Quatro gráficos para falar rapidinho sobre a produção ofensiva e defensiva dos times no Brasileirão 2020...
Quero fazer algumas observações rápidas, mas vai uma explicação breve sobre o que é xG e xGA para quem ainda não sabe.

O desafio é medir a qualidade das chances criadas por cada time. Afinal, "grande chance" é um conceito meio abstrato que coloca muita coisa no mesmo balaio.
Um chute sem goleiro tem mais chance de ser gol do que uma cabeçada da marca ou pênalti ou um chute da intermediária. Então a proposta foi criar um modelo matemático que atribui um valor para cada finalização.

O xG total é o "número de gols que o time deveria ter feito" segundo o modelo.

Está longe de ser perfeito. Muito longe mesmo! Mas é útil para grandes amostras, com muitos jogos (e só nesse caso — vale a pena ter o pé atrás sempre que surge o "xG do primeiro tempo" ou algo assim)
Agora vamos lá...

1- Chega a ser bizarro como Flamengo e Atlético-MG se descolam do resto em quase qualquer métrica avaliada. Na produção ofensiva e defensiva, não é diferente. Os dois fizeram um campeonato muito diferente do resto.
2- Dizem que ataque ganha jogo e defesa ganha campeonato. No BR20, não foi bem esse o caso. Corinthians, Fortaleza e Atlético-GO tiveram um bom desempenho defensivo, mas Ceará e Santos ficaram acima pelo ataque. Isso sem falar, claro, de Galo e Fla mais uma vez.
3- No fim das contas, São Paulo, Grêmio, Palmeiras e Red Bull Bragantino fizeram um campeonato bastante parecido nos números (e não só nesses apresentados aqui). São times com estilos diferentes, mas estão sempre juntos ali nas estatísticas.
4- É impressionante o resultado ofensivo do Fluminense — que fez muito mais gols que o "esperado" pelo que produziu — e do Botafogo — que fez muito menos.

O Flu, aliás, não só fez mais que o xG, mas também sofreu menos. Não é coincidência ter sido a surpresa do pelotão da frente
5- O CAP deixou os adversários criarem pouco e ainda sofreu menos gols que o esperado. Mas, lá na frente, foi um dos times que menos criou e ainda converteu menos que o esperado. Um campeonato meio morno...

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12 Mar
Ah, a posse de bola. Tão falada, tão debatida e às vezes tão polêmica. Tão desejada por uns, tão desprezada por outros…

Há muito a se falar sobre o assunto, mas o cenário do futebol brasileiro atual certamente vai te surpreender.

Segue o fio e vamos ver onde vai dar...
O mundo do futebol passou por uma revolução há pouco mais de uma década. Todo mundo queria a bola.

O melhor jeito de atacar? Ficar com a bola por longos períodos.
O melhor jeito de defender? Ficar com a bola por longos períodos.
O Barcelona, claro, era a síntese desse movimento. Um futebol vistoso, ofensivo, quase mágico, que encantava o mundo. Todos pareciam querer copiar.

A seleção espanhola seguiu a fórmula, mas tirou agressividade, deixou o jogo mais chato e, ainda assim, alcançou um sucesso inédito
Read 31 tweets
24 Feb
Tanto falaram que “o Flamengo não foi líder em nenhuma rodada”...

Assim como um bom maratonista, no entanto, o rubro-negro assumiu a ponta na reta final com a vitória sobre o Inter no Maracanã.

Conversei bastante com o @obrunopet e decidimos contar juntos a história desse jogo.
Comecei citando maratonas, mas eu quero falar mesmo é de outro esporte, o futsal.

Para quem gosta do jogo, é sempre um momento especial quando um dos times resolve usar uma famosa e arriscada estratégia: o goleiro-linha.
A ideia é simples. Precisando do resultado — em geral se estiver perdendo nos minutos finais —, o treinador tira seu goleiro e coloca um jogador de linha no gol. Ele pode pegar com as mãos, mas o objetivo é usar os pés.
Read 27 tweets
22 Feb
A temporada 2007 marcava a volta do Flamengo à Libertadores da América.

Depois de alguns anos fora, o clube voltava a sonhar depois da conquista da Copa do Brasil em 2006. Transformou o título em obsessão e, numa doce ilusão, reforçou o elenco em busca do caneco.
Sim, o time titular do Flamengo em busca da América tinha Bruno, Léo Moura, Irineu, Angelim e Juan; Paulinho, Claiton, Renato Abreu e Renato Augusto; Roni e Souza.

Moisés, Jailton, Leandro Salino, Léo Lima e Juninho Paulista também eram peças importantes do elenco.
Olhando hoje, com a sabedoria que o distanciamento do tempo nos oferece, parece loucura, mas o rubro-negro iniciou o ano falando realmente em chegar longe na competição continental.

Por incrível que pareça (hoje), passou pela fase de grupos com a segunda melhor campanha: 5V e 1E
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19 Feb
O Inter de Abel Braga conseguiu uma sequência de nove vitórias consecutivas, assumiu a liderança goleando o São Paulo e chega à penúltima rodada mais vivo do que nunca. A final de domingo promete. O rubro-negro agora se pergunta: como joga o Inter?
Para começar, vamos olhar os números — sempre fazendo aquela ressalva importante de que as estatísticas são muito úteis para entender o jogo, mas precisam ser analisadas levando em conta o contexto de cada equipe e do campeonato.

Já surgem algumas conclusões interessantes...
A começar pela posse de bola. O Flamengo é, ao lado do Atlético-MG, o time que mais gosta da bola no campeonato. O Inter aparece em quinto, quase empatado com o Grêmio, por exemplo, que é considerado um time de muito mais posse…
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24 Jan
Jogo é jogado e lambari é pescado. Não dá pra garantir resultado no futebol. Nesse campeonato, então, não tem jogo ganho.

Mas não dá para perder assim. É inacreditável ver o time indo de inoperante a inexistente ao longo de 90 minutos. Não há lógica que explique.
É um erro analisar o time só com base no que a gente quer.

Precisamos tentar entender o que o time quer. Isso envolve tanto o treinador quanto os jogadores.

Mas o que o Flamengo quer?!
Tomar decisões em um campo de futebol é difícil justamente porque cada decisão tem consequências.

Do sofá de casa, a gente diz "era só fazer isso", mas a nossa ideia não é testada pelo cruel encontro com a realidade. O treinador e os jogadores, sim, vivem essa pressão.
Read 12 tweets
21 Jan
Essa foto circulou mais cedo pela internet. Abel Ferreira, treinador do Palmeiras, estudando vídeos dos jogos do Flamengo.

Um detalhe não fugiu do olhar dos mais atentos: o nome do vídeo. "Perda Zona Alta" era o título do compilado.

O que pode querer dizer?
É comum que os bons treinadores estudem adversários usando vídeo.

Muitas vezes, compartimentam o jogo em vários pequenos pedaços para encontrar padrões. Ao separar um compilado de "perdas de bola em zona alta", o Palmeiras está procurando detalhes de uma situação específica.
A tal "perda em zona alta" representa nada mais do que todas as vezes que o Flamengo perdeu a bola no chamado "terço final", ou seja, a zona de ataque.

Abel e sua comissão querem saber como o time se comporta nessas situações para encontrar onde estão as brechas.
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