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Já ouviram algo sobre Marc Bloch, historiador medievalista, um dos responsáveis pela epistemologia da História como Ciência e membro da Resistência Francesa na segunda Guerra Mundial?

Segue a Aula-fio...
Marc Bloch nasceu em Lyon, em 6 de julho de 1886. Filho de Gustave Bloch, um historiador da Antiguidade Romana e gálica, membro de uma tradicional família de judeus alsacianos que optaram pela nacionalidade francesa após a guerra franco-prussiana de 1870.
Bloch teve desempenho brilhante no ensino secundário , formando-se no Liceu Luís, o Grande em 1903 e ingressando na Escola Normal Superior (de formação de professores, uma carreira prestigiadas e concorrida na França da Belle Époque) em 1904.
Ele passou no do concurso para professores secundaristas em 1908 com excelente desempenho, e estudou entre 1908 a 1909 nas faculdades de Berlim e Leipzig antes de se recrutado pela Fundação Thiers, fundação que captava estudantes com alto rendimento entre 1909 e 1912.
Era professor do equivalente ao Ensino Médio quando Primeira Guerra Mundial eclodiu , e serviu como um sargento de infantaria. Marc Bloch termina a guerra como capitão, recebe a Cruz de Guerra com quatro citações e é condecorado com a Legião de Honra pelos seus serviços à França.
Em 1919 , casou-se com Simone Vidal (1894-1944), com quem tem seus seis filhos, incluindo Étienne, que escreveu em 1997 sua "biografia impossível" além de ser o destinatário de seu último livro.
Em 1920, defende uma tese de doutorado enxuta, porém inédita, sobre a emancipação das populações rurais na Idade Média: “Reis e Servos, um capítulo da história capetina”. Ali já se delineava uma abordagem mais interessada nos processos históricos do que em datas e nomes de reis.
Em 1924, Marc Bloch publicou sua obra magistral, “Os Reis Taumaturgos”, sobre a crença medieval do poder de cura dos Reis por imposição das mãos. Ele ousa experimentar um método comparativo emprestado dos mestres da lingüística (ele mesmo fala uma dúzia de idiomas).
Bloch participa em 1929 , com o "grupo de Estrasburgo", incluindo Lucien Febvre, na fundação da revista “Anais da História Econômica e Social” ou simplesmente “Annales” que revoluciona a Ciência Histórica. Só esta obra vale uma aula-fio, a ser feita em breve.
Em 1931 , escreve “História Rural Francesa”, obra que inova ao usar conhecimentos tidos como distantes das humanidades até ali como a botânica e demografia, para entender melhor a evolução das estrutura agrárias do Ocidente medieval e moderno.
Entre 1939 e 1940, vê muito de perto o fim da Terceira República francesa. Marc Bloch escreveu sobre este evento, que mudou sua vida, “A Estranha Derrota” um livro póstumo publicado em 1946.
Este livro, que ele apresenta como o testemunho de um historiador, confirma a ideia de que o fracasso do exército francês contra as tropas de Hitler é atribuível ao desejo do alto oficialato francês de contribuir com as tropas alemãs.
Além disto, ele levanta a questionamento do quanto às elites francesas preferiram uma vitória do nazismo na Europa como alternativa ao comunismo. Expressa sua repulsa à atitude de uma parte da burguesia francesa que após a derrota de 1940, se aliou e colaborou com os alemães.
Após a derrota de 1940, por ser judeu, ele foi excluído do serviço público pelo governo de Vichy. Seu apartamento em Paris é requisitado pelos alemães que enviam sua biblioteca para a Berlim. De 1940 a 1942, Bloch muda-se três vezes pelo país, sempre fugindo dos nazistas.
Ele escreveu entre o final de 1942 e março de 1944, sem documentação e em condições difíceis,seu livro mais conhecido:”Apologia da história ou O ofício do historiador”, publicado em 1949,o livro”testamento", no qual ele resume os requisitos exclusivos da profissão de historiador.
Ele se escondeu no final de 1942 , quando os alemães invadiram a Zona Livre e se juntou à Resistência, onde se tornou líder da região de Lyon. Ele foi preso em Lyon em 8 de março de 1944 pela Gestapo, torturado por Klaus Barbie e seus homens e fuzilado em 16 de junho de 1944.
A última frase de “Apologia da História”: “Resumindo tudo, as causas, em História como em outros domínios, não são postuladas, são buscadas”, sem pontuação final, do jeito que tem de ser um livro que não ficou inacabado e sim interrompido pela violência da ignorância.
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