Um dia, partiu pra cidade grande para realizar seu sonho. Começou a atuar, foi ficando famoso e acabou indicado a um grande prêmio pelo papel de um gay.
A cidade parou, claro, pra ver aquele seu filho, no auge.
Ele se chamava Cameron Drake e parecia nervoso na plateia.
Todas as tevê da cidade sintonizadas naquele momento fabuloso.
Todos os moradores esperando o momento máximo de um morador dali.
Dentre eles, Howard Brackett, que assistia à premiação ao lado de sua noiva.
Brackett, professor de literatura da cidade, tinha sido o grande influenciador da veia artística de Drake.
Por essa razão, era o mais empolgado com a possibilidade de ver o aluno brilhar daquela forma.
Até que chega o momento da premiação e Drake ganha.
Ele sobe ao palco, pega seu troféu de melhor ator pelo papel de um homem gay, e começa a discursar.
Muito emocionado, agradece a todos que ajudaram a chegar ali, em especial ao seu professor de literatura, Brackett, que o motivou sempre, e, inclusive, É GAY
A cara do Brackett e da noiva ao ouvirem isso…
Obviamente Brackett não é gay - ou não se sabe gay - ou não se reconhece gay - inserido que está numa pequena sociedade conservadora onde gays são objetos distantes.
E esse anúncio público, feito pelo ex-aluno em rede aberta de tevê muda radicalmente sua vida.
Tirado do armário a força, da forma mais pública e inimaginável possível, Brackett passa a viver um enorme dilema - que é o mote do fime “Será que ele é?” - se descobrir, se aceitar e se impor diante de tudo que esperam dele.
O filme de 1997, estrelado por Kevin Kline, Joan Cusack, Matt Dillon e Tom Selleck, é uma comédia interessante sobre preconceitos que, por vezes, estão incutidos na próprio vitimado.
Apesar de muitos esteriótipos, o filme, que foi um sucesso, se presta a que veio.
Discute a homossexualidade e a aceitação de si - e pelos demais - de forma leve e sensível (num assunto que, na maior parte das vezes, é pesadíssimo).
A Joan Cusack inclusive foi indicada ao Oscar pelo papel de noiva do Brackett (e perdeu, infelizmente).
E, curiosidade bacana:
Na distante 1997, quando o filme foi lançado, ganhou um prêmio significativo:
A MTV norte-americana premiou o filme na categoria O melhor beijo do ano - dentre todos os filmes lançados nos EUA naquele ano, e não foi à toa (olha a tensão sexual).
Assistam ao filme, é muito engraçado.
E usem ele - e todas as reviravoltas dele - para entender como a saída do armário pode ser algo complicado.
Sair do armário é decisão personalíssima, que diz respeito a uma única pessoa, sem qualquer possibilidade de intermediação.
Ninguém pode sair do armário por imposição de terceiros.
Respeitar isso é vital para qualquer luta por respeito.
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Faz um tempo, eu tava morando em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, e as coisas estava bem estranhas, sabe?
Foi logo no início da pandemia, e vocês imaginam passar por toda aquela loucura, só eu e minha filha, tendo que aguentar as incertezas desses tempos doidos.
Especialmente minha filha, a Juju, estava sofrendo muito.
Apesar de sempre termos sido caseiros, com a chegada da pandemia acabamos nos trancando mais, isolados de tudo e todos, o que certamente a deixou bem nervosa, e eu sentiu tudo também, porque sempre fomos muito ligados.
Nunca achei que fosse loucura, mas Juju começou a falar muito sobre um anjo... uma espécie de anjo da guarda que queria se aproximar e estar ao lado dela naquele momento. Um ser de luz que dizia estar ali para nos proteger.
Eu perguntava sobre ele, mas Juju não sabia falar nada.