Um fator que não pode ser ignorado nessa temporada é a pandemia do coronavírus, que tornou todos os times mais instáveis e tirou as torcidas dos estádios. Muita gente previu um desaparecimento do "fator casa". De fato, houve uma queda de rendimento dos mandantes, mas nada absurdo
Olhando para a posse de bola, no entanto, a figura começa a ficar mais interessante.
O que cresceu no Brasil nessa temporada foi o número de vezes que os visitantes ficam mais com a bola.
Aliás, se aumentarmos mais ainda a discrepância de posse, aparece um dado um tanto bizarro. Olhando apenas para jogos em que um time teve pelo menos 65% de posse (quase o dobro do adversário), o cenário é esse.
Em termos de resultado, o Brasileirão 2020 realmente foi uma anomalia. Times que conseguiram massacrar na posse foram, na maior parte das vezes, derrotados.
Isso pode ter a ver com o coronavírus ou ser apenas uma flutuação estatística, já que a amostragem é pequena.
Mas, olhando para jogos com a posse um pouco mais equilibrada, ainda assim os times que têm menos a bola vêm levando vantagem no Brasil, o que não acontece em outros lugares do mundo.
Pode ser que toda a situação gerada pelo coronavírus tenha apenas agravado um ciclo que me parece muito presente no futebol brasileiro recente.
Algo que tem a ver com gestão de risco dentro de campo.
1- Clubes não podem errar, precisam de resultados imediatos e, quem não consegue, é limado rapidamente.
2- Com isso, times (treinadores e jogadores) não aceitam correr riscos.
3- Para jogar com menos risco, precisam atacar com pouca gente
4- Para atacar com pouca gente, é preciso pegar o adversário desprevenido num momento em que esteja se defendendo com pouca gente. De nada adianta atacar com três ou quatro se o oponente tem dez atrás da linha da bola.
5- Para forçar o adversário a se defender com poucos, é preciso forçá-lo a atacar com muitos.
6- Com isso, o time precisa atraí-lo para dentro do seu próprio campo. O caminho lógico, então, é "dar a bola" para o outro.
Como muitas equipes parecem operar nesse ciclo, há muitas partidas no campeonato em que times assim se enfrentam. Nesse caso, o jogo praticamente se resume a uma batalha pelo primeiro gol. Afinal, quem consegue marcar fica com a vantagem de poder jogar dessa maneira "confortável"
É aqui que chegamos ao dilema do Tostines.
Os times ganham porque têm menos posse ou têm menos posse porque estão ganhando?
Afinal, se ninguém quer correr riscos, é o primeiro gol que acaba definindo quem tem maior posse, não o contrário. Ou não?
E, se os times são pensados para atacar com poucos contra adversários que defendem com poucos, o primeiro gol acaba trancando bastante o jogo, já que o time que fica à frente no placar se fecha e deixa o outro em situação completamente desfavorável.
Vale lembrar que as cinco partidas em que um time mais "massacrou" o outro em termos de posse terminaram com vitória do time que não viu a cor da bola.
Todas foram vitórias do mandante. Quatro delas por 1x0.
Quatro gráficos para falar rapidinho sobre a produção ofensiva e defensiva dos times no Brasileirão 2020...
Quero fazer algumas observações rápidas, mas vai uma explicação breve sobre o que é xG e xGA para quem ainda não sabe.
O desafio é medir a qualidade das chances criadas por cada time. Afinal, "grande chance" é um conceito meio abstrato que coloca muita coisa no mesmo balaio.
Um chute sem goleiro tem mais chance de ser gol do que uma cabeçada da marca ou pênalti ou um chute da intermediária. Então a proposta foi criar um modelo matemático que atribui um valor para cada finalização.
Tanto falaram que “o Flamengo não foi líder em nenhuma rodada”...
Assim como um bom maratonista, no entanto, o rubro-negro assumiu a ponta na reta final com a vitória sobre o Inter no Maracanã.
Conversei bastante com o @obrunopet e decidimos contar juntos a história desse jogo.
Comecei citando maratonas, mas eu quero falar mesmo é de outro esporte, o futsal.
Para quem gosta do jogo, é sempre um momento especial quando um dos times resolve usar uma famosa e arriscada estratégia: o goleiro-linha.
A ideia é simples. Precisando do resultado — em geral se estiver perdendo nos minutos finais —, o treinador tira seu goleiro e coloca um jogador de linha no gol. Ele pode pegar com as mãos, mas o objetivo é usar os pés.
A temporada 2007 marcava a volta do Flamengo à Libertadores da América.
Depois de alguns anos fora, o clube voltava a sonhar depois da conquista da Copa do Brasil em 2006. Transformou o título em obsessão e, numa doce ilusão, reforçou o elenco em busca do caneco.
Sim, o time titular do Flamengo em busca da América tinha Bruno, Léo Moura, Irineu, Angelim e Juan; Paulinho, Claiton, Renato Abreu e Renato Augusto; Roni e Souza.
Moisés, Jailton, Leandro Salino, Léo Lima e Juninho Paulista também eram peças importantes do elenco.
Olhando hoje, com a sabedoria que o distanciamento do tempo nos oferece, parece loucura, mas o rubro-negro iniciou o ano falando realmente em chegar longe na competição continental.
Por incrível que pareça (hoje), passou pela fase de grupos com a segunda melhor campanha: 5V e 1E
O Inter de Abel Braga conseguiu uma sequência de nove vitórias consecutivas, assumiu a liderança goleando o São Paulo e chega à penúltima rodada mais vivo do que nunca. A final de domingo promete. O rubro-negro agora se pergunta: como joga o Inter?
Para começar, vamos olhar os números — sempre fazendo aquela ressalva importante de que as estatísticas são muito úteis para entender o jogo, mas precisam ser analisadas levando em conta o contexto de cada equipe e do campeonato.
Já surgem algumas conclusões interessantes...
A começar pela posse de bola. O Flamengo é, ao lado do Atlético-MG, o time que mais gosta da bola no campeonato. O Inter aparece em quinto, quase empatado com o Grêmio, por exemplo, que é considerado um time de muito mais posse…
Jogo é jogado e lambari é pescado. Não dá pra garantir resultado no futebol. Nesse campeonato, então, não tem jogo ganho.
Mas não dá para perder assim. É inacreditável ver o time indo de inoperante a inexistente ao longo de 90 minutos. Não há lógica que explique.
É um erro analisar o time só com base no que a gente quer.
Precisamos tentar entender o que o time quer. Isso envolve tanto o treinador quanto os jogadores.
Mas o que o Flamengo quer?!
Tomar decisões em um campo de futebol é difícil justamente porque cada decisão tem consequências.
Do sofá de casa, a gente diz "era só fazer isso", mas a nossa ideia não é testada pelo cruel encontro com a realidade. O treinador e os jogadores, sim, vivem essa pressão.