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O clube do povo é o clube da colônia portuguesa que usou do amadorismo marrom para não ser surrado pelos grandes assim que subiu para primeira divisão em 23.

Os jogadores, de famílias abastadas da colônia, não viram a cor da bola nos amistosos contra alguns times menores da 1a.
Perderam para São Cristóvão e Andaraí - nesse, uma coça de 4x0. Se desesperaram com os resultados, pois o desempenho foi pífio sem encarar Flamengo, Fluminense, Botafogo ou América.
A solução foi remunerar os grandes peladeiros do subúrbio ( a maioria negros ) para que se preparassem fisicamente e fizessem frente aos grandes.

Surtiu efeito.

O Vasco se sagrou campeão em 23.

Porém, longe de qualquer intenção de resistência racial no futebol.
Uma curiosidade sobre o campeonato de 23 é que quase sempre o Vasco saía atrás no placar e terminava o primeiro tempo perdendo. No segundo tempo, o preparo dos jogadores cruzmaltinos remunerados prevalecia sobre os amadores dos outros clubes.
A colônia, vaidosa, não viu outra alternativa de encarar os grandes, alguns de rivalidade vinda do remo.

E não houve pioneirismo.

O Bangu tinha um negro no seu time em 1904 e a Ponte Preta, fundada em 1900 com participação de alguns negros, tinha negros já em seus 1⁰s jogos.
O America em 21, o Flu em 14 e o Botafogo em 1906 já tinham negros também.
Não havia racismo naquela época? É evidente que havia. O brasileiro é racista até hoje. Não duvido que a exclusão do Vasco em 24 tenha sido um suco de Brasil com direito a racismo e xenofobia. Porém, eu acredito mais na prevalência da 2a hipótese.
Em 1922 tivemos o centenário da independência e havia um certo antilusitanismo no ar. O escritor João do Rio toma uns pescotapas na rua acusado de excesso de lusofilia.
No 2o turno do carioca de 23, dia 8 de julho, o estádio do Fluminense comportou o maior público do país até então, que estaria entre 25 a 55mil, naquele Flamengo 3x2 Vasco.

Torcedores dos outros clubes viram no Flamengo o vingador e se fizeram presentes.
Houve o corso da vitória de Laranjeiras até a Praça Onze. Ida e volta. Correu pela madrugada. Pontos reconhecidamente lusitanos foram alvos de brincadeiras:
Além dos bares portugueses, na sede do Vasco foi posta uma coroa funerária e a estátua de Pedro Álvares Cabral, na Gloria, foi enfeitada com restias de cebola.

O Flamengo, naquele dia, foi uma espécie de representante da colônia.
É muito bonito, sexy e romântico levantar a bandeira do pioneirismo negro no futebol. É sedutor demais, mas não é verdade.
E quanto ao clube verdadeiramente do povo?

Do bairro imperial, da grande colônia portuguesa, que tinha sede na Tijuca, vizinha ao América.

Quando o Flamengo ganha o primeiro campeonato de remo, o Vasco já era penta.

Se o Flamengo não é do povo, o Vasco muito menos.
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