Outro dia peguei uber com o Nigel. Quando entrei, pronunciei Nigel como Nigel Mansell ele ficou todo feliz.
O pai, viciado em F-1, escolheu o nome que, hoje, agrada o rapaz - mas não agrada a todos, pois foi em desacordo com a mãe.
Aí lembrei das minhas histórias.
Uma senhora que trabalhou conosco. Nascida na Santa Casa, seria chamada de Cecília, sonho da mãe recém parida.
Mas o pai, usando de ardil, foi registrar a criança sozinho e voltou ao quarto com o papel certificando outro nome.
Imagina a surpresa da mãe, que queria Cecília, que acertou tudo para ser Cecília, quando se deparou com a certidão onde constava MARIA MACILDA.
Pois é. Segundo o pai, seu sonho era ter uma filha chamada Macilda, nome que achava especial.
Vai entender os desejos do bicho homem.
Ou um amigo que tive na faculdade, que se chamava Christopher Reeve.
A lista de calouros sai e todo mundo comemora, na baderna que era nossa galera:
- PORRA, O SUPER HOMEM VAI CURSAR UFPA
Obviamente, daí em diante, ninguém mais chamava o rapaz pelo nome.
Era super homem, superman, superomi, tudo, numa chamação de apelidos que ela adorava.
Ele dizia que só não gostava quando paquerava alguma mina e ela dizia, toda romântica, no ouvido dele:
- Superomi, me beijes
Era bonitão o Christopher Reeve, e infelizmente não sei mais dele.
O pai, fã dos filmes de super heroi, jamais teria imaginado os perrengues amorosos que o filho passaria com aquele nomão, mas, vida que segue, porque a história mais engraçada mesmo, carrego na família.
Pois que minha avó queria ter um filho home, mas filho homi não vinha.
Na terceira gravidez, resolveu fazer promessa a São Raimundo, que protege grávidas ao redor do mundo.
- São Raimundo, São Mundico, se nascer homem, chamo de Raimundo Nonato em sua homenagem.
Feita a promessa, minha avó calou e não contou a ninguém, com medo de contar e não acontecer.
Mas aconteceu, nasceu meu padrasto.
No dia do nascimento, todo feliz, meu avô pega a criança no colo e pergunta:
- Posso chamar de Camilo? Sempre quis um Camilo.
Minha avó então contou do fato, a promessa, e informou que seria Raimundo Nonato, por conta de ter nascido homi, ao que meu avô deu um berro:
- MULHER, RAIMUNDO NONATO NÃO, JAMAIS, POIS TENHO DESAFETO CHAMADO ASSIM. NÃO VOU BOTAR HOMENAGEM AO INIMIGO, ARA
E deu-se a crise.
- Raimundo Nonato
- Jamais
- Mas o Santo
- NUNCA
- Mas é nome bonito, tem justificativa
- RAIMUNDO NONATO, JAMAIS
E, depois de horas de discussão, chegaram a um acordo.
Nem Raimundo Nonato, nem Camilo, mas ainda respeitando São Raimundo...
Foi assim, senhores, que meu pai foi batizado com a graça de RAIMUNDO NETUNO...
Obviamente, todo mundo chama de Netuno, que não é nome feio, é só diferente, mas causa confusões engraçadas.
São históricos os casos de pessoas que procuram pelo Professor Júpiter, Saturno...
Hoje, para mim, é nome lindo, nome do homem que se tornou meu pai.
Tanto que, depois de Carlos Henrique (homenagem a meu pai, Carlos), pensei em colocar Netuno no Vicente (o que meu pai, Netuno, implorou para não fazer, por amor ao neto).
Raimundo Netuno, meu pai, nascido da desavença entre Aristeu e Raimundo Nonato, nome forte que ainda respeita o santo que o carregou no colo até o ventre de minha avó.
Já disse que adoro histórias de nomes, né?
Se tiver alguma bacana para contar, manda ai nos comentários.
fim
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Faz um tempo, eu tava morando em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, e as coisas estava bem estranhas, sabe?
Foi logo no início da pandemia, e vocês imaginam passar por toda aquela loucura, só eu e minha filha, tendo que aguentar as incertezas desses tempos doidos.
Especialmente minha filha, a Juju, estava sofrendo muito.
Apesar de sempre termos sido caseiros, com a chegada da pandemia acabamos nos trancando mais, isolados de tudo e todos, o que certamente a deixou bem nervosa, e eu sentiu tudo também, porque sempre fomos muito ligados.
Nunca achei que fosse loucura, mas Juju começou a falar muito sobre um anjo... uma espécie de anjo da guarda que queria se aproximar e estar ao lado dela naquele momento. Um ser de luz que dizia estar ali para nos proteger.
Eu perguntava sobre ele, mas Juju não sabia falar nada.
Dick Rowland, um jovem engraxate negro, de 19 anos, adentra no único prédio do centro da cidade que dispunha de banheiro liberado para "pessoas de cor"
Isso, nos EUA onde vigoravam regras racistas horrendas e desumanas.
Quando Dick entra no elevador, encontra a operadora da cabina, Sarah Page.
Existem muitas versões dos fatos, mas sobre duas coisas se tem certeza:
1. Eles se conheciam, mesmo que minimamente, e se reconheceram.
2. Logo após Dick entrar no elevador, Sarah deu um enorme grito.
Seguido ao grito, por qualquer razão que talvez jamais seja elucidada, Dick correu do prédio.
Muito provavelmente por saber que, naquela época, naquele lugar, diante do grito de uma mulher branca, um rapaz negro provavelmente seria acusado de alguma coisa.