mulheres cometidos por homens por questões de gênero
...isto é, por ódio às mulheres, simplesmente porque elas são mulheres (e porque os caras acham que podem fazer o que quiserem com elas)

Mas, por qual existe um termo tão específico?
Ora, primeiro, porque é algo que ocorre com colossal frequência, ao contrário dos assassinatos de homens realizados por mulheres e portanto, o assunto merece uma denominação específica.
Vamos dar um exemplo for ultra-dummies (pois percebo que alguns gajos tem dificuldades sinápticas circunstanciais):
Exemplo: O assassinato de filatelistas por questões filatélicas é baixo...
Mas, se o assassinato de filatelistas fosse enorme, aí seria necessário criar um termo para isso.
Mas, não é enorme...
No entanto, o assassinato de mulheres por seus ex-namorados, namorados, maridos, ex-maridos, etc, é elevadíssimo.
Além disso, o termo é necessáro porque o idioma precisa de rigor e existem termos adequados para os diversos casos..
No entanto, o assassinato de mulheres por seus ex-namorados, namorados, maridos, ex-maridos, etc, é elevadíssimo.
Além disso, o termo é necessáro porque o idioma precisa de rigor e existem termos adequados para os diversos casos..
Agora, uma explicação para hiper-ultra-baita-dummies...sabem o que são talheres, não é?
Dentro do Universo dos talheres existem facas, colheres, garfos, facas para peixe, facas para queijo, colheres de sopa, de chá. de café, de molhos.... ...e cada um tem um nome diferente porque possuem funções, usos em formas diferentes....
O mesmo ocorre com os homicídios,que possuem seus diversos tipos..como “Parricídio” para o assassinato de pais pelos filhos ...
Ou “Magnicídio" para o caso de chefes de Estado mortos por questões políticas.
Ou "Regicídio" se for para o caso de um chefe de Estado que seja rei ou rainha assasinado
Essa é a riqueza do idioma.

(o moço da gravura é o Camões)
É óbvio e fácil de entender...a não ser para aqueles que defendem que o idioma se reduza ao verbo “coisar” (ele coisou aquela coisa) ou expressões básicas como “legal” e “irado, mérmão!”
E, ao contrário do que muitos jecas alegam, o termo feminicídio não é um “neologismo” ou uma “novidade” ou um “modismo”...
...o termo feminicídio foi usado pela 1ª vez em 1976 (há 43 anos) no Tribunal sobre Crimes contra a Mulher em Bruxelas ..
Isto é, o termo existe desde antes da Guerra das Malvinas, antes da explosão do Challenger, da queda do Muro de Berlim.
Convenhamos, se for por neologismos, o termo “wifi” é tremendamente mais novo..bem como “crowdfunding” ou “vídeo game”...ou “selfie”.
E para tornar mais “for dummies” ainda, é só preciso lembrar que o volume de homens assassinados por suas esposas, namoradas, ex-namoradas e vizinhas é infinitesimalmente menor,..
..da mesma forma que o número de homens que estupram mulheres é colossalmente maior que o de mulheres que estupram homens
E agora, para os ignaros que acham que “não existe violência dos homens contra mulheres”, vamos com um pouco de cultura, Ópera & Feminicídio - "Otello", de Verdi (o estrangulamento de uma mulher por causa de um lencinho)
E o filme sobre um famoso boxeador venezuelano e feminicídio, censurado pelo governo de Nicolás Maduro, disputou indicação ao Oscar. Entrada no @estudioi de setembro de 2017:
g1.globo.com/globo-news/est…
As marchas de protesto na Argentina começaram a ter o slogan “nem uma a menos” em 2015. O estopim para as manifestações foi o feminicídio de Chiara Páez.
Ela tinha 14 anos e foi assassinada por seu namorado, que a enterrou viva no quintal da casa de seus pais porque estava grávida.
Em 2016 as manifestações se intensificaram depois que Lucila Pérez, de 16 anos, foi estuprada
... e empalada com um pedaço de madeira....
..por 3 homens na cidade Mar del Plata.
Ela morreu depois de um ataque cardíaco.
O modus operandi dos feminiciadas (maridos, ex-maridos, namorados, ex-namorados, além de vizinhos, colegas de trabalho e desconhecidos) abrange armas de fogo, espancamentos e enforcamentos.
E nos últimos anos, desde que um cantor de rock matou sua mulher queimada viva houve uma onda de feminicídios desse gênero, por fogo.
O nome do protesto, o “Nem uma a menos”, vem da poetisa mexicana Susana Chávez, que dizia “nem uma a menos, nem uma morta a mais”. Ela própria foi assassinada em seu país.
E continuamos a thread...agora, sobre um notório militar pedófilo, que recentemente foi elogiado de ¨estadista¨.....

Stroessner: o pedófilo ditador e seu harém de meninas
Os crimes cometidos pela ditadura militar paraguaia estão sendo investigados na Justiça desde os anos 90, entre os quais a tortura e desaparecimento de opositores políticos.
No entanto, apenas em 2016 começaram as averiguações sobre os estupros sistemáticos cometidos pela cúpula do regime do general Alfredo Stroessner, que durou de 1954 a 1989.
Um dos casos investigados pela Comissão de Verdade e Justiça é o de Julia Ozorio, que tinha 12 anos quando foi sequestrada da casa de seus pais em Nova Itália em 1968 pelo coronel Julián Miers.
Ela foi levada a uma chácara, onde foi escrava sexual durante dois anos.
Miers era o comandante do regimento que se encarregava da guarda pessoal de Stroessner
Os militares buscavam e sequestravam meninas da área rural de acordo com os ¨gostos¨ de Stroessner e seus ministros.
As primeiras denúncias sobre os estupros sistemáticos do ditador paraguaio foram publicadas pelo jornal The Washington Post em 1977.
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