[BRASILEIRÃO 2020 EM NÚMEROS | PARTE 2: COMO ATACAM E COMO DEFENDEM]
Pense por um minuto: qual foi o time que mais conseguiu invadir a área dos adversários no campeonato passado?
E qual foi o time que menos teve a sua área invadida?
As respostas podem te surpreender...
Na parte 1 da série sobre os números do Brasileirão 2020, falei sobre a posse de bola: quem teve, quem não teve, quanto variou e o que isso significou em termos de resultado.
Agora é a hora de olhar para a forma como os times atacavam e defendiam
O que define de fato o campeonato é a bola na rede.
O velho ditado diz que "ataque ganha jogo e defesa campeonato", mas no BR20 isso não foi necessariamente verdade.
Os exemplos óbvios são Fla e Atlético-MG, que tiveram defesas muito vazadas, mas chegaram pelos gols marcados.
Santos e Ceará, porém, também são exemplos interessantes. Ambos sofreram 51 gols, um número bem alto, mas ficaram acima dos concorrentes pelo alto número de gols marcados — e inclusive terminaram com saldo positivo.
É fundamental, no entanto, entender como esses números foram construídos e até mesmo o quanto eles refletem o desempenho das equipes dentro de campo.
Afinal de contas, não dá pra dizer se um time jogou bem ou mal só olhando para o resultado final. Seria simplista demais.
Uma das maneiras de aprofundar esse olhar é a partir das chances criadas. Quanto cada time cria e quanto permite que os adversários criarem?
Não parece ser coincidência que os quatro rebaixados tenham sido os times que mais deixaram os adversários à vontade.
A métrica "chances criadas" ajuda, mas tem um problema óbvio: o que é uma chance? E toda chance é igual? Uma cabeçada na marca do pênalti tem a mesmo "valor de chance" de um chute sem goleiro?
Para tentar aprofundar esse debate, nasce o modelo xG.
O modelo tem problemas, mas ajuda a entender quantos gols cada time "deveria ter feito" (entre muitas aspas) pela quantidade e qualidade das chances que criou e quantos "deveria ter tomado".
Os mesmos três times lideraram nos dois quesitos. Os três primeiros colocados, aliás.
É legal olhar o quadro que compara o resultado esperado pelo modelo com a realidade. Muita gente ficou perto da média, mas alguns times saíram totalmente do padrão. Flamengo, Atlético-MG, Botafogo e Fluminense são casos interessantes.
Flamengo, Atlético-MG e RB Bragantino foram os times que mais conseguiram levar a bola até o último terço — a defesa do adversário. Mas isso não basta.
O Atlético-GO, por exemplo, foi o 4º que mais chegou, o 9º que mais finalizou e o 13º em xG e o 14º em gols marcados.
Aliás, o Atlético-GO — e o Bragantino em menor escala — não traduziu a chegada no último terço em volume real porque arriscava muito de fora da área, desperdiçando ataques com finalizações que tinham pouca chance de entrar.
Chegar na área não é tão simples. Já deve ter ficado claro que Flamengo e Atlético-MG foram os líderes desse ranking.
O que pode ser surpreendente para muita gente é que eles também lideram o ranking defensivo nesse quesito.
Isso acontece, em parte, pela alta posse de bola dos dois. Ao ficar com a bola, não permitiam que os adversário tivessem muitas chances de chegar.
Porém, mesmo ajustando pelo tempo de posse de bola, os resultados são bem interessantes.
), destaquei que Fla, Atlético-MG e Bragantino foram os times que mais quebraram a posse dos adversários.
Mas foram também os que mais roubaram bolas no campo de ataque. Mesmo quando não roubaram, foram os que mais forçaram erros de passe.
Assim, a gente vai entendendo quem teve defesas mais proativas, que sufocavam quem tinha a bola, e quem tem defesas mais reativas, até mesmo passivas, que se fechavam e deixavam o adversário ficar com ela.
Da mesma forma, dá pra entender quem coloca sempre a bola em disputa quando a tem — e por consequência coloca a posse sob risco — e quem consegue "evitar" os defensores adversários.
), "uma equipe pode tentar ter um 'jogo ofensivo' e ser reativa. (...) pode também ter um 'jogo defensivo' e ser proativa."
Existe uma maneira de olhar para (quase) tudo isso ao mesmo tempo, compartimentando o desempenho ofensivo e defensivo de cada time. É o que eu chamo de FUNIL.
Funciona basicamente como a ideia do "funil de vendas" do marketing...
Para vender algo, você precisa que o cliente conheça o produto, entenda melhor, tenha interesse e por fim efetue a compra em si.
Você pode estar vendendo pouco por diferentes motivos. Será que está alcançando pouca gente no topo do funil ou convertendo pouco no fundo do funil?
A ideia aqui é a mesma. Para fazer gols, o time precisa ter a bola, progredir em campo, ter volume de finalizações, criar chances com boa qualidade e convertê-las.
Quebrando em diferentes etapas, fica claro onde cada time vai bem ou vai mal.
O Ceará, por exemplo, teve pouco a bola, mas progrediu muito quando a teve, finalizou muito quando chegou no último terço, criou chances com boa qualidade e as converteu bem.
O funil defensivo é a mesma coisa, mas usando os números ofensivos dos adversários. Aqui, portanto, quanto menor, melhor.
O Internacional é um ótimo exemplo de eficiência.
Cada time tem as suas características, a sua história dentro do campeonato e peculiaridades próprias que os números ajudam a desvendar.
Por isso, a partir da PARTE 3, começarei a olhar para algumas equipes com uma lupa, em busca dos detalhes únicos de cada uma.
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Há exatos 18 anos, Deco estreava pela seleção portuguesa — sob o comando de Felipão, marcando o gol da vitória contra o Brasil. Só isso.
Um craque que merece ser lembrado.
Para a maioria do público brasileiro, Deco era um ilustre desconhecido até 2004, quando liderou o Porto ao surpreendente título da Champions League, inclusive marcando o segundo gol da final.
(O primeiro havia sido marcado por Carlos Alberto, mas essa é outra história)
A essa altura, porém, ele já era grande em Portugal. Não só pelo futebol, mas também pela polêmica envolvendo sua nacionalidade.
Afinal, Deco saiu rumo ao Benfica aos 19 anos de idade, mas não tinha qualquer vínculo familiar com Portugal.
[BRASILEIRÃO 2020 EM NÚMEROS | PARTE 1: QUEM TEM A BOLA]
O Brasileirão acabou, mas ainda há muito a ser estudado, desvendado e debatido. Começa aqui, então, uma série sobre os números do campeonato.
Na primeira parte, a boa e velha posse de bola — e muita coisa além dela
Segundo o @InStatFootball, essa foi a posse de bola média das equipes. O resultado não é nada surpreendente.
Saber quem ficou com a bola é importante para avaliar tanto estilo de jogo quanto performance, mas a simples média não é suficiente...
Afinal, a posse de um time pode variar muito de um jogo para o outro.
Se o TIME X fica com 70% da posse em metade dos jogos e 30% na outra metade, enquanto o TIME Y tem sempre 50%, a média dos dois será igual, mas a análise deve ser totalmente diferente.
Um fator que não pode ser ignorado nessa temporada é a pandemia do coronavírus, que tornou todos os times mais instáveis e tirou as torcidas dos estádios. Muita gente previu um desaparecimento do "fator casa". De fato, houve uma queda de rendimento dos mandantes, mas nada absurdo
Quatro gráficos para falar rapidinho sobre a produção ofensiva e defensiva dos times no Brasileirão 2020...
Quero fazer algumas observações rápidas, mas vai uma explicação breve sobre o que é xG e xGA para quem ainda não sabe.
O desafio é medir a qualidade das chances criadas por cada time. Afinal, "grande chance" é um conceito meio abstrato que coloca muita coisa no mesmo balaio.
Um chute sem goleiro tem mais chance de ser gol do que uma cabeçada da marca ou pênalti ou um chute da intermediária. Então a proposta foi criar um modelo matemático que atribui um valor para cada finalização.
Tanto falaram que “o Flamengo não foi líder em nenhuma rodada”...
Assim como um bom maratonista, no entanto, o rubro-negro assumiu a ponta na reta final com a vitória sobre o Inter no Maracanã.
Conversei bastante com o @obrunopet e decidimos contar juntos a história desse jogo.
Comecei citando maratonas, mas eu quero falar mesmo é de outro esporte, o futsal.
Para quem gosta do jogo, é sempre um momento especial quando um dos times resolve usar uma famosa e arriscada estratégia: o goleiro-linha.
A ideia é simples. Precisando do resultado — em geral se estiver perdendo nos minutos finais —, o treinador tira seu goleiro e coloca um jogador de linha no gol. Ele pode pegar com as mãos, mas o objetivo é usar os pés.