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Na terceira Aula-fio da série #AulaFioMonarquiaBr, vamos analisar o que levou ao fim da monarquia no Brasil, o que aconteceu com a família real e como atuam para o retorno da monarquia no país.

Segue a Aula-fio...
O fim da monarquia no Brasil, pode ser explicado resumidamente devido à quatro fatores básicos: a questão econômica, a questão militar, a questão sucessória e uma questão de identidade.
Em 1888, a Princesa Isabel assinou a lei que abolia a escravidão, libertando mais de 750 mil escravos. O efeito prático pode ter sido reduzido, mas muitos fazendeiros que eram o apoio local ao governo monárquico, viram no ato uma traição da Coroa aos interesses do agronegócio.
Desde o fim da guerra do Paraguai, crescia entre os militares a ideologia republicana, visto que os aliados do Brasil na guerra (Argentina e Uruguai) eram comandados por presidentes militares na época do conflito. E também sentiam-se desprestigiados pelo governo.
Em 1864, a princesa Isabel casou-se com Louis Philippe Marie Ferdinand Gaston de Orleans , o Conde d’Eu. Pode parecer detalhe, mas muitos políticos da época preocupavam-se com a influência do marido francês sobre a futura imperadora (imperatriz é apenas a esposa do imperador).
Mas o mais importante era o fato que a maioria da população não possuía um sentimento de indenidade com a instituição monárquica. Muitos admiravam D. Pedro e a filha, Isabel, mas não viam na monarquia uma instituição que realmente representasse os interesses do povo.
Toda a família imperial foi banida do território brasileiro, embarcando no vapor Sergipe, chegaram em Lisboa em 7 de dezembro de 1889, em meio às comemorações da ascensão do rei D. Carlos I, sobrinho neto de D. Pedro II.
A família imperial não foi bem recebida pelos parentes lusitanos, visto que o governo português informou que a presença de um imperador deposto não era desejada no momento da coroação de um novo rei.
Humilhados pela recepção, o imperador e a imperatriz foram para a cidade do Porto enquanto que Isabel e seus filhos partiram para a Espanha. A imperatriz Tereza Cristina morreu nos últimos dias de 1889. Alegava que não “morria de doença, mas de dor e de desgosto".
D. Pedro II faleceu em 1891 e teve um funeral de chefe de Estado em Paris. Era muito popular na França desde a exposição universal ocorrida em Paris em 1878. Era considerado o “Marco Aurélio do trópicos“, por sua erudição e apoio à Ciência.
Claro que este progressismo não se transferiu para o seu governo, que sempre foi conservador. Liberal nas Artes e Ciências , conservador em suas tradições. Ao menos era liberal em um aspecto de sua vida pública. É mais do que se pode dizer de vários de seus descendentes.
Isabel, passou o resto de seus dias na França, onde faleceu em 1921. Se apegou às tradições nobiliárquicas a ponto de exigir em 1908 que seu filho Pedro renunciasse aos direitos ao trono, por desejar casar-se “com uma mera condessa” do império austro-húngaro.
Assim, o suposto direito ao trono passou para outro filho de Isabel, Luís, que serviu no exército inglês durante a Primeira Guerra Mundial, tentou desembarcar no Brasil em 1908 mas foi impedido pelas autoridades portuárias.
Luís foi atuante entre 1907 e 1920 na causa da restauração da Monarquia, mas até ali colheu poucos frutos. As coisas pareceram melhorar com a revogação da lei de banimento da família, porém Luís faleceu em 1920, devido a complicações reumáticas desenvolvidas nas trincheiras.
Seu filho, Pedro Henrique, chefiou a casa imperial de 1921 à 1981. Formado em Ciências Políticas na universidade de Sorbonne, Pedro chegou ao Brasil após a Segunda Guerra Mundial, em 1945.
Desde antes de seu retorno, Pedro Henrique se correspondia com integrantes do movimento Patrianovista (movimento monarquista conservador e católico) e com militares. Já no Brasil, participou da fundação da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade em 1960.
Durante a Ditadura Militar, a casa imperial do Brasil sempre este em sintonia com o regime autoritário, porém nunca atendeu aos pedidos de apoio à um golpe que restaurasse a monarquia, por identificar este recurso com a República.
Desde 1981, a casa imperial é comandado por Luís Gastão, nascido em 1938 na França. Também ligado à instituições conservadoras e católicas, trabalha discretamente pela restauração da monarquia, a destacar o plebiscito de 1993.
Como não tem filhos, seu herdeiro é o irmão, Bertrand Maria José, que concede frequentemente entrevistas e comanda a causa da restauração. Escreveu livros como “Psicose Ambientalista”(2012), onde crítica “ecoterroristas” (WWF e Greenpeace), ambientalistas de forma geral e o MST.
Também é solteiro e sem filhos, assim o terceiro na linha sucessória de uma improvável monarquia seria Antônio João, seguido por seu filho Rafael Antônio. Antônio costuma ser mais discreto, mas Rafael é costumeiramente visto acompanhando o tio Bertrand em eventos monarquistas.
E Luiz Philippe? O deputado chamado por muitos de seus apoiadores de “príncipe”? Este não tem direito algum ao fictício trono, pois seu pai, Eudes Maria Rainier renunciou aos seus direitos, para casar-se com uma “plebeia”, a mãe do deputado.
Para esta Aula-fio, usei como fontes os livros “As Barbas do Imperador” de Lília Moritz Schwartz, “ Dom Pedro Henrique” de Armando Alexandre dos Santos, “Os bestializados” e “D. Pedro II”, ambos de José Murilo de Carvalho.
Na próxima Aula-fio, vamos descobrir porque ainda existe um movimento monarquista no Brasil. Por que não houveram machados como na Inglaterra, Guilhotinas como na França ou baionetas como na Rússia...
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