Bom dia. Dia de eleição em 57 cidades do Brasil. Algo um pouco superior a 1% do total dos municípios brasileiros. Contudo, somam perto de metade do eleitorado. Portanto, os vencedores levarão mais que batatas. Segue o fio
1) Serão 57 cidades que decidirão qual prefeito, dentre dois, governará seu território pelos próximos 4 anos: 16 paulistas, 5 cariocas/fluminenses, 5 gaúchas, 4 mineiras, 2 pernambucanas, 2 cearenses, e assim por diante.
2) Se destacarmos as candidaturas de centro-esquerda que estarão neste segundo turno encontramos, num total de 20 (sendo 10 em capitais): 15 do PT, 2 do PDT, 2 do PSOL e 1 do PCdoB
3) Há leituras muito distorcidas sobre a queda ou manutenção do poder hegemônico do PT nessas eleições. O problema da leitura positivista é que desconsidera - quase sempre - a perspectiva. Vê um fato como realidade absoluta. Nesse caso, o PT se mantém à frente, na esquerda
4) Em perspectiva, a situação se alterou muito no cenário de centro-esquerda. Está mais colorida que antes dessas eleições. Basta lermos o quadro de prefeituras e candidatos em capitais que disputam o segundo turno
5) Mas, como ouvi uma vez Paulo Sandroni explicar, há três tipos de mentiras no mundo científico: a pequena mentira, a média mentira e a estatística.
6) O que mudou nessas eleições?
A) o eleitor votou com moderação e no conhecido
B) o WhatsApp deixou de ser meio de ataque
C) PT perde a liderança absoluta na esquerda brasileira
D) Partidos de centro-direita vencem nos pequenos e médios municípios
7) O que não mudou?

A) PT, PSDB e MDB continuam sendo fiadores do sistema partidário (em função dos grandes partidos)
B) Fake News continuou sendo disparadas contra candidatos de esquerda
C) A grande imprensa insiste que sua opinião é mais importante que o acontecimento
8) No Rio de Janeiro, um dos candidatos desenterrou o "kit gay" e até fez uma alusão ao diabo para tentar se reerguer
9) A Folha de S. Paulo decidiu revisar o governo Erundina sem ter apurado suas realizações e mesmo sem citar o contexto de pacote de Collor que destruiu economias domésticas e atirou os orçamentos públicos no precipício
10) Em Contagem (MG), Juiz de Fora (MG), Porto Alegre e Recife, a profusão de fake news contra candidaturas de centro-esquerda revelou mais do mesmo: o medo de perder da direita gera irracionalidades (ou... quando a inteligência não funciona....)
11) Esta eleição parece indicar que o eleitor está esgotado. Fez uma espécie de pit stop. Cravou no conhecido. Nem sempre ex-governante, mas naqueles já presentes na cena política.
12) Ainda hoje, farei um balanço sobre os resultados das eleições nesse segundo turno. De qualquer maneira, os sinais já estão esboçados. A crise social e a segunda onda da pandemia no Brasil definirão o cenário dos próximos dois anos. (Inté)

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30 Nov
Bom dia. Ainda vivemos o rescaldo das eleições de 2020. Mas, já dá para dar alguns pitacos. Faço um fio com o intuito de sugerir que cravar certezas sobre a política brasileira é andar na corda bamba. Segue o fio. Image
1) No Brasil, país latino, o esporte é a aposta. Um movimento infantil, de autoafirmação, em que se pretende vender a imagem de adivinho. Algo intrigante, dado que se o apostador perde, mergulha na penumbra do esquecimento. Se vence, gera surpresa até fazer a aposta errada. Image
2) A palavra que define essas eleições não é derrota, nem mesmo vitória, mas transição. Uma transição de uma decisão que tinha se formado entre 2016 e 2018 e que, agora, parece se dirigir ao lado oposto. Image
Read 22 tweets
29 Nov
Faço uma breves observações sobre a performance dos partidos de centro-esquerda nesta eleição, com destaque para o segundo turno: Image
1) Esta foi uma eleição de transição por parte do eleitor: a marola do antissistema de extrema-direita e apolítico acabou. O eleitor cravou no conhecido e tradicional. Nessa, o centro-direita levou a melhor. Image
2) Mesmo no campo do centro-esquerda, sobressaíram candidaturas com "recall". O eleitor foi moderado. Image
Read 9 tweets
11 Nov
A novidade nesta eleição em Belo Horizonte: a Coletiva
Na eleição passada, várias candidaturas identitárias do PSOL lançaram a ideia das candidaturas coletivas. A novidade dialogava com a experiência política de 2013: liderança não é algo individual, mas coletivo. Segue o fio
1) Havia, ali, uma simbiose entre a democracia representativa – aquela em que o cidadão vota em alguém que o representará no campo institucional – e a democracia participativa – em que vários coletivos e cidadãos se inserem nas estruturas de poder público
2) Em 2016, a campanha coletiva lançava várias candidaturas a partir de uma ideia de unidade, de projeto comum ao redor da sigla MUITAS. A proposta elegeu Áurea Carolina e Cida Falabella e acabou gerando um gabinete unificado na Câmara de Vereadores: a Gabinetona
Read 19 tweets
9 Nov
Boa tarde. Vou socializar cinco fotos (em um mini fio) da matéria da Carta Capital onde faço uma análise da encruzilhada da eleição paulistana para o PT e o PSOL Image
Aqui, as opiniões do Valter Pomar, as minhas e as de Sérgio Braga Image
Nesta penúltima foto, o texto ampliado para facilitar a vida de gente mais idosa como eu.... Image
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4 Nov
Retorno à análise das crises petistas abertas pelos Fernandos. No fio de hoje (mais cedo), detalhei o "novo acordo interno" forjado por Fernando Pimentel que redundou num imenso fracasso. Agora, analisarei os erros de outro Fernando, o Haddad. Este, quebrou as pernas do PT SP.
1) Fernando Haddad era uma aposta de renovação, algo extremamente necessário ao PT. Jovem, perfil classe média branca intelectualizada, contido, estilo britânico, não muito afeto às periferias, como o outro Fernando, próximo de uma agenda gerencialista-empresarial.
2) No MEC, desmontou toda tradição de proposta pedagógica progressista do país que envolve gente como Paulo Freire e Anísio Teixeira. Ao contrário, propôs a adoção das avaliações externas, refutadas por uma de suas criadoras, Diane Ravicht.
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4 Nov
Em meio à tensão que vivo neste acompanhamento da apuração dos votos nos EUA, decidi fazer um fio atemporal sobre como os Fernandos desmontaram a imagem do PT em São Paulo e Belo Horizonte. Que fique claro: torço pelo PT e é por este motivo que alerto para os erros. Segue o fio
1) Fernando Pimentel ingressou na prefeitura de Belo Horizonte para se opor ao modo petista de governar e, consequentemente, parte considerável dos programas de Patrus Ananias. Logo de início, ficou famoso o seminário que planejou esta reviravolta.
2) Pimentel tinha como mote a transformação de BH em cidade global. Conceito nascido nas projeções utópicas empresarias da década de 1990, significa aglomerações urbanas que funcionam como centros de influência internacional, casos de Nova York, Tóquio, Roma, Paris, Londres...
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