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Andei lendo uns artigos sobre a história da lambada em Belém, se vcs me permitirem vou elaborar uma humilde thread sobre a cena da qual saíram ritmos paraenses.

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A história começa na Belém dos anos 1930, uma cidade decadente, contudo ainda um grande entreposto comercial entre os hemisférios norte e sul.
Vários navios paravam em Belém em suas rotas, promovendo uma circulação temporária de marinheiros de todos os lugares do mundo

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Áreas periféricas como os bairros do Guamá e Condor abrigavam casas de entretenimento para adultos, denominadas a partir dos anos de 1930 de "garfieiras".
Eram locais próximos às áreas portuárias, por isso atraíam trabalhadores destas atividades.

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O próprio bairro da Condor é assim denominado por conta de uma empresa de transporte aéreo que operava nas proximidades de onde hoje é a Praça Princesa Isabel, por isso se fala "bairro DA Condor" e não do Condor.
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No mesmo período, em Belém, os lojistas começaram a utilizar alto falantes pendurados em postes ou pedaços de madeira para anunciar seus produtos(chamados de "boca de ferro"), dentre eles quem seria o futuro fundador da atual aparelhagem "Brasilândia".
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Logo os "bocas de ferro" desceram dos postes e se tornaram "portáteis" poderiam ser improvisados em qualquer lugar, surgiam os "sonoros", pais das atuais aparelhagens.
As festas dos sonoros se tornaram extremamente populares nos bairros de Belém até uns dez anos atrás

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Os sonoros se tornaram escolas para locutores que dominariam Belém nos anos 1960/1970/1980 e deram início à utilização da linguagem popular no rádio, destacando-se Paulo Ronaldo e Haroldo Caracciolo, tido como o criador do termo "lambada".

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No período Belém crescia e se tornava mais desigual, o que se manifestava nas manifestações culturais.
A classe média/alta se divertiam ouvindo boleros, sambas canções, outras canções chamadas de "música clássica" em locais como o Tennis Club, Iate Clube, AP, Pará Clube.
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O povão gostava de dançar mais coladinho, já existia o maxixe, "dança escandalosa do século 19". A partir de 1930 locais como o Estrela do Norte, o Estrelinha e posteriormente o Palácio dos Bares, tocavam ritmos considerados indecentes, o principal deles: o merengue.

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Os locais de festa populares eram denominados "garfieiras" e tinham sonorização feita por sonoros como Paysandu, Clube do Remo, Santos, Alvi-azul. Formava-se um elo paralelo de mercado musical, uma parceria entre os sonoros e as casas de festa populares.

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Como as casas de festas estavam próximas às áreas portuárias, recebiam muitos estrangeiros e navios vindos do Caribe, com vários produtos contrabandeados.
Os principais? Uísque, sandálias japonesas, calhambeques e ... discos do Caribe.
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Os ritmos caribenhos eram genericamente chamados de "merengue", a dança era considerada "saliente", seus frequentadores masculinos, os "merengueiros" andavam todos de branco, as mulheres, com saias chamativas e mais curtas.
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Inclusive Walcyr Monteiro conta uma lenda urbana de Belém onde um sujeito tenta se "enxerir" com uma moça (segundo a história, vestida de "merengueira") e se dá mal.
É a lenda da "Moça sem face".

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As festas se tornaram populares e se proliferaram pelos bairros da Pedreira, chegando até Icoaraci. Formou-se um mercado forte de música clandestina em Belém.
Nos anos 1970, com o barateamento do rádio, discos e "eletrolas", as gravadoras começaram a abrir os olhos.
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Logo grandes gravadoras formaram selos menores e começaram explorar os mercados populares, artistas como Odair José, Waldick Soriano, Pinduca e Osvaldo de Oliveira (Vavá da Matinha) gravam seus primeiros discos.

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Quem mais se destacou no mercado foi um empresário que desde os 14 anos acompanhava as festas de merengue (do lado de fora) e se tornou um dos maiores fenômenos de venda em Belém, Carlos Santos e sua gravadora Gravasom.

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Carlos Santos era dono de loja de discos e de rádios (grupo Marajoara), tinha a faca e o queijo na mão. Colocou no ar locutores populares e ajudou a promover o merengue e futuramente a Lambada.
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Chegou a gravar o sucesso "Quero você" ().
Reza lenda que ele gravou e recusou um jovem artista: Zezé di Camargo, a música "Minha Presa" é um hino em Belém, mas totalmente desconhecida da discografia do cantor ()
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Gravasom lançou a Banda Warilou e outros grandes artistas da Lambada, fazendo um enorme sucesso no final dos anos 1980, final da ditadura e da censura, período de grande liberação sexual no Brasil.
De lá a lambada seguiu para a Bahia e fez mais sucesso ainda.
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Em meio a "bahianização" da lambada os músicas paraenses reclamavam da falta de união do meio.

Coisa que fazem até hoje

FIM

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